Coisas que guardamos

domingo, 14 de agosto de 2011 23:32 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Todo ser humano nasce com a capacidade de enxergar apenas o que deseja e ignorar as verdades mais óbvias, aquelas que machucam.
Já me acostumei com a presença das ausências na minha vida, assim como a obrigação de conviver com as consequências de cada partida. Essa falta começa a ser sentida no momento que abro os olhos e segue ao lado até a hora de dormir. Eu nunca estou só.
Hoje despertei com vontade de ignorar o calendário, os comerciais, o sentimentalismo barato da televisão. Há mais de um ano todo dia é dia dele, mas isso não é motivo para comemorar.
Por ironia do destino li um trecho do livro A sombra do vento na internet. Essa foi a gota d'água
. Ironicamente, esse sempre foi um dos meus livros favoritos, mas faz mais de um ano que ele ganhou um novo significado. Ele chegou com a chuva no dia que meu pai se foi. Desde então, quando olho para ele penso naquele dia, tudo que aconteceu, mudou e ficou. Sempre penso nisso com um sorriso triste, o mesmo que me persegue feito uma sombra.



Eu espero que você ainda possa me ouvir. Penso em você todos os dias, porém não consigo decidir qual é o sentimento mais forte, o amor que sinto por você ou o quanto sinto a sua falta. Feliz dia dos pais.

Então me deixa

Eu não caibo em mim. Algo aconteceu enquanto eu não prestava atenção, parece que a alma encolheu e agora está sobrando espaço nesse corpo. O vazio toma conta de tudo, desde o pensamento até o peito. O olhar vago entrega a falta de rumo. As velhas músicas já não me servem mais. Enjoei do mundo e de mim. Cansei de viver nesse eterno looping, fazendo sempre as mesmas merdas e fingindo não reparar. Cometendo os mesmo erros e apagando as páginas escritas para reescrever a mesma história, esquecendo de mudar a trama, os personagens, as escolhas, os medos, o fim. 

Não suporto a ideia de continuar sendo a pessoa deixada para trás, a pessoa que corre atrás, a pessoa que se perdeu em algum lugar do passado de várias outras pessoas. Sem perceber me coloco no papel de vítima, aquela que se esforça, faz tudo certo e só se fode. Tadinha. Chegou a hora de permitir que a maré me leve, para qualquer lugar. 

O que incomoda é o silêncio. A ansiedade. A mágoa. São planos e sonhos que morrem antes de ganhar forma. É essa tal de vitória que não chega.