A missão

O telefone chamou tantou que por um momento eu achei que ele não atenderia. Isso me causou um misto de decepção e contentamento. Dessa forma ele não alteraria, ainda mais, a forma como eu me lembrava dele. (Ah, eu me lembro dele mais do que eu gosto de admitir.)

Finalmente, o tão esperado Alô. Sério que a voz dele sempre foi assim? Depois de tanto tempo esperando uma maldita ligação, tive tantas conversas mentais com ele que aquela voz uma vez considerada tão conhecida, acabou perdendo a forma. Parecia um estranho do outro lado da linha. (Será que eu não te conheço mais?)

Meu coração bateu mais rápido. Eu achei uma puta falta de sacanagem ele me trair assim, com o cara tão longe e indiferente. "Está tudo bem, foi tudo tranquilo, comprei um GPS. Sumi porque telefone é caro. Vou mudar meu número, te ligo assim que tiver o novo. Quando tiver internet a gente volta a se falar, sempre". (Não te explicaram que despedida a gente faz quando os dois ainda estão no mesmo território? Achei que isso fosse bem óbvio, mas talvez seja tão claro para mim porque já passei muito por isso.)

Eu enchi ele de perguntas, coisa que normalmente faço, só que dessa vez até eu conseguia ouvir o desespero na minha voz. O tempo todo a voz da carência que vive dentro de mim gritava numa frequencia que só eu podia ouvir: você sente a minha a falta? (Se ele sentia não falou nada.)



Quando desliguei o telefone, era a minha vez de não sentir nada. Esse telefonema era o que faltava para me fazer entender que ... já era. Faço parte da vida que ele deixou para trás. E eu não sou boa em ficar correndo atrás de ninguem (apesar de sempre fazer isso). Me canso fácil. E adivinha? Eu cansei! E falar isso, de maneira tão direta e sem rodeios, é uma vitória. Eu,  geralmente, demoro muito para dar o braço a torcer. Porque desistir é um hábito difícil de abandonar e blá.


Talvez eu esteja assim porque eu tenho outro cara.
Ou não, mas nem importa, vai fica tudo bem.
Eu sei disso agora.

Eu prefiro ser essa nostalgia ambulante

Sempre penso em apagar isso aqui como se fazendo isso todas as minhas dúvidas/dores/e assim por diante fossem embora no momento que eu deletasse o blog. Mas nem eu sou tão boba assim.

Me perguntaram se atualizar menos isso aqui é bom, como se não dividir meus sentimentos (?) e/ou pensamentos (?), fosse um sinal de que as coisas andam super bem aqui dentro. Mas as coisas não são simples assim.

Não 'abandonei' isso aqui porque estou vivendo mais e ser feliz consome meu tempo. É mais por uma medida desesperada de continuar nessa acolhedora negação que não escrevo aquilo que me atormenta, numa tentativa frustrada de tornar essas coisas menos reais. Ok, talvez eu seja tão boba assim.

Eu tenho o hábito de tentar explicar algumas coisas aqui que simplesmente são melhores quando deixadas de lado. Ou como diria o autor do livro Desventuras em Série, 'é inútil para mim descrever o quão terrível eles se sentiam naquele momento. Se você perdeu alguém importante para você, então você já sabe qual é o sentimento. E se você não perdeu, é impossível que você imagine isso'.

Ou talvez seja aquela velha história de a gente achar que a nossa dor sempre dói mais. Não sei, e realmente não me importo. E isso é algo novo para mim,  tentar não me importar. Porque eu sempre mexo e remexo nas coisas, analiso cada detalhe, exploro cada possibilidade, invento mil motivos/razões/hipoteses, escolho sempre a pior perspectiva e me importo com ela. Para quem não sabe, se importar é uma das coisas que mais consome energia no universo. Eu vivo exausta. E sabe o que é engraçado? Ninguém se importa com isso.

Tem outra coisa que me incomoda. Carrego muitas pessoas comigo. Por todos os lugares. O tempo todo. Tal coisa me lembra não sei quem e não sei o que me lembra fulano de tal. Essa é uma lista que não tem fim. Os gestos, gostos, histórias, músicas, filmes que possuem um significado só meu. Meu e não obrigatóriamente da outra pessoa na equação. E às vezes eu queria não lembrar, porque às vezes lembrar dói.

São histórias que eu sempre conto rindo. Mas como o Frejah canta, 'que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero'.

Eu nem te conheço mais

Por mais que a gente queira acreditar em palavras, são os atos que realmente importam na hora de formar opinião sobre os outros. Você pode dizer mil vezes que gosta de uma pessoa, mas quebrar uma promessa simples, como não ligar, é que vai fazer a diferença no final das contas. É o que vai manchar várias memórias e transformar em verdade uma teoria maldosa criada por um cretino mal amado.

Esse tipo de coisa, que é facilmente resolvida, é o que geralmente coloca caraminholas na cabeça da gente e faz com que o último pensamento antes de dormir seja, "pois é, eu realmente não importo. Muito obrigada por me mostrar isso agora." Pode me chamar de trouxa, provavelmente tem gente que faz coisa pior, mas essas pequenas coisas também fazem doer.

