Reflexões de John Green

- Livros são como pessoas que levaram um pé na bunda: você deixa eles de lado e eles esperam por você; você dá um pouco de atenção e eles te amam de volta.

- Você pode amar muito uma pessoa, mas esse sentimento nem se compara ao tamanho da saudade que você sentirá dela.

- As pessoas não se lembram das coisas que aconteceram. Aquilo que você se lembra se transforma no que aconteceu.

- Chorar é adição. É uma pessoa mais as lágrimas. No meu caso é o inverso: chorar sou eu menos algo.



As palavras dele me preenchem de maneira quase absurda. Elas se encaixam em vazios antigos, quase sem forma, como se pertencessem ali. As palavras dele são tão minhas quanto os sentimentos que elas espalham pelo mundo, me deixando exposta e me mostrando como um espelho.

"No story lives unless someone wants to listen"

Olá

Se hoje a minha vida é feita de palavras, as suas foram as primeiras a prender a minha atenção. Foi você que despertou em mim essa paixão e isso foi há tanto tempo que 
eu não tenho lembranças da minha vida antes de você. 
Foi amor a primeira vista. Nós eramos tão jovens e inocentes quando tudo começou. Não sabíamos quem eramos e desconhecíamos o nosso potencial. Do nada descobrimos um lugar onde seríamos aceitos, novos amigos e incontáveis aventuras.
Passamos horas e mais horas juntos. Desvendamos mistérios, enfrentamos perigos e enxergamos num espelho os nossos desejos mais sinceros. Esse foi o começo de tudo.
No ano seguinte muitos segredos vieram a tona, assim como a noção de que até as melhores intenções podem machucar. Desmascaramos um ídolo mentiroso e inocentamos alguém que já havia pagado por um crime não cometido. Libertamos um ser de coração puro de uma vida de eterno sofrimento. 
Logo depois o passado veio acertar as contas. Amizades foram refeitas e desfeitas, assim como algumas confusões do passado. A esperança voltou junto com o significado de família. Passamos a perna no tempo, enquanto dois condenados a morte mudavam seus destinos.
E então chegou a hora de conhecer outras culturas, de competir e de dançar. Enfrentamos demônios e perdemos um colega. A batalha não foi fácil. ELE voltou de vez.
Esse foi um ano complicado. A adolescência não nos fez bem, e todas aquelas mudanças para pior também não ajudaram. Formamos um armada e lutamos pelo que acreditávamos, mas nada disso importou quando vimos a esperança atravessar o véu. 
Logo veio mais um ano de tristeza e perda. Aprendemos sobre o passado daquele que te temia, e isso custou a vida de alguém que sempre esteve ao nosso lado oferecendo sabedoria. Naquela noite, a traição nos chocou. 
O fim chegou. Inevitável, indesejado e indispensável. Procuramos por pedaços de quem te odiava e quase perdemos aqueles que amávamos. Logo chegou a hora da batalha final, de encerrar o ciclo. Vencer perde toda a graça quando o custo são várias vidas. Aquelas eram pessoas que importavam e fizeram a diferença. ELE se foi. Você cresceu e foi feliz.
Admito, eu fiquei meio perdida quando os nossos caminhos se separaram. A caminhada foi longa e você sempre me fez companhia, me fazendo acreditar na magia da vida. Agora que chegou a hora de me despedir outra vez, eu me sinto esquisita.
Você foi um ótimo amigo e eu ainda sei onde te encontra quando perder a fé ou me esquecer de como é ser criança. 
Obrigada por tudo, Harry, Rony, Mione, Luna, Neville, Minerva, Sirius, Lupin, Alvo, Tonks, Dobby, Hagrid, Fred, Jorge, Molly, Arthur, Olho Tonto, Edwiges e Snape.

Atenciosamente,
a garota que continua esperando pela carta de convocação.

