Final de novembro e você ainda não sabia...

Quando a gente percebe que dias acabam, meses passam e pessoas vão embora, surge essa necessidade urgente de mudar. Chega de expectativas e planos. A vida passa rápido, do nada acaba, e sobra um monte de coisas começadas. Nada mais do que alguns caminhos traçados em um mapa qualquer que vai juntar pó.

Tudo muito poético e nada pratico. Existem coisas que são mais fortes do que a nossa percepção ou força de vontade. Não importa o quanto você se esforce ou pratique o autocontrole, suas intenções vão te trair. Quando a gente vê, os planos já foram feitos e as expectativas já apontam para o chão, o destino depois do tombo.

Eu perco o sono questionando o futuro e o passado. Tenho medo de ser um fracasso, de ficar sozinha, de ser infeliz. São as mesmas dúvidas de sempre me assombrando mais um pouco. Mas pior do que isso é quando imagino a minha vida de outra forma. Quem eu seria nesse exato momento se a minha história não tivesse tantas ausências e perdas?

Sabe aquele velho ditado que diz que quando Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela? Sempre achei que essa janela era para a gente se jogar. Quando tento reescrever a minha história acabo me perguntando se eu me aproximaria tanto de algumas pessoas se as coisas fossem diferentes. Tenho a impressão de que essas "algumas pessoas" foram capazes de me oferecer exatamente o que eu precisava e não necessariamente o que eu queria. Imagino que as coisas seriam diferentes se elas não tivessem esse propósito, será que seríamos tão próximos?

Wake up, it's no use pretending

"It took me a lifetime to realize things don't get lost if they don't have value - you don't miss what you don't care about." Será?

Eu não brinco quando o assunto é saudade. Apesar de ser aspirante a jornalista, nem sempre digo o que quero dizer ou me faço entender, mas sempre tento expressar o que penso. Quando, por algum milagre, consigo controlar o que falo, sempre fico com cara de culpada. Como alguém que está escondendo um segredo terrível.


Um antigo amigo meu ressurgiu das cinzas e não desiste de agir como se nada tivesse mudado. Como se a gente não tivesse mudado. É com vergonha que admito que não faz muito tempo (apesar de parecer outra vida) eu era encantada por atores, obcecada por bandas e apaixonada pelo tal amigo. Naquela época, eu passava bastante tempo jogando conversa fora pelo msn.

Então a minha vó morreu. Um pedacinho de mim foi com ela. Aquele restinho de infância. Eu me afastei de quase tudo e todos, feito um animal machucado, tentado não sentir dor. Foi nessa época que eu descobri o que era saudade de verdade.

Quase um ano depois, foi a vez do meu pai morrer. Com ele foi qualquer resquício da minha síndrome de Peter Pan. Dessa vez não sobrou mais nada. Só a saudade ficou mesmo. O engraçado é que se eu não soubesse o que aconteceu, eu poderia muito bem chegar da faculdade e acreditar que ele está entregando algum serviço. Quando eu estou de folga, eu quase ouço ele entrando em casa quando são 18 horas. Por incrível que pareça, as coisas dele continuam no mesmos lugares.

Anyway. Eu tenho uma política de não mentir sobre saudade. Porque eu posso gostar muito de uma pessoa e não sentir falta dela, ou achar que não gosto tanto assim mas sentir uma falta absurda. Se alguém, como o amigo Fenix, me sufoca com vários "saudades s2" e eu não me sinto da mesma forma, simplesmente mudo de assunto. Me recuso a mentir sobre isso. Quando eu sinto tanto de verdade.

Give me a break

Só porque você não pode ver, não significa que não está acontecendo. É assim com tudo nessa vida. A gente tem que ver para crer, e não o contrário. Talvez, se fosse ao contrário, as coisas fossem mais fáceis. Tudo dependeria da nossa fé.

Para variar estou perdendo a minha linha de raciocínio. Faz alguns dias que eu tenho tentado evitar tudo (quantos verbos numa frase só). Principalmente eu mesma. Ando meio insuportável. Tendo pensamentos mais insuportaveis ainda. Nesses dias eu me escondo muito. Vivo perdida entre vários livros. Buscando respostas que nem quero tanto assim. 

Apesar dos olhos secos, sinto uma terrível vontade de chorar. Sei lá porque, sei lá por quem. Talvez seja por mim. Apenas sinto essa tremenda vontade de encontrar um canto só meu, onde poderei achar um pouco de paz e deixar as lágrimas levarem embora toda essa angústia. É a contradição falando mais alto, enquanto eu quero ficar sozinha e não aguento mais essa solidão.

A impressão é de que não tenho um lugar ao qual eu pertenço. Estou sempre sobrando.

Quero férias de mim.

