Parece que o tempo atrai a verdade ...

domingo, 29 de agosto de 2010 12:01 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Quando eu tinha uns 15 anos, planejava mil e uma tatuagens. Imaginava que meu corpo era um livro de colorir, só faltava começar a adicionar tinta. Legalmente falando, só é permitido fazer uma tattoo quando a criatura em questão completa 18 aninhos de existência. Acho que isso supõe que com essa idade a pessoa não vai marcar 'para sempre' a pele com algo que pode se arrepender no futuro.

Dos desenhos que sonhei no meu corpo, muitos eu deixei para trás. A clave de sol nasceu nas minhas costas assim que tive idade suficiente. A estrela alada foi parar na minha costela quando a saudade da minha vó se tornou tão insuportável que eu precisava de uma prova física de que ela nunca me abandonaria (sem sentido? pois é, essa sou eu). E ainda existem algumas ilustrações que eu quero colorir na minha pele.

Em uma conversa rápida com um amigo ele disse, 'isso vai passar'. Não sei se era sobre a gripe incurável ou a falta que ele faz. Na hora não percebi o duplo sentido da frase, mas depois fiquei curiosa, pensando nisso. E me lembrei que quando era mais nova queria tatuar na pé 'tudo vai passar', para me manter com os pés no chão.

Diz a lenda que um rei pediu que os sábios do reino elaborassem uma frase que o troxesse consolo nos momentos de desespero e humildade nas vitórias. Quando os sábios mostraram a mensagem 'tudo vai passar', ele mandou gravar em um anel que ficava com ele dia e noite, para lembra-lo de que 'não há mal que sempre dure, nem bem que nunca termine'.

E assim como a minha necessidade de ser lembrada que nem tudo na vida requer o meu costumeiro exageiro, algumas pessoas me lembram que pensamentos maldosos mesquinhos existem em todos seres humanos, ainda que disfarçados de brincadeiras 'inofensivas'. O que me assombra são as pessoas que demonstram esse tipo de maldade, ela surge pelos motivos mais idiotas. Mesmo que os sentimentos dos outros me incomodem, por baterem de frente com os meus, eu tento não ligar. Ninguém controla aquilo que sente, mas as pessoas controlam aquilo que fazem.

Só sei que no fim do dia, eu percebo que às vezes me anulo para não cair na tentação de me tornar uma dessas pessoas do planeta 'olha eu aqui'. Acabo deixando subentendido as coisas que deveriam ser ditas e corro o risco de não ser clara o suficiente, por não ser boa com meias palavras.

O que me consola é o fato de algumas amizades desenvolverem o tipo de cumplicidade que permite que a fala não seja obrigatória. A gente desenvolve uma comunicação por meio de olhares, sorrisos ... do toque. E eu sei que as minhas frustações eram recíprocas, assim como a vontade de adiar o invetável bye bye.

that's why I've been missing you lately

domingo, 22 de agosto de 2010 23:06 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Dizem que a vida imita a arte, se isso é verdade eu não sei, mas acredito que qualquer tipo de arte seja um ótimo esconderijo. Nesses dias de ansiedade extrema, marasmo intenso e gripe absoluta, o que não faltou foi tempo para assistir seriados. Ok, esse tempo livre não existia de fato, mas como de costume, eu inventei ele.

Sabe quando uma situação/objeto/aroma/qualquer coisa disperta em um personagem fictício um flashback tão real que parece um filme? Geralmente a pessoa em questão fica com o olhar vago, preso num passado distante ou não. No meu caso esse olhar é úmido, algumas memórias simplesmente trazem a tona as lágrimas que já cansei de chorar.

Foi andando pelas ruas de São Paulo que me lembrei de um domingo bastante parecido com aquele. A música que tocava no rádio era a mesma. A voz rouca do James Morrison gerava discuções sobre o motivo que a deixou daquele jeito. E a empolgação que sentia no ano passado era proporcional a tristeza que pensar naquilo me causava.

Eu me lembrei de um mapa, algumas mochilas lotadas e a alegria estampada nos rostos. Lembrar dessas coisas só me lembrou das coisas que eu finjo esquecer. Os sentimentos que eu disfarço em conversas sobre o delicioso hábito de comer bolacha maisena com leite gelado. A saudade que me confunde ao ponto daquele dia parecer um sonho e a realidade um pesadelo do qual não consigo acordar.

São coisas que só eu conseguia enxergar. Lembranças só minhas. Lágrimas que ninguem viu.

Hey God, it's me, Arielle. Whatup?

Eu vejo a data da ultima atualização disso aqui e me pergunto se minha inspiração também resolveu fazer as malas e seguir viagem. Muitos texto foram começados e ficaram pela metade, pois de alguma forma o mesmo assunto sempre se infiltrava, se misturava e estragava tudo, já que eu não quero 'falar' mais sobre isso.

Foram tantas conversas ensaiadas, tantos momentos imaginados. Coisas que nunca passarão disso, são/eram hipoteses. Por mais que eu tente esconder um pouco dele nos meus textos, sempre soube que isso não seria suficiente. Essas doses homeopáticas não me satisfazem.

Acreditei, inocentemente, que fosse necessário estarmos no mesmo comodo para sentir o poder de atração absurdo que ele exerce sobre mim. Poder esse, que é tão inxeplicavel quanto o fato de eu sentir saber quando a gente vai se encontrar, quando ele está por perto, o quanto é idiota ficar assim (devolve meu controle remoto de humor? Nem eu aguento mais esse mau humor constante).

É essa maldita saudade que conseguiu se multiplicar de tal forma que deixou de ser circunstancial. Virou uma massa uniforme que agora leva esse nome. É algo que sinto sei lá por quem e sei lá por que, o tempo todo. Nem sei mais se é algo que sinto pelos outros ou daquilo que eles levaram de mim.

São tantas datas que se misturam na minha cabeça, me confundem. E sempre que falo sobre isso, acho que por trás do sorriso compreensivo toca, 'ninguém vai aguentar ouvir de novo ela chorar".

E eu não consigo parar de imaginar que talvez, se a gente se encontrasse de novo, poderiamos conversar por alguns minutos e o meu cérebro de ameba poderia, finalmente, se dar por satisfeito e parar de conversar com a versão imaginária.