Goodbye means nothing at all

Ainda espero as palavras chegarem e a negação partir. Acabou, como tudo que é bom, ruim ou indiferente. Esse era mais um fim inevitável e programado e inadiável e insuportável. Não pelo lugar, difícil mesmo é abrir mão das pessoas.

A vida não é uma narrativa escrita em linhas tortas, tá mais pra uma obra de arte abstrata repleta de traços feitos aleatoriamente. Todo mundo olha e dá palpite, mas nem o autor sabe ao certo o que quis dizer com a aquele monte de informação. Tem gente que diz que vê o copo meio cheio, outros enxergam ele meio vazio. Pra mim isso não faz diferença porque eu sempre avisto tempestade. 

Porém não nego que o Universo tenta manter um certo equilíbrio. Caras bonitos ficam com mulheres feias, quem tem sorte no amor tem azar no jogo e por aí vai. Sempre acreditei que quando Deus fecha uma porta, abre uma janela pra gente ter de onde se jogar. O que não desconfiava é que lá embaixo ia ter monte de gente disposta a se por entre mim e o chão, só pra diminuir a minha dor. 

Ou pelo menos foi assim que eu passei a me sentir com o meu primeiro emprego. Porque além do choque de ter o mundo virado de cabeça pra baixo com a partida inesperada do meu pai, naquele mês, eu recebi apoio incondicional de pessoas que me conheciam há poucos dias. De lá pra cá, eles fizeram parte do pior e de alguns dos melhores momentos da minha vida.

Foram dois anos dividindo alegrias, stress, boas novas, futilidades, sonhos, planos e amor. A gente recebeu muita gente de braços abertos e teve dificuldade para abrir os mesmos braços na hora de dizer adeus pra muita gente também. A convivência fez nascer uma família que foi além das seis horas de trabalho e, que daqui pra frente, vai além da convivência também. 

Em um mundo onde tudo se mede em números, eu aprendi que aquilo que é importante se mede na intensidade do abraço e no brilho molhado do olhar.

“Aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante - coisa ou pessoa - na sua vida, isso não se perde.”

Dá zero pra ela

Eu invento a tua presença e encontro nela o consolo que a realidade se recusa a me dar. Se lembra da última vez que eu te disse que não queria brincar mais disso? Pois é, ainda não mudei de ideia. Os pontos altos ainda me iludem por alguns segundos, mas viver num mundo inventado exige mais negação do que eu posso oferecer. Talvez seja por isso que eu sempre me lembro daquele episodio, do pé doendo de brincar de ser adulta e de pular no seu colo e de não imaginar que tudo poderia mudar para depois não mudar nunca mais. Eu já sabia a resposta naquela época.

A vida continua a mesma, repleta de alegrias e dores que resultam num equilíbrio meio torto e difícil de enxergar. 

Eu vesti o meu melhor sorriso, decidida a não deixar nada me atrapalhar. Fiz a lição de casa, do jeitinho que você me ensinou. Saí determinada e orgulhosa, me sentia uma aluna exemplar. Mas o destino é um cara gozador. De tanto reclamar que estava perdida na vida, acabei me perdendo na rua. 

Foram voltas e mais voltas num território estranho, sem nenhum super herói para me salvar. Eu quis ter você aqui, de verdade, pelo menos mais uma vez. Desejei que pudesse ouvir a sua voz, mesmo que fosse dando uma bronca, e me lembrei da falta que a tua risada extravagante faz. E eu quis chorar, porque o mundo sempre foi uma merda mas é uma merda ainda maior porque você não está aqui.

Aí comecei a pensar em tantos outros churrascos, eventos e celebrações. Percebi que apesar das comemorações terem sempre os mesmos assuntos e pessoas agora parece que está faltando algo, contamos com a presença constante do elefante branco na sala. O que começou como uma dorzinha de leve se transformou em algo insuportável, porque a saudade tá sempre aqui, eu que não a alimento com medo de não suportar.

Tudo isso porque mais do que sentir falta do seu socorro, eu senti falta de você tirando sarro da minha cara por eu ser tão burra.

The end

"Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, melhor assim, adoro não ser responsável por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim."
Eu reclamei sobre os poucos dias que era obrigada a ir. Xinguei quando as coisas não saíram como planejado. Surtei com as pessoas que insistiam em não cooperar. Mais de uma vez pensei em desistir de tudo, ora por covardia ora por necessidade. Cogitei a possibilidade de matar um ou explodir o lugar, sem sentir nenhum remorso. 


Porém, fazem poucos dias que a faculdade acabou e eu já estou sentindo falta. É uma saudadezinha filha da puta que mistura nomes, rostos e momentos. É um sentir falta de tudo e nada em especial. É a nostalgia que chegou antes da hora e já deixou bem claro que veio para ficar.

A maioria dos fins faz com que o que terminou assuma automaticamente o status de algo que valeu a pena. É o medo do incerto que faz até as piores coisas parecerem não tão ruins assim. De repente, as pessoas não eram tão chatas, as aulas não eram tão insuportáveis, a vida não era tão vazia e até que fazia algum sentido.

Foi na faculdade, ou por causa dela, que eu conheci criaturas incríveis que espero ter ao meu lado pelo resto dos meus dias. Foi na faculdade que eu perdi criaturas incríveis que sempre estiveram ao meu lado.

E acabou.
Não sei o que espera de 2012 ou de mim.
Com o fim dessa etapa o relógio começa a trapacear. O tempo passa cada vez mais rápido e o trem da vida acelera rumo a vida adulta. Não tem mais como fugir. Num piscar de olhos trabalhos e notas perdem a importância, cedendo o lugar para questões muito maiores. Chegou a hora de procurar um emprego de verdade, de dar a tapa a cara, de parar de brincar de ser gente grande. Depois disso a gente começa a sofrer pela hora de sair de casa que logo chega e a falta de alguém com quem dividir a vida. E bate um medo danado de ser aquela velhinha excêntrica que não faz falta para ninguém e que por isso mesmo as pessoas só descobrem que ela morreu porque começou a feder. 

Assim, do nada, eu fico sem ar e começo a me preocupar com quem eu vou ser num futuro bem distante. Eu pulo etapas, ignorando o fato de que não sei os acontecimentos que me levarão tão longe no tempo. Eu tenho medo. Eu quero colo e preciso que alguém me diga que não serei um fracasso ou que a minha unica companhia não será a solidão.  

Ato falho

Já faz mais de um ano e eu nunca cometi esse erro. O de colocar no presente alguém que, infelizmente, já foi enterrado no passado. Em poucos segundos a máscara caiu e descobri que um detalhe tão bobo pode causar muito sofrimento, a multiplicação desnecessária daquilo que já é imensurável por natureza.

