Shoulda, coulda, woulda.

"Fechei meus olhos e tentei ouvir o eco das nossas risadas.
Já fazia algum tempo."

"A dor me lembrava do que era, e é, belo. Do que eu tinha conhecido e perdido. Do amor dado e do amor levado embora. Quanto mais doesse, quanto mais fundo a dor, mais doce era a memória. Então apesar de me importar com a dor, eu vivo com ela."


Acho engraçado o modo como a minha dor incomoda os outros. Sou eu que tenho que viver com ela. Cumprimentá-la pela manhã. Alimentá-la três vezes por dia. Botá-la para dormir. Mas garanto que ela não me atrapalha em nada. Quase não pesa. Seria estranho dizer que às vezes a minha dor quase não dói? Que eu quase não a sinto mais? Não é ela que me impede de seguir em frente, sou eu. Não existe outro culpado.

Poderia tentar explicar que a minha tristeza é congênita e a minha insatisfação é crônica, mas que isso não desmerece nenhum dos dois sentimentos ou me impossibilita de ter momentos de alegria autêntica. O problema é que as pessoas crescem acreditando que o caminho certo é o da felicidade, da positividade e que tudo vai dar certo no final. Quem acredita em tudo isso, tem dificuldade em crer que algumas pessoas vivem de outra maneira, pois já se decepcionaram tantas vezes que esperam pelo pior e se "o pior" não acontecer, o que vier é lucro. É satisfação garantida ou seu dinheiro de volta!

O que eu sinto é o tipo de dor que o tempo não cura, só aumenta. É a ausência somada a ausência, multiplicada por cada aniversário de vida e morte e dificilmente dividida com alguém. É o tipo de coisa que não se pode sentir por osmose, você viveu ou não. Por essa e outras razões, é difícil ouvir conselhos de quem nunca sentiu na pele, de quem desconhece a profundidade desse tipo de dor. De quem não entende que a saudade e a ausência são duas coisas que andam juntas, que dão força uma para a outra e que faz parte da vida senti-las, ainda mais quando a morte entra na questão. 

Jingle Bells

Aos pouco os pensamentos constantes que tento ignorar se tornam inevitáveis. Eles surgem na minha mente pelos detalhes que todos olham, mas ninguém vê. São os panetones de fruta, os cavaletes vermelhos, o café que eu já sei que não será feito e várias outras coisas nossas coisas que fazem meus olhos arderem e meu corpo perder a força ao ponto de eu querer encostar em qualquer lugar para dormir e só acordar quando essa época de festas acabar. É tudo aquilo que me obriga a me esconder na ficção porque a realidade, nesses últimos dias, está insuportável. 

Resumindo, é a falta. Dele e dela. Da gente. De como tudo costumava ser e nunca mais será. De todo aquele amor.

Final de ano significa ficar de bobeira com a família, comendo o resto das ceias até não aguentar mais. Eu queria a minha família por perto. Queria a minha família completa. Nem que fosse só durante esse dias. Mesmo que fosse só para me dar a força necessária para aguentar "firme e forte que nem geléia" o ano que vem.

Oi. Meu nome é Grinch!

Solitária

Fugindo de quem me quer, para os braços de quem não me deseja.
Continuo escutando o silêncio repetir aquilo que já conheço de cor.

Não

"Let me tell you this: if you meet a loner, no matter what they tell you, it's not because they enjoy solitude. It's because they have tried to blend into the world before, and people continue to disappoint them." 

Do papel

Arrumar meu quarto dói tanto quanto esfregar sal na ferida. São vários papéis com pedaços de versões minhas que já não existe mais. São pedacinhos do passado suspensos no tempo que me lembram de quem eu fui. O que não é necessariamente bom ou ruim. Sou só eu. Só Arielle. 

São conversas sem sentido, letras de músicas misturadas, a caligrafia de pessoas que me fazem falta. Lembretes e lembranças. Coisas bobas. Coisa pouca que hoje mexe comigo ao ponto de me fazer querer chorar. 

Tudo que um dia significou algo e que não importa mais. A prova de que eu não sou boa em desapego, porque ainda que não queira algo, sou incapaz de abrir mão. 

A impressão é que de alguma forma esses papéis se transformaram em retrovisores. E como diria Anitelli, "Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas/ Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas/ Deixa explícito que se vou pra frente/ Coisas ficam para trás/ A gente só nunca sabe... que coisas são essas".

Sobre começos e fins

Hoje venho escrever por não conseguir sentir. Quem sabe transformando a ausência de sentimentos em palavras, eu consiga admitir que as escolhas dos outros mudam algo em mim?

São decisões bobinhas feitas na correria do dia a dia. Coisas tipo prometer que vai manter contato e sumir, para depois ressurgir das cinzas falando sobre saudade em código para não se prejudicar com alguém. We were fucking friends, dude! Não tem justificativa. Simplesmente não consigo acreditar em alguém que fica dizendo que sente a minha falta, mas NUNCA se dá ao trabalho de me procurar. E apesar desse "ódio" repentino, ao mesmo tempo, outra coisa que não consigo evitar é sentir essa falta absurda dos abraços em silêncio que tinham o poder de remendar. 

