Goodbye means nothing at all

Ainda espero as palavras chegarem e a negação partir. Acabou, como tudo que é bom, ruim ou indiferente. Esse era mais um fim inevitável e programado e inadiável e insuportável. Não pelo lugar, difícil mesmo é abrir mão das pessoas.

A vida não é uma narrativa escrita em linhas tortas, tá mais pra uma obra de arte abstrata repleta de traços feitos aleatoriamente. Todo mundo olha e dá palpite, mas nem o autor sabe ao certo o que quis dizer com a aquele monte de informação. Tem gente que diz que vê o copo meio cheio, outros enxergam ele meio vazio. Pra mim isso não faz diferença porque eu sempre avisto tempestade. 

Porém não nego que o Universo tenta manter um certo equilíbrio. Caras bonitos ficam com mulheres feias, quem tem sorte no amor tem azar no jogo e por aí vai. Sempre acreditei que quando Deus fecha uma porta, abre uma janela pra gente ter de onde se jogar. O que não desconfiava é que lá embaixo ia ter monte de gente disposta a se por entre mim e o chão, só pra diminuir a minha dor. 

Ou pelo menos foi assim que eu passei a me sentir com o meu primeiro emprego. Porque além do choque de ter o mundo virado de cabeça pra baixo com a partida inesperada do meu pai, naquele mês, eu recebi apoio incondicional de pessoas que me conheciam há poucos dias. De lá pra cá, eles fizeram parte do pior e de alguns dos melhores momentos da minha vida.

Foram dois anos dividindo alegrias, stress, boas novas, futilidades, sonhos, planos e amor. A gente recebeu muita gente de braços abertos e teve dificuldade para abrir os mesmos braços na hora de dizer adeus pra muita gente também. A convivência fez nascer uma família que foi além das seis horas de trabalho e, que daqui pra frente, vai além da convivência também. 

Em um mundo onde tudo se mede em números, eu aprendi que aquilo que é importante se mede na intensidade do abraço e no brilho molhado do olhar.

“Aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante - coisa ou pessoa - na sua vida, isso não se perde.”

Dá zero pra ela

Eu invento a tua presença e encontro nela o consolo que a realidade se recusa a me dar. Se lembra da última vez que eu te disse que não queria brincar mais disso? Pois é, ainda não mudei de ideia. Os pontos altos ainda me iludem por alguns segundos, mas viver num mundo inventado exige mais negação do que eu posso oferecer. Talvez seja por isso que eu sempre me lembro daquele episodio, do pé doendo de brincar de ser adulta e de pular no seu colo e de não imaginar que tudo poderia mudar para depois não mudar nunca mais. Eu já sabia a resposta naquela época.

A vida continua a mesma, repleta de alegrias e dores que resultam num equilíbrio meio torto e difícil de enxergar. 

Eu vesti o meu melhor sorriso, decidida a não deixar nada me atrapalhar. Fiz a lição de casa, do jeitinho que você me ensinou. Saí determinada e orgulhosa, me sentia uma aluna exemplar. Mas o destino é um cara gozador. De tanto reclamar que estava perdida na vida, acabei me perdendo na rua. 

Foram voltas e mais voltas num território estranho, sem nenhum super herói para me salvar. Eu quis ter você aqui, de verdade, pelo menos mais uma vez. Desejei que pudesse ouvir a sua voz, mesmo que fosse dando uma bronca, e me lembrei da falta que a tua risada extravagante faz. E eu quis chorar, porque o mundo sempre foi uma merda mas é uma merda ainda maior porque você não está aqui.

Aí comecei a pensar em tantos outros churrascos, eventos e celebrações. Percebi que apesar das comemorações terem sempre os mesmos assuntos e pessoas agora parece que está faltando algo, contamos com a presença constante do elefante branco na sala. O que começou como uma dorzinha de leve se transformou em algo insuportável, porque a saudade tá sempre aqui, eu que não a alimento com medo de não suportar.

Tudo isso porque mais do que sentir falta do seu socorro, eu senti falta de você tirando sarro da minha cara por eu ser tão burra.

The end

"Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, melhor assim, adoro não ser responsável por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim."
Eu reclamei sobre os poucos dias que era obrigada a ir. Xinguei quando as coisas não saíram como planejado. Surtei com as pessoas que insistiam em não cooperar. Mais de uma vez pensei em desistir de tudo, ora por covardia ora por necessidade. Cogitei a possibilidade de matar um ou explodir o lugar, sem sentir nenhum remorso. 


Porém, fazem poucos dias que a faculdade acabou e eu já estou sentindo falta. É uma saudadezinha filha da puta que mistura nomes, rostos e momentos. É um sentir falta de tudo e nada em especial. É a nostalgia que chegou antes da hora e já deixou bem claro que veio para ficar.

A maioria dos fins faz com que o que terminou assuma automaticamente o status de algo que valeu a pena. É o medo do incerto que faz até as piores coisas parecerem não tão ruins assim. De repente, as pessoas não eram tão chatas, as aulas não eram tão insuportáveis, a vida não era tão vazia e até que fazia algum sentido.

Foi na faculdade, ou por causa dela, que eu conheci criaturas incríveis que espero ter ao meu lado pelo resto dos meus dias. Foi na faculdade que eu perdi criaturas incríveis que sempre estiveram ao meu lado.

E acabou.
Não sei o que espera de 2012 ou de mim.
Com o fim dessa etapa o relógio começa a trapacear. O tempo passa cada vez mais rápido e o trem da vida acelera rumo a vida adulta. Não tem mais como fugir. Num piscar de olhos trabalhos e notas perdem a importância, cedendo o lugar para questões muito maiores. Chegou a hora de procurar um emprego de verdade, de dar a tapa a cara, de parar de brincar de ser gente grande. Depois disso a gente começa a sofrer pela hora de sair de casa que logo chega e a falta de alguém com quem dividir a vida. E bate um medo danado de ser aquela velhinha excêntrica que não faz falta para ninguém e que por isso mesmo as pessoas só descobrem que ela morreu porque começou a feder. 

Assim, do nada, eu fico sem ar e começo a me preocupar com quem eu vou ser num futuro bem distante. Eu pulo etapas, ignorando o fato de que não sei os acontecimentos que me levarão tão longe no tempo. Eu tenho medo. Eu quero colo e preciso que alguém me diga que não serei um fracasso ou que a minha unica companhia não será a solidão.