Não foi por mal que eu disse que você não costuma falar sobre o modo que me visto, mas foi de propósito que eu sorri tristemente e pisquei bastante até as lágrimas voltarem ao seu lugar de origem quando reparei no que falei. Uma manhã de comemoração não combina com nada disso.

Você não fala, dirige, anda ou assiste apresentação de Trabalho de Conclusão de Curso. Mas você costumava fazer tudo isso, tirando a parte do TCC que era apenas uma preocupação distante naquela época. E cometer esse erro honesto me fez pensar naquilo que eu sempre falho em esquecer: tudo que vamos deixar de fazer. Essa falsa viagem no tempo me fez perceber que conjugar um verbo de maneira errada pode ser bastante doloroso.

E me lembrou de outra coisa: Faltou o seu parabéns, e não foi o único.

Tente outra vez

Parem o mundo que eu quero descer! Está decidido, não quero, não posso e não consigo brincar mais disso. Desisto de ser adulta, de levar a vida a sério e só levar rasteiras dela. Cansei. Larguei de mão. Joguei a toalha. Não aguento mais essa eterna briga com a ansiedade que sempre trapaceia com a ajuda do medo e me passa a perna com uma mãozinha do acaso. Não suporto as incertezas que nascem com esse maldito inicio do fim.

Eram quatro anos, agora são apenas duas semanas e não enxergo nenhum consolo nisso. Já sinto falta da ilusão de segurança que a faculdade costumava oferecer. Faz tanto tempo que sou lagarta que, às vezes, tenho a impressão de que nenhum asa colorida vai me manter no ar. Não quero ir de encontro ao chão mais uma vez. Ainda mais quando a queda é tão dolorida e não passa de mais um lembrete da falta que algumas mãos firmes me fazem. 

E tudo isso combinado e analisado faz com que o meu cérebro chegue a uma unica resposta: not good enough.

Meu bem, saudade é pra quem tem

domingo, 30 de outubro de 2011 13:48 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Eu sempre dou mil voltas antes de vomitar as palavras que quase me asfixiam. Hoje resolvi mudar meu modus operandi e ir direto ao que interessa, sem as típicas enrolações.

Feliz aniversário, pai. Parabéns pelos 45 anos que você nunca vai completar.

Desculpa se eu ainda te chamo quando as coisas ficam complicadas, se você é a primeira pessoa na qual eu penso quando preciso de um super herói. Eu sinto muito por invocar a sua presença toda hora, por não te deixar em paz, por não te deixar ir.

Faz o favor de me perdoar por ter parado no tempo, pela minha mania de ficar tirando o pó das memórias e lavando as lembranças com água salgada. Ignora esse meu hábito de sentir tanta saudade, de falar sempre de você, de te prender aqui.

Não é de propósito que te culpo pelo destino e sinto tanta raiva do mundo por não ter você ao me lado, como deveria ser. Eu te imploro para fazer aquilo que eu não consigo e deixar pra lá. Pensar em você desperta em mim os sentimentos mais exagerados, é sempre amor demais, saudade demais e espaço de menos para guardar tudo aqui dentro. Ás vezes não caibo em mim, tanto que nas noites que teu fantasma me assombra, tudo que sobra vai parar no travesseiro.

Parabéns por ter sido alguém admirável, honesto, autentico e de humor inabalável. 

Adoção

sábado, 15 de outubro de 2011 12:56 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Olha, ele é seu se você quiser. E quem disse que eu quero? Não sei, mas a etiqueta grudada nele tem o seu nome. Desde quando? Já faz alguns meses que ele está esperando o senho vir buscá-lo. O que acontece se eu não levar ele pra casa? Ele volta lá pro fundo da loja, e fica lá até alguém resolver adotá-lo. E se eu ficar com ele, vai dar trabalho? Ele não é dos mais fáceis, tem medo de gente e se esconde quando se sente ameaçado. Mas ele morde? Nunca, porém tem mania de se fingir de bravo e latir sem parar. Então ele é bravo? Não senhor, ele só quer que você acredite nisso, na verdade é carente e dócil. O que aconteceu pra ele estar engessado? Levaram ele pra casa e depois que olharam ele de perto, mudaram de ideia. O que isso tem a ver com o gesso? Deixaram ele cair e essa não foi a primeira vez que ele se partiu, senhor, os curativos não adiantavam mais. Tenho que decidir isso agora? Não obrigatoriamente, só não se esqueça que ele vai embora no final do ano. Vai pra onde? Isso nem a gente sabe, mas o tempo dele por aqui está chegando ao fim e que ele vai pra longe, vai...

Misturada

"Perguntar qual a minha relação com a escrita é perguntar também qual a minha relação com a leitura, com a escrita dos outros. A escrita, para mim, sempre foi uma utopia que, na prática, revelou-se quase sempre uma reação à escrita dos outros: escrevo comentando livros..."

Por isso não me darei ao trabalho de reagir a nada. Ando cansada demais, de tudo. Estou exausta. Deixarei que desconhecidos falem sobre a minha vida, por meio de palavras escritas antes mesmo do meu futuro virar presente.

De um lado a ausência.
"Nos últimos dois dias tenho sentido tanta saudade que é como se sentir saudade resumisse quem sou.
É como se não houvesse um esqueleto, músculos, sangue e nervos dentro de mim. Como se, ao olhar dentro de mim, alguém pudesse ver apenas as lembranças de você e todas as coisas que tentei dizer, todas as coisas que quero dizer, mas não posso, porque não tenho palavras pra isso."

Do outro o novo.
"Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é."“Mas quando estou com ele fico tão pequena, entrego-lhe o que ainda me resta, ele vai embora e eu fico aqui, me sentindo incompleta, me sentindo um nada, sobrevivendo apenas de migalhas da minha memória." 

Beat

Eu coleciono momentos, vividos e sonhados. Todos eternos enquanto eu puder me lembrar.

De um lado está um punhado de olhares, toques, risos e abraços. Quem se dá ao trabalho de procurar, descobre que isso não passa de uma armadura, por de baixo está o que realmente importa. São machucados que se recusam a parar de doer, e justamente por isso não me deixam esquecer dos sorrisos que vieram antes de tudo mudar. Essas lembranças fazem com que tudo dure, mesmo aquilo que já acabou. 

Do outro lado estão os diálogos ensaiados, as piadas que nunca serão ditas, tudo que poderia ter sido mas até agora não foi. De alguma forma, esse mundo sonhado me mantem nos eixos e dá esperança, como um livro que não tem nada demais porém é absurdamente viciante. 

A verdade é que depois de algumas rasteiras eu mudei de estratégia, espero menos e aceito o que vier. "Antes se surpreender, do que se decepcionar".  A vida nos endurece. Passamos a duvidar de quase tudo e a acreditar em quase nada. Um dia aprendemos por quem lutar ou quando desistir. A nova regra fica clara: quem está interessado procura.

