Ato falho

Já faz mais de um ano e eu nunca cometi esse erro. O de colocar no presente alguém que, infelizmente, já foi enterrado no passado. Em poucos segundos a máscara caiu e descobri que um detalhe tão bobo pode causar muito sofrimento, a multiplicação desnecessária daquilo que já é imensurável por natureza.

Não foi por mal que eu disse que você não costuma falar sobre o modo que me visto, mas foi de propósito que eu sorri tristemente e pisquei bastante até as lágrimas voltarem ao seu lugar de origem quando reparei no que falei. Uma manhã de comemoração não combina com nada disso.

Você não fala, dirige, anda ou assiste apresentação de Trabalho de Conclusão de Curso. Mas você costumava fazer tudo isso, tirando a parte do TCC que era apenas uma preocupação distante naquela época. E cometer esse erro honesto me fez pensar naquilo que eu sempre falho em esquecer: tudo que vamos deixar de fazer. Essa falsa viagem no tempo me fez perceber que conjugar um verbo de maneira errada pode ser bastante doloroso.

E me lembrou de outra coisa: Faltou o seu parabéns, e não foi o único.

Tente outra vez

Parem o mundo que eu quero descer! Está decidido, não quero, não posso e não consigo brincar mais disso. Desisto de ser adulta, de levar a vida a sério e só levar rasteiras dela. Cansei. Larguei de mão. Joguei a toalha. Não aguento mais essa eterna briga com a ansiedade que sempre trapaceia com a ajuda do medo e me passa a perna com uma mãozinha do acaso. Não suporto as incertezas que nascem com esse maldito inicio do fim.

Eram quatro anos, agora são apenas duas semanas e não enxergo nenhum consolo nisso. Já sinto falta da ilusão de segurança que a faculdade costumava oferecer. Faz tanto tempo que sou lagarta que, às vezes, tenho a impressão de que nenhum asa colorida vai me manter no ar. Não quero ir de encontro ao chão mais uma vez. Ainda mais quando a queda é tão dolorida e não passa de mais um lembrete da falta que algumas mãos firmes me fazem. 

E tudo isso combinado e analisado faz com que o meu cérebro chegue a uma unica resposta: not good enough.