(Se você não entendeu nada, relaxa, isso apenas significa que você é um trouxa)

Gravando 1, 2, 3

Nós, seres humanos inocentes, contratamos serviços como a tv por assinatura na esperança de fugir da monotonia da tv aberta. Mesmo assim, acontecem momentos de desespero, quando nenhum canal oferece uma novidade, e o jeito é se conformar com algo conhecido, tipo Friends.
Quem gosta de Friends assiste 50 mil vezes os mesmos episódios e tem a capacidade de rir das piadas velhas. Sem julgamento, eu sou assim. Outro dia estava passando o aniversário de um ano da Emma, filha da Rachel com Ross. Os pais estavam gravando declarações dos amigos e familiares para ela assistir quando completasse 18 anos e foi no meio da alegria que os avós da criança começaram a falar que, muito provavelmente, eles já estariam mortos quando ela assistisse a fita. Bastou essa cena para que eu ficasse com caraminholas na cabeça.
Eu ando meio obcecada por fotografar e filmar as coisas. Faço isso pensando no Lex, pois muitas memórias já foram roubadas dele. Vendo tv eu tive a ideia de escrever um texto, mas o problema é que mesmo as palavras mais bonitas não oferecem consolo quando a gente precisar rever um sorriso ou ouvir uma voz que tanto faz falta. Aí resolvi gravar um video, porém ando sem tempo... Mas se eu fosse realmente eternizar algo, falaria mais ou menos assim:

Oi Leco, tudo bom?
Você deve estar se perguntando porque a doida da sua irmã gravou um video, quando ela pode muito bem falar tudo cara a cara com você... Bem, eu não confio na sua memória, nem na minha, e me culpo por não ter mais fotos com as pessoas que eu amo. Pessoas que você nem chegou a conhecer direito. Por isso eu gravei isso aqui, para você guardar com cuidado e assistir quando a saudade ameaçar te afogar.
Quando eu tinha 20 anos, sofria crises de nostalgia crônica que me impediam de enxergar o futuro e me obrigavam a tentar descobrir como eu cheguei até ali. Aquelas questões filosóficas sobre quem eu era e onde estava indo. Pode parecer idiota, mas eu pensei sobre o meu nome. Eu nasci Arielle, aos quatro anos virei Tata e mais tarde a Tatinha da Vovó e a Tatielle ou Chatielle do Papai. Na adolescência a humildade abandonou o meu corpo e me transformei na super_arielle pelos ídolos que eu queria conhecer, e conheci. Agora eu sou a Elle para as meninas da faculdade e a Ariella da Náutica no serviço. 
Você é o Allex, Lex e Leleco. Quase foi Allan. Eu me lembro quando o Pai me acordou logo cedo para perguntar qual dos dois nomes e eu respondi que você era Allex porque dããã o meu filho seria o Allan. 
Ah, o pai, falar nele me obriga a contar os milagres que você operou antes mesmo de ter um nome. Quando a gente descobriu que você estava a caminho, a vó já tinha jogado a toalha e dado o título para o câncer. Bastou saber da sua existência para ela mudar de ideia, ou seja, você conseguiu o que todo mundo tentou. Você era o argumento que faltava para ela entender que viver ainda valia a pena. Ela te amou, quis te conhecer e ficar por perto, mas a vida nem sempre sai como planejado e você sabe como essa história termina. Se ela estivesse por aqui, ia te sufocar com tanto carinho, te mimar com muitos presentes e te deixar gordinho com a comida deliciosa dela. Ela era baixinha, teimosa e vaidosa, nem sempre era boa, mas tinha um coração enorme.
Foi você que impediu que nossos sorrisos morressem com a partida da Vódice. O crédito é todo seu. Foi a ansiedade para te conhecer que deixou o pai com um sorriso besta colado no rosto por tempo indeterminado. Quando você tava na barriga, ele não conseguia ficar ao lado da mãe sem ficar alisando aquele barrigão. Você foi o mundo dele e quando ele abandonou esse mundo de maneira inesperada, eu chorei por você e todas as lembranças que lhe foram tiradas. Me senti culpada pela falta de registros, todas as fotos que poderiam substituir as memórias e diminuir a dor....

E essa seria a hora que eu não conseguiria gravar mais nada, pois toda a saudade que eu levo no peito começaria a vazar pelos olhos e escorrer pelo meu rosto.

A verdade é que nenhuma dessas palavras prova algo e só posso oferecer ao Leleco a certeza de que o amo muito.