Zíper

Odeio o extremismo forçado de quem muda de opinião de acordo com a maré. Quem muda de ideia para agradar o público, conquistar uma simpatia ilusória. Não confio em quem não confia no seu próprio instinto e por isso precisa seguir pensamentos alheios. 

Não precisa ser preto no branco, basta ser original.
Tá faltando o famoso "ou fode ou sai de cima", somado ao "foda-se o que os outros vão pensar", nas pessoas.

Então, vamos concordar em discordar. 
Eu finjo que acredito em você, estampo um sorriso no rosto e faço de conta que está tudo bem.

Veja só

Com o tempo a gente descobre que saudade é continuar esperando, mesmo sabendo que a pessoa não vai voltar. Sentir falta é não se incomodar com o desperdício de tempo com uma causa perdida. E amar é ter consciência de que esses sentimentos chegam sempre para ficar, são companheiros para vida toda. Por isso, até mesmo as pessoas mais solitárias nunca estão sós, elas caminham lado a lado com a lembrança daqueles que se foram. 

Coisas que guardamos

domingo, 14 de agosto de 2011 23:32 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Todo ser humano nasce com a capacidade de enxergar apenas o que deseja e ignorar as verdades mais óbvias, aquelas que machucam.
Já me acostumei com a presença das ausências na minha vida, assim como a obrigação de conviver com as consequências de cada partida. Essa falta começa a ser sentida no momento que abro os olhos e segue ao lado até a hora de dormir. Eu nunca estou só.
Hoje despertei com vontade de ignorar o calendário, os comerciais, o sentimentalismo barato da televisão. Há mais de um ano todo dia é dia dele, mas isso não é motivo para comemorar.
Por ironia do destino li um trecho do livro A sombra do vento na internet. Essa foi a gota d'água
. Ironicamente, esse sempre foi um dos meus livros favoritos, mas faz mais de um ano que ele ganhou um novo significado. Ele chegou com a chuva no dia que meu pai se foi. Desde então, quando olho para ele penso naquele dia, tudo que aconteceu, mudou e ficou. Sempre penso nisso com um sorriso triste, o mesmo que me persegue feito uma sombra.



Eu espero que você ainda possa me ouvir. Penso em você todos os dias, porém não consigo decidir qual é o sentimento mais forte, o amor que sinto por você ou o quanto sinto a sua falta. Feliz dia dos pais.

Então me deixa

Eu não caibo em mim. Algo aconteceu enquanto eu não prestava atenção, parece que a alma encolheu e agora está sobrando espaço nesse corpo. O vazio toma conta de tudo, desde o pensamento até o peito. O olhar vago entrega a falta de rumo. As velhas músicas já não me servem mais. Enjoei do mundo e de mim. Cansei de viver nesse eterno looping, fazendo sempre as mesmas merdas e fingindo não reparar. Cometendo os mesmo erros e apagando as páginas escritas para reescrever a mesma história, esquecendo de mudar a trama, os personagens, as escolhas, os medos, o fim. 

Não suporto a ideia de continuar sendo a pessoa deixada para trás, a pessoa que corre atrás, a pessoa que se perdeu em algum lugar do passado de várias outras pessoas. Sem perceber me coloco no papel de vítima, aquela que se esforça, faz tudo certo e só se fode. Tadinha. Chegou a hora de permitir que a maré me leve, para qualquer lugar. 

O que incomoda é o silêncio. A ansiedade. A mágoa. São planos e sonhos que morrem antes de ganhar forma. É essa tal de vitória que não chega.

Reflexões de John Green

- Livros são como pessoas que levaram um pé na bunda: você deixa eles de lado e eles esperam por você; você dá um pouco de atenção e eles te amam de volta.

- Você pode amar muito uma pessoa, mas esse sentimento nem se compara ao tamanho da saudade que você sentirá dela.

- As pessoas não se lembram das coisas que aconteceram. Aquilo que você se lembra se transforma no que aconteceu.

- Chorar é adição. É uma pessoa mais as lágrimas. No meu caso é o inverso: chorar sou eu menos algo.



As palavras dele me preenchem de maneira quase absurda. Elas se encaixam em vazios antigos, quase sem forma, como se pertencessem ali. As palavras dele são tão minhas quanto os sentimentos que elas espalham pelo mundo, me deixando exposta e me mostrando como um espelho.

"No story lives unless someone wants to listen"

Olá

Se hoje a minha vida é feita de palavras, as suas foram as primeiras a prender a minha atenção. Foi você que despertou em mim essa paixão e isso foi há tanto tempo que 
eu não tenho lembranças da minha vida antes de você. 
Foi amor a primeira vista. Nós eramos tão jovens e inocentes quando tudo começou. Não sabíamos quem eramos e desconhecíamos o nosso potencial. Do nada descobrimos um lugar onde seríamos aceitos, novos amigos e incontáveis aventuras.
Passamos horas e mais horas juntos. Desvendamos mistérios, enfrentamos perigos e enxergamos num espelho os nossos desejos mais sinceros. Esse foi o começo de tudo.
No ano seguinte muitos segredos vieram a tona, assim como a noção de que até as melhores intenções podem machucar. Desmascaramos um ídolo mentiroso e inocentamos alguém que já havia pagado por um crime não cometido. Libertamos um ser de coração puro de uma vida de eterno sofrimento. 
Logo depois o passado veio acertar as contas. Amizades foram refeitas e desfeitas, assim como algumas confusões do passado. A esperança voltou junto com o significado de família. Passamos a perna no tempo, enquanto dois condenados a morte mudavam seus destinos.
E então chegou a hora de conhecer outras culturas, de competir e de dançar. Enfrentamos demônios e perdemos um colega. A batalha não foi fácil. ELE voltou de vez.
Esse foi um ano complicado. A adolescência não nos fez bem, e todas aquelas mudanças para pior também não ajudaram. Formamos um armada e lutamos pelo que acreditávamos, mas nada disso importou quando vimos a esperança atravessar o véu. 
Logo veio mais um ano de tristeza e perda. Aprendemos sobre o passado daquele que te temia, e isso custou a vida de alguém que sempre esteve ao nosso lado oferecendo sabedoria. Naquela noite, a traição nos chocou. 
O fim chegou. Inevitável, indesejado e indispensável. Procuramos por pedaços de quem te odiava e quase perdemos aqueles que amávamos. Logo chegou a hora da batalha final, de encerrar o ciclo. Vencer perde toda a graça quando o custo são várias vidas. Aquelas eram pessoas que importavam e fizeram a diferença. ELE se foi. Você cresceu e foi feliz.
Admito, eu fiquei meio perdida quando os nossos caminhos se separaram. A caminhada foi longa e você sempre me fez companhia, me fazendo acreditar na magia da vida. Agora que chegou a hora de me despedir outra vez, eu me sinto esquisita.
Você foi um ótimo amigo e eu ainda sei onde te encontra quando perder a fé ou me esquecer de como é ser criança. 
Obrigada por tudo, Harry, Rony, Mione, Luna, Neville, Minerva, Sirius, Lupin, Alvo, Tonks, Dobby, Hagrid, Fred, Jorge, Molly, Arthur, Olho Tonto, Edwiges e Snape.