Por outro lado, uma unica palavra às vezes nos obriga a repensar um "relacionamento". Também era amizade, isso não é nenhum mistério, mas qualquer um poderia dizer que tinha algo mais ali. Algo que simplesmente não era dito. O problema foi acreditar que o tempo poderia trabalhar ao meu favor dessa vez. Duas semanas depois, ou melhor, depois de 14 dias de ausência físicas e mensagens rapidinhas, já não continuamos no mesmo lugar. Foi o "namorando" que mudou tudo. As nossas conversas continuam as mesmas, mas ambos sabemos que algo realmente mudou. E eu me recuso a cometer o mesmo erro duas vezes durante o mesmo ano. Não vou correr o risco de me apaixonar mais? quando o final eu já sei de cor.

Eu li que "nada real é perfeito. Enquanto alguma coisa nem começou, você nunca tem que se preocupar sobre o fim. Ela tem um potencial infinito". Pois é, acabei de descobri que mesmo coisas não começadas podem acabar.

Antes eu cantava "I can tell there's something goin' on/Hours seems to disappear/ Everyone is leaving I'm still with you". Agora isso não faz mais sentindo.

The truth about forever

Eu não sei em que acreditar. A maioria do tempo eu tento acreditar em uma força maior que sabe o que faz. Mas geralmente eu acabo perdendo essa batalha para o meu lado cético e faço piada da minha própria crença.

Por exemplo, quando eu ouço Zazulejo, da Teatro Mágico, e a mulher da introdução diz "Ah eu tenho fé em Deus... né? Tudo que eu peço ele me ouci... né?", eu sempre faço algum comentário do tipo, "é mãe, Dels me ouci também" e ela na maior inocência responde, "sério?". Só para me dar a brecha de dizer, "ouve sim, só para fazer o oposto". Sem brincadeira, ás vezes tenho essa impressão.

Mas isso parece um discurso de mal perdedor ou alguma coisa do gênero. Talvez seja magoa falando mais alto, não sei. E religião é algo que as pessoas têm dificuldade de aceitar opiniões diferentes. Por mim tanto faz. As pessoas escolhem acreditar naquilo que lhe dá mais segurança, algum sentido para essa vida às vezes tão sem sentido. Só sei que dá ultima vez que pedi alguma coisa, foi para o meu pai ficar bem e olha no que deu.

Eu gosto de elaborar teorias sobre o assunto, sempre mantendo uma distância segura para não me apegar. Creio que a de Supernatural faça algum sentindo. Deus está tirando férias em algum lugar paradisíaco, que ele mesmo criou, enquanto os seres humanos vagam sem rumo esperando por uma luz. Ele simplesmente não se importa mais. Outras vezes, eu imagino que a gente nasce, cresce e morre, para depois nascer, crescer e morrer e continua nesse ciclo até pagar todos os pecados. Para só então, evoluir e ir morar em algum outro planeta.

A minha última teoria é que resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais é 42 porque esse é o número de vezes que a gente vai passar por maus bocados aqui na Terra, para só então ser plenamente feliz.

Tudo isso porque as coisas acontecem de maneira engraçada. E coincidências podem sugerir algum significado maior e desconhecido. Eu andei obcecada por um livro aleatório que eu nem sabia sobre o que era. Li alguns trechos num site e decidi: eu tinha que possuir um exemplar de The truth about forever, da Sarah Dessen. Em nenhum momento me dei ao trabalho de pesquisar sobre o que era. Depois de ele ficar milagrosamente disponível numa loja online, comprei!

O livro chegou ontem. Imaginem a minha surpresa quando descobri que era sobre uma menina que perde o pai, quando do nada ele tem um enfarte.

Sei lá, talvez, e esse é um grande talvez, exista uma força maior mesmo. E eventualmente, quando esse ser não está ocupado demais, ele tenta ajudar algumas pessoas que estão realmente perdidas. Mesmo que seja por meio de um gesto simples, tipo um livro.

"This was right after everything happened, and I was in a silent phase. Words weren't coming to me well;in fact I had trouble even recognizing them sometimes, entire sentences seeming like they were another language, or backwards, as my eyes moved across them... When people first heard this, or saw me and remembered it, they always made that face. The one with the sad look, accompanied by the cock of the head to the side and the softening of the chin — oh my goodness, you poor thing. While it was usually well intentioned, to me it was just a reaction of muscles and tendons that meant nothing. Nothing at all. I hated that face. I saw it everywhere... So I narrowed my world, cutting out everyone who'd known me or who tried to befriend me. It was the only thing I knew to do."

I still hear you...

domingo, 5 de dezembro de 2010 23:17 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Demorou mas ela descobriu. De repente se tornou obvio o porque da sua ligação com a música. Ela é a garota inconstante que não aceita mudanças. Ela é feita de músicas, livros, esmaltes e fragmentos de outras pessoas. Não importa o quanto isso incomode os outros. É assim que ela é. Feita de memórias, desejos, medos, sonhos e dúvidas. Tudo junto e misturado. Mexido e exagerado. Essa menina tem o dom de mudar a proporção das coisas.

Sabe porque ela é tão ligada em músicas? Porque uma canção tem o poder de viajar no tempo e de levar de volta para um momento, uma pessoa, um lugar. Não importa quanto você ou mundo tenha mudado. Mesmo que você não se reconheça no espelho ou quem você goste não esteja mais por perto. A canção é sempre a mesma, assim como a lembrança.