Nada vai mudar entre nós...

domingo, 24 de junho de 2012 21:48 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Tem coisa mais clichê do que dizer que "o coração quer o que o coração quer"? Eu sei, eu sei. Já usei isso em algum texto por aqui e não há defesa para isso. Mas o mundo anda de cabeça para baixo, o impossível acontece, as pessoas se revelam, o certo tá todo errado e o errado parece cada vez mais atraente. 

Confuso, não? Sinto como se cada parte tivesse vida própria. É o coração que fechou para eterno balanço e cortou relações com o cérebro. Outro que anda meio surtado, depois de tantas séries tá se achando o House. Desvendando as pessoas e enxergando apenas o pior. Estou cada vez mais cínica.  

Mas entre mortos e feridos, ando sem motivos pra reclamar. Não que isso me impeça de continuar apontando minha insatisfação com alguns aspectos da minha vida, já que esse é o tipo de coisa que faço por hábito e, ultimamente, com um sorrisinho nos lábios.

Acho que a prendi a rezar ou a pedir com fé ou a implorar por atenção de alguma força maior que anda com pena de mim. De um jeito meio torto, os desejos que lancei sem pretensão no universo estão acontecendo, ainda que em um tempo nada adequado.

Mudei de emprego, matei vontades, desapeguei das dúvidas. Ouso dizer que não tô com medo, mas logo volto atrás com essa história de ser destemida.

É reconfortante deixar de matar o tempo para viver e de repente perceber que a vida deixou de acontecer sem você. 

Que você e a sua solidão sejam felizes

Eu tentei, mas não consegui.
Só volto aqui quando parar de doer.

Fingi na hora rir

Toda manhã ela levanta contando o tempo para voltar a dormir. 

Toda manhã ela deixa a água do chuveiro levar embora os sonhos que se recusam a reconhecer o seu lugar, vê planos e desejos escorrerem ralo abaixo. Às vezes, nem dó tanto ver uma parte dela indo embora assim. 

Toda manhã ela se abastece com a quantidade suficiente de café para ter energia o dia todo, nem a mais nem a menos, apenas o necessário para aguentar o tempo acordado.

Antes costumava apontar para a fé e remar, agora se satisfaz em acionar o piloto automático e esperar pelo fim do dia.