Not enough

O meu cérebro é capaz de trabalhar duas idéias absurdamente diferentes ao mesmo tempo. São os dois caminhos que eu posso seguir e que naturalmente se anulam. Se eu fosse do tipo que aceita as coisas facilmente, as nomearia como expectativa e realidade. O problema desses nomes é a verdade desnecessária que vem subentendida neles.

A expectativa costuma ser o extremo lado bom de algo (por mais negativa que uma pessoa seja, ainda existe uma parte dela que acredita na possibilidade de um "final feliz") e a realidade não poupa ninguém, ela nunca é tão boa quanto a gente imagina que poderia ser.

Uma amiga sempre diz, "você quer ter razão ou ser feliz?". Eu me pergunto quantas situações a gente tem que escolher entre duas coisas que precisamos, como se uma delas fosse mais importante que a outra. Porque as minhas prioridades mudam constantemente. Sei lá.

Eu preciso de tempo para digerir novos fatos. Para lidar com a realidade esperada e ainda assim surpreendente quando esfregada na minha cara. Por isso o silêncio. Só eu ouço o barulho das coisas se ajeitando aqui dentro. Eu preciso escolher o que é mais importante para mim, o que vale mais a pena, o que eu ainda consigo suportar. Eu quero ter ele ou bastar ter ele por perto? 

Dividirei aqui algo que aprendi com um dos meus livro favoritos. "Sabe o que é bom nos corações partidos? É que só podem se partir de verdade uma vez. O resto são apenas arranhões". No meu não sobrou um pedacinho intacto. Não que isso importe de verdade.

Só sei que por mais gentil que seja uma rejeição, ela continua sendo uma rejeição de qualquer jeito. Independente das palavras de consolo que vêm depois do 'thanks, but no, thanks'. Ainda que ele goste de você, porque no fim das contas, a unica coisa que você vai conseguir pensar é que mais uma vez isso não foi o suficiente.

Quem disse que ser uma pessoa substituta era fácil?

I don't do whys

domingo, 7 de novembro de 2010 00:08 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
"Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser, então."

Às vezes, isso é tudo que tenho a dizer.

Dá uma olhada

Olha aquela menina. Parada ali na porta, com um sorriso de orelha a orelha. Está esperando o convite para entrar. Ela não busca por palavras, como um vampiro que precisa ser convidado. Ela quer algo mais sutil e involuntário. Quem sabe um sorriso tão involuntário quanto dela ou então um daqueles meio tortos, charmosos e tímidos tão típicos dele? Ela espera. Fica parada procurando os sinais que ele se recusa a dar. Não quer promessas ou garantias de futuro. Tudo que ela quer é a possibilidade de um presente.

Olha aquela menina. Nunca aprendeu a escolher, não é agora que isso vai mudar. Metade dela está satisfeita com o jeito que os dois levam a vida, a outra parte quer mais. Quer mais é que ele queira ela. Que ele queira estar com ela. Tanto quanto ela gosta de ficar de bobeira com ele, jogando conversa fora, sem perceber a hora passar. 

Olha aquela menina. Da quase para ver os sentimentos nascendo feito planta. Era uma semente qualquer. Quem poderia adivinhar o que nasceria dali? Ou melhor, quem se importava se algo vingaria daquela coisa tão pequena? O terreno estava vazio mesmo. Tentando se recuperar da ultima colheita, que nem deu tão certo assim. Ela também tinha o tempo livre necessário para se dedicar ao cultivo daquela nova planta. O que ela não esperava é que as coisas fugissem do controle dela, e que crescessem em ritmo acelerado, ocupando cada vez mais espaço.

A moça

Existia uma parte dela que morava nas sombras. Vivendo uma censura auto-imposta. Era o silêncio. Um dos poucos segredos que ela conseguiu guardar. Na maioria das noites pegar no sono era tão fácil quanto respirar. Da mesma forma que levantar pela manhã era difícil, tão complicado quanto usar aquele sorriso que não era dela. Às vezes o dia passava como um filme. Ela fazia parte do público e por isso não tinha direito de alterar a história. Ela simplesmente não tinha força para tal coisa. Como uma boa telespectadora, a moça ria de todas as piadas, sempre na hora certa. Fazia os comentários ácidos característicos e esperados dela. Se encantava pelo cara mais previsível, mesmo sabendo que não ia dar em nada. E em algum momento desse dia interminável, ela percebia que em algum momento lá atrás ela se esqueceu do que era sentir de verdade, viver de verdade. Mas ela acabava desistindo de lembrar, porque acabava recordando que lembrar inevitavelmente causava mais dor.


Então ela fechou os olhos e chegou a conclusão que se não os abrisse nunca mais, não estaria perdendo muita coisa.