Viva para sempre nas estrelas

Depois de um tempo a gente aprende que envelhecer é ganhar malícia e aprender a trapacear. Cada um escolhe o seu alvo, aquilo que mais incomoda ou qualquer coisa que seja difícil demais de aceitar. 

Como o tempo era algo grande demais para ser vencido por uma mera mortal como eu, escolhi a saudade. Essa maldita que tem o hábito de se acumular no meu peito ao ponto de quase me sufocar. 

O jeito que descobri para aliviá-la é bastante simples, basta misturá-la em pequenas doses às conversas rotineiras. O que significa que estou sempre falando sobre como eles eram, onde iam, o que faziam, falavam e gostavam de ouvir. Como bônus, não me permito esquecer o que sempre amei neles. Essa é a minha maneira de reviver e eternizar o meu amor. E às vezes, quase acredito que eles ainda estão por perto.

A unica experiência melhor do que essa é apontar alguns rostos em fotos na tela do computador e dizer "esse era o papai e essa era a Vó Valdice" na esperança de que o bebê mais lindo do universo aprenda a reconhecê-los. A recompensa vem mais tarde quando, num momento totalmente inesperado, ele diz "bódice e bábá" segurando uma fotografia antiga da família que ele roubou do quadro de fotos. Eu sei, ele ainda não tem ideia do que essas palavras significam, mas tenho certeza de que um dia a gente chega lá. 


De qualquer forma, o que importa é que nessas horas eu me sinto invencível, maior que o tempo e a saudade, e eles ainda estão aqui.

"There are so many moments to remember and sometimes I think that maybe we're not really people at all. Maybe moments are what we are. Moments of weakness, of strength. Moments of rescue, of everything..."

Ela costumava não se entregar sem lutar

A moça se deitou porque o sono pesava nos olhos, que cansados da briga queriam fechar. Deixou que vozes conhecidas lhe guiassem para os braços de Morfeu, mas os questionamentos a impediram de completar a viagem. Todas as dúvidas ganharam forma e cor quando foram projetadas nas pálpebras cansadas. Ela lembrou, pensou e tentou deixar para lá. Vão embora! - ela disse para os medos e fantasmas que resolveram assombrá-la. Desejou que pudesse fazer POOF.

Queria ter o poder de multiplicar, subtrair e somar algumas coisas na vida dela. Gostaria de sentir que está no lugar certo, que não está sobrando, que não está só. Quis ter força para continuar lutando por aquilo que nem fazia mais questão de ganhar. Se imaginou sendo "a pessoa" de alguém e não um terceiro braço que mais atrapalha do que ajuda. Mais um moça no meio de uma multidão repleta de moças e moços como ela. Finalmente, percebeu o quanto estava cansada de tudo, todos e, principalmente, de ser quem ela era.

Entendeu. Ninguém se importa com o fato dela viver em cidades de papel ou tentar pintar a vida em outras cores, desde que ela continue sorrindo. Mesmo que eles saibam que o sorriso é de plástico. 


A realidade sempre ganha e a moça já não espera outra coisa senão perder.

Keep that in mind

Os americanos gostam bastante da frase We are born alone and we die alone. Nada muito complicado. A ideia é bem simples e completa, apenas deixar de fora o meio, que invariavelmente, também vivemos sozinhos. Escrever isso seria uma tentativa de certificar que não existem mais dúvidas, somos seres solitários, mesmo que seja difícil lembrar disso quando somos criaturas de natureza tão sentimental, o que nos leva a nos apegarmos facilmente. Gente precisa de gente. Mas também somos espíritos livres e muitas vezes contraditórios. Logo, na maioria das vezes, pensamos o seguinte: quando estiver em dúvida, tire o seu da reta.

Ainda sei me virar

Trocar a lâmpada do farol da moto. Três alternativas e só uma expressa o real significado deste ato.

a) voltar a ter um guia para iluminar os caminhos que escolho seguir

b) evitar possíveis multas e transitar pelas ruas da Baixada em segurança

c) pensar que tudo seria diferente se aquele dia tivesse sido diferente. Se o meu pai ainda estivesse aqui, eu não teria que implorar para alguém fazer isso por mim. E depois de ser deixada na mão, não iria pesquisar o assunto na internet. Para só então, entender a dura realidade: eu não tenho ninguém e aqueles que me rodeiam não têm obrigação de me ajudar. Logo, o jeito é comprar a porra da lâmpada, arregaçar as mangas e mãos as obras. E quando o farol baixo magicamente passa a funcionar, depois de muita força e suor, o sentimento de dever cumprido. Seguido da especulação de que onde quer que ele esteja, ele está orgulhoso de mim.