Atenciosamente,
a garota que continua esperando pela carta de convocação.

(Se você não entendeu nada, relaxa, isso apenas significa que você é um trouxa)

Gravando 1, 2, 3

Nós, seres humanos inocentes, contratamos serviços como a tv por assinatura na esperança de fugir da monotonia da tv aberta. Mesmo assim, acontecem momentos de desespero, quando nenhum canal oferece uma novidade, e o jeito é se conformar com algo conhecido, tipo Friends.
Quem gosta de Friends assiste 50 mil vezes os mesmos episódios e tem a capacidade de rir das piadas velhas. Sem julgamento, eu sou assim. Outro dia estava passando o aniversário de um ano da Emma, filha da Rachel com Ross. Os pais estavam gravando declarações dos amigos e familiares para ela assistir quando completasse 18 anos e foi no meio da alegria que os avós da criança começaram a falar que, muito provavelmente, eles já estariam mortos quando ela assistisse a fita. Bastou essa cena para que eu ficasse com caraminholas na cabeça.
Eu ando meio obcecada por fotografar e filmar as coisas. Faço isso pensando no Lex, pois muitas memórias já foram roubadas dele. Vendo tv eu tive a ideia de escrever um texto, mas o problema é que mesmo as palavras mais bonitas não oferecem consolo quando a gente precisar rever um sorriso ou ouvir uma voz que tanto faz falta. Aí resolvi gravar um video, porém ando sem tempo... Mas se eu fosse realmente eternizar algo, falaria mais ou menos assim:

Oi Leco, tudo bom?
Você deve estar se perguntando porque a doida da sua irmã gravou um video, quando ela pode muito bem falar tudo cara a cara com você... Bem, eu não confio na sua memória, nem na minha, e me culpo por não ter mais fotos com as pessoas que eu amo. Pessoas que você nem chegou a conhecer direito. Por isso eu gravei isso aqui, para você guardar com cuidado e assistir quando a saudade ameaçar te afogar.
Quando eu tinha 20 anos, sofria crises de nostalgia crônica que me impediam de enxergar o futuro e me obrigavam a tentar descobrir como eu cheguei até ali. Aquelas questões filosóficas sobre quem eu era e onde estava indo. Pode parecer idiota, mas eu pensei sobre o meu nome. Eu nasci Arielle, aos quatro anos virei Tata e mais tarde a Tatinha da Vovó e a Tatielle ou Chatielle do Papai. Na adolescência a humildade abandonou o meu corpo e me transformei na super_arielle pelos ídolos que eu queria conhecer, e conheci. Agora eu sou a Elle para as meninas da faculdade e a Ariella da Náutica no serviço. 
Você é o Allex, Lex e Leleco. Quase foi Allan. Eu me lembro quando o Pai me acordou logo cedo para perguntar qual dos dois nomes e eu respondi que você era Allex porque dããã o meu filho seria o Allan. 
Ah, o pai, falar nele me obriga a contar os milagres que você operou antes mesmo de ter um nome. Quando a gente descobriu que você estava a caminho, a vó já tinha jogado a toalha e dado o título para o câncer. Bastou saber da sua existência para ela mudar de ideia, ou seja, você conseguiu o que todo mundo tentou. Você era o argumento que faltava para ela entender que viver ainda valia a pena. Ela te amou, quis te conhecer e ficar por perto, mas a vida nem sempre sai como planejado e você sabe como essa história termina. Se ela estivesse por aqui, ia te sufocar com tanto carinho, te mimar com muitos presentes e te deixar gordinho com a comida deliciosa dela. Ela era baixinha, teimosa e vaidosa, nem sempre era boa, mas tinha um coração enorme.
Foi você que impediu que nossos sorrisos morressem com a partida da Vódice. O crédito é todo seu. Foi a ansiedade para te conhecer que deixou o pai com um sorriso besta colado no rosto por tempo indeterminado. Quando você tava na barriga, ele não conseguia ficar ao lado da mãe sem ficar alisando aquele barrigão. Você foi o mundo dele e quando ele abandonou esse mundo de maneira inesperada, eu chorei por você e todas as lembranças que lhe foram tiradas. Me senti culpada pela falta de registros, todas as fotos que poderiam substituir as memórias e diminuir a dor....

E essa seria a hora que eu não conseguiria gravar mais nada, pois toda a saudade que eu levo no peito começaria a vazar pelos olhos e escorrer pelo meu rosto.

A verdade é que nenhuma dessas palavras prova algo e só posso oferecer ao Leleco a certeza de que o amo muito.


Serena

domingo, 19 de junho de 2011 19:40 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Eu mudei.
As canções que me levavam nas tão desejadas viagens no tempo, agora, me irritam. Como se o passado não me aturasse mais. 
Quero músicas novas, novas lembranças. Vozes estranhas cantando a minha vida de uma maneira que nem eu consigo explicar.

Eu cansei.
Não gosto mais desse baile de máscaras que é a vida. Não quero brincar disso. Tô chateada, não falo. De saco cheio, não sorrio. Me permito abraçar a solidão e fazer dela a minha companheira.
O sistema é falho, assim como tudo que faço, e sempre chega aquele momento que afasto tudo e todos, só para depois reclamar que me sinto só.

Eu tumbleio. Eu leio. Eu assisto.  
Me perco longe da realidade e lá encontro a paz que o mundo real se recusa a me dar.
O tempo passa, não me cura, e eu não esqueço. 
Deixa estar. A vida continua. O show não pode parar.

Como diria o Camelo: deixa o amanhã e a gente sorri, que o coração já quer descansar

Oi. Pode me chamar de sofrendo por antecipação

Eu odeio fazer aniversário. Nada me tira da cabeça que ao invés de um ano a mais, na verdade a gente fica com um ano a menos de vida. Pode parecer mórbido, mas acredito que isso signifique um ano mais próximo da morte. 

Eu sei, falta menos de um mês, mas ainda tá longe. O problema é que todo ano é a mesma coisa. Um ano mais velha e nenhum grande feito, nenhuma grande marca. Um ano a mais de existência e nenhuma pegada no planeta. Ou seja, estar ou não estar aqui não fez a minima diferença, pelo menos não até agora. A pergunta que não quer calar: o que eu estou fazendo da minha vida?

