Serena

domingo, 19 de junho de 2011 19:40 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Eu mudei.
As canções que me levavam nas tão desejadas viagens no tempo, agora, me irritam. Como se o passado não me aturasse mais. 
Quero músicas novas, novas lembranças. Vozes estranhas cantando a minha vida de uma maneira que nem eu consigo explicar.

Eu cansei.
Não gosto mais desse baile de máscaras que é a vida. Não quero brincar disso. Tô chateada, não falo. De saco cheio, não sorrio. Me permito abraçar a solidão e fazer dela a minha companheira.
O sistema é falho, assim como tudo que faço, e sempre chega aquele momento que afasto tudo e todos, só para depois reclamar que me sinto só.

Eu tumbleio. Eu leio. Eu assisto.  
Me perco longe da realidade e lá encontro a paz que o mundo real se recusa a me dar.
O tempo passa, não me cura, e eu não esqueço. 
Deixa estar. A vida continua. O show não pode parar.

Como diria o Camelo: deixa o amanhã e a gente sorri, que o coração já quer descansar

Oi. Pode me chamar de sofrendo por antecipação

Eu odeio fazer aniversário. Nada me tira da cabeça que ao invés de um ano a mais, na verdade a gente fica com um ano a menos de vida. Pode parecer mórbido, mas acredito que isso signifique um ano mais próximo da morte. 

Eu sei, falta menos de um mês, mas ainda tá longe. O problema é que todo ano é a mesma coisa. Um ano mais velha e nenhum grande feito, nenhuma grande marca. Um ano a mais de existência e nenhuma pegada no planeta. Ou seja, estar ou não estar aqui não fez a minima diferença, pelo menos não até agora. A pergunta que não quer calar: o que eu estou fazendo da minha vida?

Imaginar o futuro sempre me causa medo e saudade do passado. O ano que vem promete tantas incertezas. Quase vinte e um anos de vida e nenhuma, por menor que seja, certeza. Não sei se sou quem gostaria de ser, não sei se estou onde gostaria de estar, não sei nem o que eu quero de verdade. Envelhecer não me trouxe sabedoria, apenas um monte de dúvidas e poucas respostas.

Comemorar mais um ano, me obriga a pensar em todos os outros que passaram. Festas, fotos e pessoas. Pessoas. Pessoas. Pessoas. Saudade. Vazio. Vó. Pai. Nó, no peito e na garganta. Eu fico aqui procurando vantagem, tentando ignorar a saudade e virar a página.

Aniversário é um dia qualquer perdido no meio do calendário. A unica coisa que muda é que com o tempo a quantidade de presentes e ligações diminuem, assim como os motivos para celebrar.