"When you love someone more than he loves you, you'll do anything to switch the scales. You dress the way you think he'd like you to dress. You pick up his favorite figures of expression. You tell yourself that if you re-create yourself in his image, then he'll crave you in the same way you crave him. Besides the obvious difference, there was not much distinction between losing a best friend and losing a lover: it was all about intimacy. One moment, you had someone to share your biggest triumphs and fatal flaws with; the next minute, you had to keep them bottled inside. One moment, you'd start to call him to tell him a snippet of news or to vent about your awful day before realizing you did not have that right anymore; the next, you could not remember the digits of his phone number."  

Foi só um sonho

Sempre tento evitar posts sobre saudade. Acho que todos ficam muito iguais. São sempre as mesmas pessoas. Mas como diria o grande Anitelli, 'lamentavelmente eu sou assim'. Nostalgia pura!

Eu tive um sonho. Estava andando de moto quando uma STX amarela passou por mim e buzinou. Ele parou um pouquinho mais pra frente. Eu conhecia aquele cara. Meu coração bateu mais forte enquanto ele tirava o capacete. Faz oito meses que eu não vejo aquele sorriso, aquela risada. Ver ele ali, parado, me esperando, fez com que as palavras fugissem, encarregando as lágrimas da explicação. Eu chorei.

Não sei como, mas quando percebi já estava nos braços dele. Sentindo aquele cheiro de 'lar doce lar'. E eu fiquei ali, chorando com um sorriso de orelha a orelha, esperando o despertador tocar. E levar meu pai embora mais uma vez.

Carta Teórica

Hey ...
Ainda lembra de mim?
Tô escrevendo essa carta de mentira pra te contar as coisas que eu queria te contar de verdade.

Outro dia eu estava passeando e um cara extremamente perfumado passou por mim. Ele usava o seu perfume. Aquele perfume que sempre ficava em mim no final do dia. Isso me deu saudade. Quero dizer, me lembrou que eu continuo tentando esquecer que sinto a sua falta. E antes de conseguir impedir esse tipo de pensamento, me peguei imaginando se alguma coisa fazia você se lembrar de mim dessa forma.

Automaticamente, me lembrei de muitos abraços, beijos, apertos, mordidas e provocações. Da gente e daquilo que nunca aconteceu. Fiquei pensando nisso. Nesse tudo que as pessoas não param de tentar transformar em nada. Nas minhas tentativas frustradas de te mostra que tava tudo bem, não era nada especial. A minha escolha de não demonstrar o que eu estava sentindo.

Lembro de você me perguntando como eu podia confiar em você. Meo, como eu poderia não confiar num cara que tinha vontade de espremer as minhas espinhas? Que esfregava a barba no meu pescoço, arrumava a minha roupa compulsivamente para não mostrar muita pele, fazia carinho na minha nuca e nas minhas costas em público. Me deixava sem graça.

Eu sempre lembro dessas coisas quando penso em você, fico pensando em todas as brincadeiras. Você gritando o meu nome, ligando quando não era necessário, das indiretas. A sem gracisse se metendo entre nós enquanto você imaginava coisas impróprias. Isso me lembra aquela vez que eu resolvi dizer sim, só para ouvir em claro e bom som aquilo que eu supunha que você sentia. Foi uma rejeição delicada, "eu quero muito, mas não posso". Eu já sabia. Ainda assim doeu.

Foram tantas batalhas que eu perdi para mim nas primeiras semanas sem você. Ficava sempre calculando o quanto o ato de ligar aumentaria o seu ego, e você sabe que eu odeio esse tipo de coisa. Acabava ligando depois de uns dois dias sendo torturada pela ideia. Quando você atendia, eu conseguia ouvir sorriso na sua voz (ou não, talvez isso seja coisa da minha cabeça). Só sei que ficava aliviada, quase feliz. E percebia o quanto você fez a diferença.

Não sei se eu te agradeci alguma vez. Às vezes, eu achava que a amizade era unilateral. Vinha só do meu lado. Continuei pensando assim mesmo depois de você me ver igual ao Coringa. Sei lá. Só sei que você ajudou. Durante esse tempo você foi voluntario nesse projeto que é me fazer voltar aos trilhos. Cara, acho que você foi um dos pouco que viu o quanto eu tô quebrada. Eu também vi uma parte de você que dificilmente fica exposta. Durava apenas alguns segundos, antes de você por a máscara de volta. Mas tava lá.

Eu queria te dizer que está tudo bem. Que sei lá, eu mudei, coisa e tal. Que esse tempo me tornou mais maleável e durona, quase ninja. Eu, finalmente, aprendi a seguir em frente. Mas esse tempo todo a gente foi sincero um com o outro, dizendo até as coisas que não deveriam ser ditas. Então, não posso começar a mentir pra você agora. E a verdade é que a vida ficou mais bostona ainda sem você, e eu, inocentemente, acreditava que isso não era possível.