Imaginar o futuro sempre me causa medo e saudade do passado. O ano que vem promete tantas incertezas. Quase vinte e um anos de vida e nenhuma, por menor que seja, certeza. Não sei se sou quem gostaria de ser, não sei se estou onde gostaria de estar, não sei nem o que eu quero de verdade. Envelhecer não me trouxe sabedoria, apenas um monte de dúvidas e poucas respostas.

Comemorar mais um ano, me obriga a pensar em todos os outros que passaram. Festas, fotos e pessoas. Pessoas. Pessoas. Pessoas. Saudade. Vazio. Vó. Pai. Nó, no peito e na garganta. Eu fico aqui procurando vantagem, tentando ignorar a saudade e virar a página.

Aniversário é um dia qualquer perdido no meio do calendário. A unica coisa que muda é que com o tempo a quantidade de presentes e ligações diminuem, assim como os motivos para celebrar. 

Assombrações

Quando a gente é criança, acredita que fantasma é coisa de filme de terror. Uma criatura que morreu e não encontrou paz do outro lado. Com o tempo a gente aprende que fantasmas são pessoas de carne e osso que não sabem mais viver.  São indivíduos consumidos pelas memórias de um passado bom que não têm ideia de como aceitar o presente ou imaginar um futuro. 

Minha casa é cheia de fantasmas.

Da caminhada

Desaprendi a escrever, da mesma for que desaprendi a sentir.

Não importa o quanto será difícil a caminhada, meus pés já estão dormentes. E ainda que eles não respondam mais ao meu comando, deixo que eles me guiem. Não reclamo dos espinhos que me arranham, das pedras que me derrubam e dos desvios que só aumentam a caminhada.

Continuo andando. Não paro.

É aquela velha história, pensar me faz perder o sono e dormir é o que me impede de perder a cabeça.

Regrets and mistakes, they're memories made

sábado, 7 de maio de 2011 22:31 Postado por Arielle Gonzalez 3 comentários
Ficar sozinha não me incomoda. Sou carente, fato. Uma verdadeira abraçadora agressiva. Porém, posso garantir que, na maioria dos dias, abraços me bastam. Só preciso de amigos, livros, músicas e mais algumas coisas que me consomem e completam.

Também não sou do tipo que fica feliz com a desgraça alheia. Saber que outras pessoas vão pior do que eu em qualquer sentido da vida, não muda o modo como me sinto sobre a minha vida.

Seria hipocrisia dizer que eu não espero por alguém. Um cara, que apesar do que os outros acreditam, eu tenho certeza de que não será um ator australiano, um músico da Califórnia ou um caçador de demônios. Da mesma forma que seria mentira se eu dissesse que nunca cheguei a conclusão de que existem muitos gatos no meu futuro. Gatos do tipo felino. Não que essas preocupações ocupem o topo da minha lista de prioridade.

Não me importo em ficar sozinha, mas não suporto me sentir só. Odeio que as pessoas comentem a minha falta de plus one como se fosse alguma mutação ou maldição. Odeio me sentir como se não valesse a pena por causa disso. Odeio que a minha solidão seja tão engraçada. Odeio o quanto essa situação e esse texto é ridícula.

...

domingo, 1 de maio de 2011 01:41 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Não mudei, continuo amando as palavras.
Não estou estou feliz, ainda sinto dor.
Não me esqueci, apenas tento não lembrar.

Gasto meus sentimentos no tumblr. e acaba não sobrando muito para expor aqui.

De qualquer forma, continuo preenchendo o silêncio com música, o vazio com livros e o tempo com seriados. Aquilo que sobra é propriedade do sono.

temo o que agora se desfaz

Ela abandonou o único porto seguro porque os braços não aguentavam mais manter a ponte erguida. Já não valia a pena continuar em batalha. A armadura já não lhe servia mais. O peso do escudo a obrigava a cogitar se uma ferida doeria menos. 

A dona moça amava tudo isso. A segurança do castelo, a proteção da armadura. Precisava desse universo feito de palavras. Mas manter esse mundo em pé exigia pelo menos o mínimo de reflexão. O tempo passa. As obrigações se acumulam. Pensar sobre a vida dói. A dormência é melhor. Deixa ela arrumar desculpas... Deixa estar...

alegria compartilhada

sábado, 26 de março de 2011 10:54 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Tudo começa da mesma forma que o anterior: vou ou não vou?
Vai ser igual, as mesmas pessoas no palco e na platéia. O famoso mais do mesmo.

Quem se importa?
Aqueles cara foram o centro do meu universo durante um bom tempo. Foi em nome deles que eu preguei, briguei, expliquei e ouvi graça. 

Antes, durante e depois, nada do nervosismo da adolescência. Acho que cresci. Os mesmos caras de sempre, a diferença era a cara cansada que deixava claro que eles mal podem esperar pelo novo álbum. Eram as mesmas músicas com novos erros nas letras e notas. No geral, esse foi um show mediano e o que mais me chamou atenção foi a iluminação.

Quando as luzes se acendem, chega a hora do reencontro. De sorrisos e abraços. É a hora de voltar no tempo. Ouvir sotaques, falar besteiras e mostrar tatuagens. Nada mais importa e tudo valeu a pena. É como voltar para casa.

Eu já não tenho 15 anos e eles estão perto dos 30. Isso não faz diferença, volto a ser super, mas eles não voltam a ser ídolos. São só pessoas. Nada de frio na barriga, frases atrapalhadas e sem gracice para mim. São os caras que eu gosto de encontrar, sentir por perto e ouvir promessas de um futuro melhor.

Amanhã, ou depois, a vida volta ao normal. Eles continuam sendo apenas mais uma banda que faz parte da minha lista de músicas mais ouvidas. Mas o que o ipod não diz, é que fizeram e fazem muito mais do que isso. Eles fazem parte das lembranças que guardo com carinho e que foram eternizadas em fotos ligeiramente zuadas. Eles são os meus cariocas favoritos.

Desculpas

domingo, 13 de março de 2011 23:12 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
"A gente pode até inventar desculpas para as coisas, mas acreditar nelas, não"

Gosto de fingir que tenho tudo sob controle. 

Fingir.
Essa é a palavra chave.

São pequenas desculpas e grandes mentiras que conto para o espelho na esperança de continuar tendo esperança sobre os mais variados assuntos relacionados a vida no geral. Nada muito específico. Um pouco de tudo com uma pitada de um pouco de todos.