As pessoas gostam de dizer que conviver é trocar experiências, levar um pouco dos outros e deixar um pouco da gente. Mas eu não posso falar pelas outras pessoas, apenas por mim, e eu sei que tem um monte de gente que pensa em mim quando ouve Jason Mraz e quando vê algo sobre livros. Há também quem se lembre de mim por causa de esmaltes, ou então quando o assunto é seriado. Talvez, um dia, eles esqueçam que em algum momento pensavam em mim por esses motivos, realmente não tem como adivinhar. 

Eu gosto de pensar que esse tipo de coisa é atemporal. As nossas memórias duram para sempre nas lembranças dos outros. Somos eternos enquanto alguém ainda pensar na gente. Esse é o segredo para enganar o tempo: se esconder na mente de pessoas amadas e ir mais longe do que a nossa carne pode nos levar.

Falar de moto me faz pensar no meu pai, que não desistiu de mim quando eu acreditava não ser capaz. Que deu uma olhada na moto toda vez que eu disse que ouvi um barulho estranho e tinha certeza de que ela ia explodir. Que achava graça por eu sempre voltar para casa sem a capa de chuva, e por consêquencia, totalmente molhada. São coisas bobas, eu sei, mas as minhas lágrimas sempre se confundem com outras gotas nos dias que o céu implica em me dar motivo para chorar. Eu deixo a água que cai do céu levar com ela um pouco da saudade que cada gota que cai de mim cisma em carregar.

Para. Respira. Abstrai.

00:30 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
"Às vezes, ela fica zangada com as pessoas erradas - ou seja, com aquelas que ainda estão aqui, e não com aqueles que se foram. Alguns dias, sei que, assim que bato os olhos nela, não vou conseguir uma palavra civilizada... Talvez a vida não tenha sido como ela tinha planejado, mas não é nossa culpa."


Cada um faz o melhor com o que tem e todos sabem que nem sempre isso é suficiente, mas é assim que a vida é. Suck it up!


"A tristeza é sedutora. Ver tudo com pessimismo, maldizendo o mundo, é a coisa mais confortável que já se inventou para manter a sua vida sempre uma merda sem ser culpa sua."




Cansada demais para procurar as minhas palavras, lutar as minhas batalhas e enfrentar os meus demônios. Deixa estar. 
I won't fight back.

Me deixa

Ela riu. Sem disfarçar a incredulidade ou o sarcasmo. Nem o descaramento o fazia entender o real significado daquele sorriso. Na verdade, ele nunca tentou. Era melhor fingir que sabia do que estava falando. O ápice da ignorância foi quando ele afirmou que ela era bem diferente daquilo que escrevia.

Se ela fosse se dar ao trabalho de explicar o porque do sorriso, acabaria confessando que achou graça de ouvir tal disparate. Como alguém poderia tentar definir quem era ela quando nem mesmo ela era capaz de fazer isso?

Caso alguém esteja interessado em saber, ela não é apenas a garota do blog ou apenas a moça do dia-a-dia. Ela é a soma de várias versões, de vários verões e primaveras. E ela gosta de pensar que é inclassificável. Um mistério que não deve ser desvendado.


A moça se lembrou que não é por maldade, e sim por hábito, que as pessoas tentam juntar aquilo que sabem para criar um panorama geral sobre os outros. Como se cada ser humano fosse um quebra cabeça esperando para ser montado e admirado. Como se colar fragmentos pudesse oferecer um vislumbre do todo, e principalmente, daquilo que nem sempre estão dispostos a deixar que os outros vejam.


No fim das contas, pensar tudo isso fez a garota lembrar do ídolo caído e da canção que um dia ela sonhou que pudesse ser sobre ela: See that girl as her own new world. Though her home is on the surface she is still a universe