Vocês por aqui?

quarta-feira, 11 de julho de 2012 00:35 Postado por Arielle Gonzalez
Todos se reúnem em volta da televisão. O plano é deixar aquele pequeno objeto redondo levá-los de volta no tempo, para o ano de 1996. 

Os rostos são refletidos na tela, com mais sorrisos e olhos menos cansados. São 16 anos a menos e a impressão de que aquela era uma outra vida, de desconhecidos. 

Desde o começo eu sabia o que estava por vir, quem estava por vir. Era com inveja que todos prestavam atenção naquelas imagens. "Tadinhos, nem imaginam o que acontecerá".

A menina dançando sem preocupações. Os longos cabelos balançando enquanto ela pula de um lado para o outro. Do lado de cá, a mulher que ela se tornou tem vontade de trocar de lugar com ela.

Mulher? De repente todos começaram a me chamar assim. Mal sabem eles que eu tenho resposta para tudo apenas para distrair as pessoas. Já que quem não se aproxima não tem chance de descobrir que esse peito estufado ainda esconde a menina que dança. Da mesma forma que aqueles que nunca perderam alguém não têm ideia do que eu esta falando.

O luto é um companheiro para a vida toda. Ele se afasta e espera. Paciente, se faz presente quando a pessoa está muito bem ou precisando de somente uma desculpa para ficar mal. De qualquer forma, está sempre por perto. Aguardando o momento certo para voltar e assombrar e mostrar aquilo que não poderá ser refeito ou feito pela primeira vez. Explorando o fato de que alguns infinitos são maiores do que outros. 

Os abençoados que não entendem a importância de quem vive apenas na memoria, desconhecem o misto de reações que o corpo tem ao ouvir a voz daqueles que não podem mais serem ouvidos. 

Especialista na arte de engolir o choro, segurei as lágrimas como se a minha vida dependesse disso. Tentei viver o momento mais uma vez, ainda que não reconhecesse o cara magrelo, cabeludo e de bigode ou a senhora gordinha e de cabelos negros. Mas sem dúvidas eram eles.

É estranho pensar que eu comemorarei mais um aniversário e acumularei conquistas e derrotas e viverei amores e eles não. A história deles acabou, sem direito a to be continued.

E quando digo que estou cansada de brincar de ser gente grande, não quero ouvir que preciso ser forte pelos outros. Só queria a mentira sincera de que vai ficar tudo bem.

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