A verdade já não importa mais. 

time´s not on your side

Eu li em algum lugar que as nossas citações favoritas dizem mais sobre quem somos do que a respeito da história ou da pessoa que disse a frase originalmente. Ultimamente, tenho vontade de usar apenas as palavras dos outros. Não confio nas minhas. Tenho perdido muitas batalhas para o espelho, depois de estranhar a criatura do outro lado. Meus pensamentos me assustam. Eu jogo a toalha. Me escondo. Dos outros e de mim. Me incomodo com a rotina que tira a autenticidade das coisas e me questiono se alguém realmente se importa com a resposta para a pergunta mais automática de todas: como vai você?

Afasto todo mundo e me sinto sozinha. No fundo, eu sei que faço isso apenas para ver se alguém acha que vale a pena lutar e/ou continuar por perto.

Aos poucos perco a cor, a forma, a voz. Procuro esconderijos cada vez mais distantes e não me importo se não sei o caminho de volta. Não tenho porque voltar. Não tenho para quem voltar.

Um livro me perguntou: como você pode ser uma pessoa tão divertida e ainda assim tão infeliz?

Não sei.

"When life has been unkind
And you´re losing your mind
Look in the mirror afraid of what you'll find
It feels like time´s not on your side"

Viva para sempre nas estrelas

Depois de um tempo a gente aprende que envelhecer é ganhar malícia e aprender a trapacear. Cada um escolhe o seu alvo, aquilo que mais incomoda ou qualquer coisa que seja difícil demais de aceitar. 

Como o tempo era algo grande demais para ser vencido por uma mera mortal como eu, escolhi a saudade. Essa maldita que tem o hábito de se acumular no meu peito ao ponto de quase me sufocar. 

O jeito que descobri para aliviá-la é bastante simples, basta misturá-la em pequenas doses às conversas rotineiras. O que significa que estou sempre falando sobre como eles eram, onde iam, o que faziam, falavam e gostavam de ouvir. Como bônus, não me permito esquecer o que sempre amei neles. Essa é a minha maneira de reviver e eternizar o meu amor. E às vezes, quase acredito que eles ainda estão por perto.

A unica experiência melhor do que essa é apontar alguns rostos em fotos na tela do computador e dizer "esse era o papai e essa era a Vó Valdice" na esperança de que o bebê mais lindo do universo aprenda a reconhecê-los. A recompensa vem mais tarde quando, num momento totalmente inesperado, ele diz "bódice e bábá" segurando uma fotografia antiga da família que ele roubou do quadro de fotos. Eu sei, ele ainda não tem ideia do que essas palavras significam, mas tenho certeza de que um dia a gente chega lá. 


De qualquer forma, o que importa é que nessas horas eu me sinto invencível, maior que o tempo e a saudade, e eles ainda estão aqui.

"There are so many moments to remember and sometimes I think that maybe we're not really people at all. Maybe moments are what we are. Moments of weakness, of strength. Moments of rescue, of everything..."

Ela costumava não se entregar sem lutar

A moça se deitou porque o sono pesava nos olhos, que cansados da briga queriam fechar. Deixou que vozes conhecidas lhe guiassem para os braços de Morfeu, mas os questionamentos a impediram de completar a viagem. Todas as dúvidas ganharam forma e cor quando foram projetadas nas pálpebras cansadas. Ela lembrou, pensou e tentou deixar para lá. Vão embora! - ela disse para os medos e fantasmas que resolveram assombrá-la. Desejou que pudesse fazer POOF.

Queria ter o poder de multiplicar, subtrair e somar algumas coisas na vida dela. Gostaria de sentir que está no lugar certo, que não está sobrando, que não está só. Quis ter força para continuar lutando por aquilo que nem fazia mais questão de ganhar. Se imaginou sendo "a pessoa" de alguém e não um terceiro braço que mais atrapalha do que ajuda. Mais um moça no meio de uma multidão repleta de moças e moços como ela. Finalmente, percebeu o quanto estava cansada de tudo, todos e, principalmente, de ser quem ela era.

Entendeu. Ninguém se importa com o fato dela viver em cidades de papel ou tentar pintar a vida em outras cores, desde que ela continue sorrindo. Mesmo que eles saibam que o sorriso é de plástico. 


A realidade sempre ganha e a moça já não espera outra coisa senão perder.

Keep that in mind

Os americanos gostam bastante da frase We are born alone and we die alone. Nada muito complicado. A ideia é bem simples e completa, apenas deixar de fora o meio, que invariavelmente, também vivemos sozinhos. Escrever isso seria uma tentativa de certificar que não existem mais dúvidas, somos seres solitários, mesmo que seja difícil lembrar disso quando somos criaturas de natureza tão sentimental, o que nos leva a nos apegarmos facilmente. Gente precisa de gente. Mas também somos espíritos livres e muitas vezes contraditórios. Logo, na maioria das vezes, pensamos o seguinte: quando estiver em dúvida, tire o seu da reta.

Ainda sei me virar

Trocar a lâmpada do farol da moto. Três alternativas e só uma expressa o real significado deste ato.

a) voltar a ter um guia para iluminar os caminhos que escolho seguir

b) evitar possíveis multas e transitar pelas ruas da Baixada em segurança

c) pensar que tudo seria diferente se aquele dia tivesse sido diferente. Se o meu pai ainda estivesse aqui, eu não teria que implorar para alguém fazer isso por mim. E depois de ser deixada na mão, não iria pesquisar o assunto na internet. Para só então, entender a dura realidade: eu não tenho ninguém e aqueles que me rodeiam não têm obrigação de me ajudar. Logo, o jeito é comprar a porra da lâmpada, arregaçar as mangas e mãos as obras. E quando o farol baixo magicamente passa a funcionar, depois de muita força e suor, o sentimento de dever cumprido. Seguido da especulação de que onde quer que ele esteja, ele está orgulhoso de mim.


As pessoas gostam de dizer que conviver é trocar experiências, levar um pouco dos outros e deixar um pouco da gente. Mas eu não posso falar pelas outras pessoas, apenas por mim, e eu sei que tem um monte de gente que pensa em mim quando ouve Jason Mraz e quando vê algo sobre livros. Há também quem se lembre de mim por causa de esmaltes, ou então quando o assunto é seriado. Talvez, um dia, eles esqueçam que em algum momento pensavam em mim por esses motivos, realmente não tem como adivinhar. 

Eu gosto de pensar que esse tipo de coisa é atemporal. As nossas memórias duram para sempre nas lembranças dos outros. Somos eternos enquanto alguém ainda pensar na gente. Esse é o segredo para enganar o tempo: se esconder na mente de pessoas amadas e ir mais longe do que a nossa carne pode nos levar.

Falar de moto me faz pensar no meu pai, que não desistiu de mim quando eu acreditava não ser capaz. Que deu uma olhada na moto toda vez que eu disse que ouvi um barulho estranho e tinha certeza de que ela ia explodir. Que achava graça por eu sempre voltar para casa sem a capa de chuva, e por consêquencia, totalmente molhada. São coisas bobas, eu sei, mas as minhas lágrimas sempre se confundem com outras gotas nos dias que o céu implica em me dar motivo para chorar. Eu deixo a água que cai do céu levar com ela um pouco da saudade que cada gota que cai de mim cisma em carregar.

