Pelos velhos tempos

Tudo bem.
Tradição é tradição.

Se eu cresci mimada e mal acostumada, tenho certeza de que fiz o mesmo com você. Fui eu que inventei essa história de escrever uma carta virtual para alguém que era alérgica a tecnologia em vida, imagina só em morte. E como inventora de tal coisa, devo dar sequência a tradição. Não é como se eu tivesse alguma resposta ou sinal, mas já faz alguns dias que me sinto em divida com você.

Feliz aniversário, pequena.

Ainda ontem me perguntaram sobre ti. Em resposta a minha resposta, só souberam dizer o quanto você era uma senhora gente boa - como se precisassem me lembrar disso.

Tem uma coisa que parece boba quando dita em voz alta, mas que já passou pela minha cabeça algumas vezes. Eu não sinto mais saudade do pai do que de você ou vice versa. Só queria deixar isso bem claro porque essa ideia é algo que realmente me preocupa. Desculpa se em algum momento pareceu que eu esqueci da senhora. Tenho a sensação de você merece ainda mais. Mais choros, mais textos, mais saudade, mais longas conversas a seu respeito. Mais vida.

E mesmo depois de tanto tempo, posso te garantir que você sempre vem em minha mente quando eu dou uma gargalhada de verdade, daquelas que vêm do meio da barriga, ou um sorriso verdadeiro. É a tua falta que me tira o ar e traz seriedade ao meu rosto durante uns segundos antes de eu me soltar de vez. É difícil sentir qualquer coisa completamente quando falta um pedaço da gente.

Não sei de onde tirei essa mania de ficar me torturando, mas ainda me pego imaginando como tudo seria se tudo ainda fosse como era antigamente. A tua lembrança me oferece o aconchego do colo de vó e a confiança para continuar em frente que eu preciso vez ou outra.

Acho que eu perdi o foco da mensagem.
De qualquer forma, meus parabéns.
Te amo (desde que me lembro por gente e até o fim dos meus dias)