Um ano passou por mim.

Oi Vó.
Dá pra acreditar que já faz um ano?
365 dias sem você.
Nunca fiquei tanto tempo longe de ti, e sei que agora só vai aumentar.


Eu ainda te levo por onde ando. Nos meus olhos, nas nossas canções (aquelas que eu amava e você nem tanto), e agora na pele. A estrela que você virou se juntou com um par de asas. Não há lugar no universo que você não vá comigo.


Falo o tempo todo sobre você. Como se o dia que você partiu na verdade tivesse te tornado eterna. A sua existência congelou no tempo. Uma mistura de passado e presente. Tudo aquilo que não se vai, mesmo não estando mais aqui.


Gosto de pensar que você estaria orgulhosa. Foi no dia que me disseram isso que eu chorei feito uma boba. Pareceu sal na ferida. Não gostei de como isso foi uma suposição quando na verdade deveria ser uma certeza.


Sinto sua falta.
Não vou negar que tem gente tentando te substituir. Mas você sabe que isso não vai acontecer. Eu era a sua pessoa preferida. Você me conhecia melhor do que qualquer pessoa no planeta. Qual é? Você é a Vódice. Primeira e única. Timeless to me.


Deve tá rolando festa ae em cima. Tá fazendo o pudim? Sábado voltou a ser dia de feijoada? Domingo vocês comem bolo de festa? Tá cuidando direitinho dele? Explicando aquilo que eu ainda não consegui processar?


Um ano é muito tempo. E às vezes parece até que durou mais. Passou se arrastando.


Relaxa, viu? Nem dói mais. Tá bom, isso é mentira, só queria te consolar. Continua doendo. Não é sempre, eu confesso, mas ainda dói.
Sabe quando a gente é criança e chuta a quina da cama, e alguém diz que vai te beliscar o braço para dor passar? Foi quase isso. Só que dessa vez a dor foi duplicada. Por você e ele.


Eu te amo.
Desde sempre.
E isso é uma das poucas coisas que nunca vai mudar.


Fica bem.
Onde quer que você esteja.
Um dia te vejo por ae.
Beijos,
Tatinha

Memórias.

Na faculdade um professor pediu que os alunos contassem algo inesquecível.
Coisa complicada. Mil coisas passaram pela minha cabeça. Todas igualmente importantes e memoráveis.
Lembrei-me de vários shows. O carinho pelos meus cariocas, todos os abraços e trocas de energia. A emoção de cantar Butterfly com ele, com lama até na alma, deixando a chuva levar embora todas as coisas ruins. São muitas histórias pra contar.
Também não faltaram coisas do dia-a-dia. Conversar, danças, músicas. Todas as horas passadas ao lado daqueles que tornam a minha vida mais gostosa. Afinal, se a vida não é feita de momentos, é feita de pessoas.
Fiquei tentada a falar sobre a Disney. Não pela experiência, mesmo que tenha sido incrível. Queria falar sobre as sensações. Naquele tempo me aceitava menos, me achava feia, não me cuidava. Ok, talvez essas coisas nem tenham mudado. Mas todo o resto mudou.
Falaria sobre a viagem por causa dos telefonemas. Todo dia depois do café da manhã começava a rotina de ligar pra todo mundo. Primeiro ligava pra minha avó, contava sobre o dia anterior e os planos para mais tarde. Tentava ligar para o meu pai, minha mãe estava viajando nos primeiros dias. Depois de tentar varias vezes sem sucesso, liguei de madrugada. Só pra ouvir a voz dele, pra matar a saudade.
Não me esqueço do ultimo dia, já estava no aeroporto, era minha ultima ligação do lado de lá. E ele fez o maior drama, dizendo que desde que a minha mãe chegará de viagem eu só falava com ela, tinha me esquecido dele. Como se isso fosse possível.
Mas sem dúvida, o melhor de tudo, foi voltar pra casa. Ter todo mundo por perto. É isso que não vou esquecer. Essa coisa de família. A minha família.
E tem o Lex. Às vezes eu me pergunto como um ser tão pequenino pode ser responsável por tanta gente. É ele que nos dá força pra continuar. Para não desistir.
A conclusão é que inesquecível é o amor. Nas suas varias formas. A contradição dessa variável que é constante. Aquilo que me faz bem.

People are crazy.