Para. Respira. Abstrai.

00:30 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
"Às vezes, ela fica zangada com as pessoas erradas - ou seja, com aquelas que ainda estão aqui, e não com aqueles que se foram. Alguns dias, sei que, assim que bato os olhos nela, não vou conseguir uma palavra civilizada... Talvez a vida não tenha sido como ela tinha planejado, mas não é nossa culpa."


Cada um faz o melhor com o que tem e todos sabem que nem sempre isso é suficiente, mas é assim que a vida é. Suck it up!


"A tristeza é sedutora. Ver tudo com pessimismo, maldizendo o mundo, é a coisa mais confortável que já se inventou para manter a sua vida sempre uma merda sem ser culpa sua."




Cansada demais para procurar as minhas palavras, lutar as minhas batalhas e enfrentar os meus demônios. Deixa estar. 
I won't fight back.

Me deixa

Ela riu. Sem disfarçar a incredulidade ou o sarcasmo. Nem o descaramento o fazia entender o real significado daquele sorriso. Na verdade, ele nunca tentou. Era melhor fingir que sabia do que estava falando. O ápice da ignorância foi quando ele afirmou que ela era bem diferente daquilo que escrevia.

Se ela fosse se dar ao trabalho de explicar o porque do sorriso, acabaria confessando que achou graça de ouvir tal disparate. Como alguém poderia tentar definir quem era ela quando nem mesmo ela era capaz de fazer isso?

Caso alguém esteja interessado em saber, ela não é apenas a garota do blog ou apenas a moça do dia-a-dia. Ela é a soma de várias versões, de vários verões e primaveras. E ela gosta de pensar que é inclassificável. Um mistério que não deve ser desvendado.


A moça se lembrou que não é por maldade, e sim por hábito, que as pessoas tentam juntar aquilo que sabem para criar um panorama geral sobre os outros. Como se cada ser humano fosse um quebra cabeça esperando para ser montado e admirado. Como se colar fragmentos pudesse oferecer um vislumbre do todo, e principalmente, daquilo que nem sempre estão dispostos a deixar que os outros vejam.


No fim das contas, pensar tudo isso fez a garota lembrar do ídolo caído e da canção que um dia ela sonhou que pudesse ser sobre ela: See that girl as her own new world. Though her home is on the surface she is still a universe

Eu não vou mudar não

É preciso saber se deixar levar. Aprender a não questionar porque, com quem, onde e como. Por mais atraente que suponhamos que as respostas possam ser. O jeito é calar essas perguntas, por vezes, tão desnecessárias e, por consequência, ignorar as possíveis respostas indesejadas e/ou incompreensíveis. 

Continuar. Ainda que algo pareça errado. Sorrir. Mesmo que falte vontade. Ignorar. Todos que cobram coisas que fogem do seu controle. Não se acomodar. Impedir que lhe roubem os motivos que ainda encontra para rir. Levantar a cabeça. Impossibilita que façam você se sentir mal por aquilo que é. 

Mais do que isso é preciso aceitar que nem toda verdade será escrita em palavras bonitas e que, às vezes, as palavras mais belas não serão capazes de traduzir as verdades que sentimos. Mas isso também não significa que sempre encontro as palavras certas ou as verdade que tanto procuro.

Não posso oferecer sorrisos quando não sinto vontade de sorrir ou falar sobre sentimentos que não existem para fazer os outros felizes. Posso oferecer a minha honestidade constante e meus sentimentos sinceros. E sei que nem sempre as duas coisas serão satisfatórias, mas nem por isso posso oferecer nada melhor.

2+1=0

Quando ela olhou para ele, se esqueceu do coração partido, do significado daquele dia, do caos e dos problemas. Ela se limitou a prestar atenção no sorriso, espontâneo e tímido, e no interesse pela vida dela. E ele tentou recuperar o tempo perdido colocando a conversa em dia. Nada mudou ou os dois, simplesmente, tentaram ignorar aquilo que havia mudado. Eles ainda são bons amigos, mesmo que ele escolha bem as palavras na hora de falar sobre o que acreditar ser um assunto complicado e ela seja a primeira a tocar no tal assunto, sempre num tom de provocação. O papo rendeu. Eles deram boas risadas. O tempo passou rápido. Ainda são ótimos amigos, mesmo que agora ele assista os filmes que antes eram motivo de piada e depois ela tenha que explicar o que estava acontecendo nesses filmes, ignorando o fato de que ela não estava por perto quando ele assistiu e que é improvável que os dois assistam qualquer filme juntos. Ambos sabem que sempre terão os seriados.

Querido do meu coração

Começar qualquer post com a frase "eu li em algum lugar que.." é sempre motivo de piada. Quem me conhece sabe que existem três definições bem básicas sobre mim: sou leitora compulsiva, esmaltolátra descontrolada e apreciadora de boa música. Logo, estou sempre lendo algo em algum lugar, com as unhas pintadas de cores bizarras e procurando novidades musicais.

Uma das minhas autoras favoritas escreveu que a vida é uma série de ifs - a vida seria diferente se você tivesse apenas jogado na loteria ontem a noite ou se você tivesse escolhido outra faculdade ...  Essa mesma autora disse que deveria existir um regulamento que limitasse o luto. Um livro de regras que disesse que não tem problema acordar chorando, mas somente durante um mês. Que depois de 42 dias você não vai se virar com o coração acelerado, certa de que ouviu ele chamar o seu nome. Que não existirá nenhuma punição se você sentir a necessidade de limpar as coisas dele, jogar fora as anotações ou abaixar o porta retrato com a foto dele numa festa de família - porque a ferida parece nova toda vez que você vê o rosto dele mais uma vez. E que não tem problema medir o tempo desde que ele se foi, da mesma forma que você contava os dias para o aniversário dele.

Um ano. Apesar da minha memória falha ainda me lembro bem de como foi o dia 18 de janeiro de 2010. Mais do que isso, eu me lembro dos dias anteriores, como se fossem flashs do passado típicos de uma série americana. No dia 14, choveu mais do que na época de Noé e ele foi me buscar no serviço. O que fez com que ele me levasse até a secretaria no dia seguinte, o dia da minha primeira coletiva de imprensa. A mula aqui foi de salto e teve que voltar descalça de moto. Assim que cheguei em casa, sentei na barriga dele e disse que estava cansada de brincar disso, para depois narrar como tinha sido o meu grande dia. No sábado, ele saiu para comprar caranguejo e a noite a gente comeu pizza, as usual. Já no domingo, ele saiu com a minha moto para fazer a caranguejada anual na casa da mãe dele. Quando cheguei lá, ele estava falando sobre a coletiva de imprensa, transbordando de orgulho, e reclamou que a viseira do meu capacete estava destruída. Para variar, ele me deu os maiores caranguejos.