Sinto sua falta.
Batizei um esmalte com o teu nome.
Espero que você esteja bem.

Beijos
Arielle

Justificativa fraca

'Eu não tenho nada a perder', talvez esse seja meu único argumento para tudo que faço nessa vida, idiotice ou não. É por não ter nada a perder que eu faço tudo que faço, mesmo sabendo que é uma justificativa fraca e não verdadeira. Eu sempre tenho algo a perder e perco. Não é aquela coisa do tipo 'perdi um pedaço do meu coração', do jeito que eu enxergo as coisas, perco sempre coisas mais sérias, importantes e dificeis de recuperar.

Tem coisas que se foram há tanto tempo que nem lembro mais porque, ou por quem. Porque tem sempre alguém envolvido nesses acontecimentos. Ao mesmo tempo, considero que nada se vai de vez de primeira. Existe sempre um momento que é a gota d'água. O basta inevevitável que a gente sempre lamenta a chegada.

São atos involuntários dos outros que involutariamente me mudam, sem perceber. São atitudes que já me custaram a auto-estima, segurança, fé, amor e até respeito. Conheço pessoas que têm o hábito de tentar analisar e diminuir os meus sentimentos, pelo simples prazer de machucar, isso sempre acaba com o restinho de respeito que eu bravamente tento cultivar por elas.

Também existem situações que a gente conhece o final de cor mas espera, inutilmente, que dessa vez seja diferente, só para variar. É quando queremos estar errados porque isso significa que as coisas vão dar certo. E é por isso que eu continuo esperando o telefone tocar, para me provar que eu estava errada, que aquele idiota estava errado ao nos julgar e que, pelo menos dessa vez, ele não vai ter medo de fazer a coisa certa. Ele tem até amanhã.

Será que eu sou uma Drama Queen?

Eu descobri que o tempo passa mais rápido quando a gente tá de bobeira em casa do que quando a gente tá de bobeira em qualquer outro lugar. Essa deve ser mais uma das ironias da vida, do tempo.

Passa rápido quando a gente quer que dure e se arrasta quando a gente quer que algo acabe logo. Só porque eu estou de férias, as horas passam mais rápido da mesma maneira que eu faço menos coisas. Vai entender ...

Se tem uma coisa na qual eu sou boa é criar teses/teorias. E todo esse tempo livre só confirmou aquilo que eu sempre defendi. Ficar sem nada para fazer inevitávelmente resulta em pensamentos que deveriam ser evitados.

Quando estamos ocupados colocamos mil e uma coisas em cima daquilo que nos incomoda. Quando ficamos sozinhos e desocupados todos os empecilhos desaparecem. Tudo que sufocamos ganha vida, força, voz. Às vezes o silencio ao meu redor causa uma gritaria tão grande na minha cabeça que eu tenho vontade de sumir. Às vezes eu me pergunto se isso já não aconteceu.

Tudo isso porque os bons e velhos pensamentos recorrentes e deprimentes voltaram. O que me dá vontade de cortar o cabelo, só para mostrar que ainda tenho controle sobre a minha vida. Sério, como eu cheguei aqui?

Também deu vontade de deletar o blog, acabar com essa festa. Com esse muro das lamentações digital. Mas não consegui. Quando tudo mais falha são as minhas antigas palavras que me lembram quem eu sou.

Sei lá, ainda bem que vontade dá e passa.

O que aconteceu? A vida aconteceu ...

domingo, 5 de setembro de 2010 12:09 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Existem coisas que só de pensar já fazem aquela velha dor ressurgir mais forte do que nunca. São lembranças que não reconhecem seu lugar no passado e insitem em permanecer no presente. São coisas bobas, coisas minhas, coisas que mudaram.

Acredito que cada fase da minha vida teve uma trilha sonora. Algumas bandas tiveram destaque assim como algumas músicas ganharam novos significados. Eu tenho uma vida cantada.

Ouvir CPM22 me lembra daquele primeiro show, que eu fui depois de passar um dia inteiro no Playcenter. De ficar pendurada no ombro meu pai enquanto me emocionava com todas aquelas vozes fazendo coro. Aquilo me emocionou como se eu fosse parte da banda. Isso também me lembra aquele cara mais velho que eu era super-hiper-mega- a fim na época. Todas as tardes que fiz a minha vó sair comigo, só pra passar no serviço dele.

Foram tantos shows. Eu sempre me preparava ouvindo o cd sem parar só pra fazer bonito e cantar junto. Sempre chegava uma hora que todo mundo aqui em casa sabia as letras de cor. Foram tantas fases, que eu tive durante um tempo e depois passaram. Mas sem duvida me marcaram.

Eu sinto falta dessa empolgação. Dessas pequenas coisas. Não sei se era só a inocencia falando mais alto, mas a vida parecia mais fácil. Menos solitária.

Sei lá, podia ser pior. Pelo menos, eu ainda tenho a música.