As pessoas me irritam. Essa mania de dizer que não podem viver sem isso ou aquilo. De como a vida é injusta.
Sinceramente, eu achava que viver sem ele era impossível, mas agora vejo que na verdade é só cruel.
O pior é o santuário que a minha casa virou. Pode-se dizer que ela é a unica coisa que não mudou. As coisas dele continuam espalhadas. Nada foi tirado do lugar. A impressão que dá é de que ele vai voltar. E talvez por isso seja tão triste. Nossa esperança foi reduzida a algo que desde o principio já se sabe que é ilusão, não vai rolar.
Isso sem falar dos fragmentos que ficaram em praticamente tudo. Tem lembrança enfiada em todo canto. Essa é uma das partes mais cruéis. Não é fácil se convencer a seguir em frente com tanta coisa te prendendo lá atrás.
E tem também os medos que surgem por causa dos velhos hábitos que são difíceis de abandonar. Morro de medo que aconteça algo com a moto, quem vai me socorrer? E se acontecer algo bizarro no transito, tipo uma mulher cair em cima de mim mais uma vez, pra quem eu vou ligar pra contar? Quando ficar ilhada na faculdade, quem vai mandar eu subir na porra da moto e ir logo embora? Quem vai me dizer se na reserva tem gasolina suficiente pra ir e voltar? Quem vai dar um volta na moto só pra ter certeza de que os barulhos que ouço são todos imaginários? Quem vai ceder as minhas vontades e servir de motorista? Quem?
São tantas as perguntas que ficaram sem respostas.
Suspensas no ar.
Esperando.

Sing me a lullaby.

São as noites que me preocupam.
O processo começa no momento que encosto a cabeça no travesseiro.
Fecho os olhos mas o cérebro se recusa a relaxar.
Tento pensar em qualquer coisa, me distrair do que está por vir.
Os sonhos bons não vêm.
As lembranças chegam da mesma maneira que nas noites anteriores. Sempre acompanhadas de lágrimas.
De repente, o auto-controle que exerço o dia inteiro desaparece, se vai com cada gota de choro.
E eu me lembro de tudo, como se fosse um filme antigo. Pareço telespectadora da minha própria vida. E desejo ser aquela garota.
Ele tá sempre lá. Do mesmo jeito, congelado no tempo e na minha memória.
O cara que me levou ao circo mesmo sabendo que eu temia palhaços. Aquele que me ensinou a andar de moto e conversou comigo sobre automóveis. O homem que passou um dia inteiro no carro enquanto a filha se acabava assistindo Jason Mraz. Ele que fez a sua parte para que os meus sonhos fossem sempre realizados.

Sobra tanta falta.

...

"Não é nada demais, coisa pequena, mas acho que é verdade o que se diz por aí, tipo que as grandes coisas são sempre coisas pequenas que percebemos.
É o coração que mais dói quando as coisas dão erradas e se desmoronam."

what if ...

You remember so much and still it isn’t enough because if you had known... you would have done so much more. You would have bottled his laughter into the deepest chambers of your heart. Would have stretched out time to the very tips of its fingers.

And at last… would have stitched together every memory like a patchwork quilt and wrapped it around your heart to shelter you from the tearing grief of this last goodbye.

Elas se foram

É sempre assim.
Aquilo no que me apoio é sempre a primeira coisa a me abandonar.
Dessa vez foram as palavras.
Logo elas que sempre me ofereçam consolo.
Por isso nasce o medo de não conseguir me expressar.
Uma hora elas voltam, eu sei.
Mas antes as coisas precisam se ajeitar aqui dentro.
Essa parte mais difícil, a que não controlo.
E fico mais uma vez a mercê do tempo.
Esperando que ele tenha a boa vontade de me ajudar.
Só dessa vez.
Para, quem sabe assim, compensar todas as vezes que me passou rasteira.
Porem, já é hora de encarar os fatos, e aprender que expectativas só geram decepção.
Então, o jeito é continuar.
Com a cabeça erguida, repetindo o mantra: tá tudo bem agora.
Até de fato estar.

Pai

O céu estava claro e tudo indicava que seria um dia lindo. Depois que você morreu começou a chuva. E por um momento eu pensei como se ainda tivesse a inocência dos que contam a idade nos dedos, o céu estava chorando a sua partida. Só depois eu percebi, que se fosse esse o caso, o céu deveria estar claro e radiante, para celebrar a tua chegava, e alegria que sempre esteve contigo. E a gente que ficou aqui, fica entre os dois, lamentando a sua ausência e celebrando as nossas lembranças. Eu te amo.

Devaneios.

Só agora eu percebi que a minha incapacidade de apagar as mensagens que diziam que ele me ligou três vezes antes das coisas mudarem de rumo tinha um motivo.

Elas são a prova de que ele esteve aqui. De que viveu. De que esteve ao meu lado.

E mesmo que não faça sentido, eu sei que no fundo, as nossas lembranças não passam de lembretes da vivencia de quem passou por aqui e deixou saudade. São tudo que fica para trás.

Pode parecer tolo, mas a quantidade de coisas que vivemos juntos, mostram o quanto ele me marcou, o quanto dele ficou em mim, e que isso ninguém pode me tirar.

Vai entender.