Eu me lembro que a segunda-feira começou com sol, mas que a chuva chegou depois que ele morreu. Eu me lembro de carregar o quinto livro do Harry Potter para todos os lados, mesmo quando não ia ler. Naquele dia, eu vi os olhos dele ficando opacos e sem vida, enquanto ele lutava para permanecer com a gente, toda vez que eu tentava dormir. Acabei o livro nessa noite. 

Um ano. Tantos dias sentindo falta de tudo a respeito dele, da risada aos berros. Tentando guardar cada memória como se fosse a coisa mais importante da minha vida, porque é. Controlando as lágrimas que brotavam nos olhos pelos motivos mais bobos e que sempre me levavam de volta para ele, me lembrando que ele não está mais aqui. Foram várias noites acompanhadas pela falta de sono e o excesso de choro. E semanas assistindo a aceitação e a negação brigando pelo lugar de destaque no meu peito. 

Durante meses, eu sorri me sentindo culpada por estar feliz quando ele não estava por perto e chorei me sentindo mal porque deveria estar bem por ele estar num lugar, supostamente, melhor. Criei mil hipóteses sobre como as coisas seriam se aquele dia tivesse sido diferente, mesmo sabendo que não foram e nunca serão. Mesmo sabendo que desejar demais, muita vezes, não é suficiente para mudar nada.

Agora, só sei que estou atrasada para o trabalho e tudo que eu consigo pensar são duas coisas bem simples, uma que eu sempre soube e outra com a qual já começo a me acostumar: pai, eu te amo muito e sinto demais a sua falta.



E tantas águas rolaram ...

E ela aprendeu. Depois de tombos e rasteiras. Após as tentativas de remendar, de curar e de colar. 

Aos poucos compreendeu que errar uma vez é humano e que às vezes cometer o mesmo erro é inevitável. Não pela tolice, mas pela necessidade de sentir algo conhecido.

O que ela percebeu apenas agora, é que da mesma forma que acontecem momentos "ops, I did it again", o ato de se reerguer também pode ser repetido. Parece mais fácil se recuperar quando isso já foi realizado pelo menos uma vez. 

Por isso, dessa vez a decisão de "deixar para lá" veio sem questionamento. Era simplesmente assim que tinha que ser. E ela aceitou. 

Ela deixou ele ir, sem a antiga esperança de que um dia ele iria voltar.

Coisas que as pessoas deveriam saber sobre mim:

Sou incapaz de escolher entre ler um livro, ver um filme ou assistir um seriado. Que eu prefiro não escolher a música da minha vida, porque a minha vida tem trilha sonora, uma coletânea. Que eu prefiro um show de uma banda que eu goste a alguma balada (só curto uma balada se for com pessoas que valem a pena, caso contrário não suporto). Que eu prefiro a minha casa do que qualquer outro lugar. Que eu prefiro dias chuvosos, mesmo que tenha que andar de moto. Que eu prefiro inverno a verão. Que eu gosto de acordar com o despertador, só para ganhar mais 15 minutos apertando o botão "soneca". 

Vocês têm que saber também que eu prefiro chocolate preto a branco, mas na falta do primeiro aceito o segundo de bom grado. Que eu prefiro 
Ovomaltine a qualquer outra coisa com leite, mas que sem dúvida prefiro Toddy a Nescau. Que eu prefiro comer o doce antes do salgado. Que eu prefiro strogonoff de frango do que o de carne vermelha. Que eu prefiro cozinhar a lavar louça. Que eu prefiro coca cola gelada a qualquer refrigerante. Que eu prefiro torta de limão a brigadeirão, mas também adoro o último.

Eu também prefiro barzinho à festa. Que eu prefiro jogar video game a passear no shopping. Que eu prefiro rodinhas de violão a qualquer coisa. Que eu prefiro guitarra e bateria à baixo. Que eu prefiro morenos a loiros, mas nem por isso dispenso bom partido de cabelos claros. 

Que pode não parecer, mas eu prefiro sorrir a chorar. Que eu prefiro abraçar a tristeza do que fingir alegria. Que eu prefiro honestidade à simpatia. 
Que eu prefiro ouvir a falar, mesmo que tenha dificuldade em ficar calada. Que eu prefiro dar conselhos a ouvi-los. Que eu prefiro escrever sobre meus sentimentos a falar sobre eles. Que eu prefiro parágrafos grandes, mas me esforço para os fazer pequenos.


*adaptação do texto Eu Prefiro

You've got everything you need

Foram necessárias algumas semanas para eu aprender a viver com a distância e todo o significado dela. Depois de alguns meses, meu pensamento era raramente visitado pelo nome dele ou a saudade do jeito que ele levava a vida, e tentava me ensinar a fazer igual, de uma maneira simples e sem complicações.

No começo, lembrar causava um misto de nostalgia e raiva, do tipo, "ain queria tanto que ele estivesse por aqui... mas estou melhor sem ele. Odeio aquele sunovabitch que foi embora sem dizer tchau"

Mais do que tempo, foi preciso muito autocontrole para afastá-lo totalmente, de um jeito que nem os quilômetros conseguiram fazer. E para desfazer tudo isso, bastou apenas uma ligação. 

Tudo que ele teve que fazer para me fazer esquecer o que a aprendi a muito custo foi me ligar. E se identificar com o nome do homem dos meus sonhos, que não é o dele, para mostrar que ainda me conhece, perguntar se nos meus sonhos ele está com ou sem roupa para me deixar sem graça e mandar um beijo no pescoço na hora de se despedir para provar que nada mudou.

Melhor do que ouvir as brincadeiras ditas sem qualquer pudor, foi perceber as mensagens subentendidas. Tudo que os lábios são orgulhosos demais para expressar diretamente. 

Pois bem, eu também senti a sua falta.

So long 2010

sábado, 1 de janeiro de 2011 12:45 Postado por Arielle Gonzalez 1 comentários
Muitos esperam que eu "acabe" com o ano de 2010 enquanto dou boas vindas a 2011. Mas para provar que não sou uma pessoa tão previsível quanto pensam, venho aqui agradecer pelo lado bom das coisas. Para mim, 2010 foi um ano feito de pessoas, que chegaram e/ou partiram. Eu só tenho a agradecer pelos dois, pelos mesmos motivos e por motivos diferentes. Não escreverei um texto enorme dando pequenas dicas de quem são eles. Mas espero que eles saibam a importância que tiveram e têm para mim.

E que 2011 seja o que tiver que ser.
Sem expectativas.