Shoulda, coulda, woulda.

"Fechei meus olhos e tentei ouvir o eco das nossas risadas.
Já fazia algum tempo."

"A dor me lembrava do que era, e é, belo. Do que eu tinha conhecido e perdido. Do amor dado e do amor levado embora. Quanto mais doesse, quanto mais fundo a dor, mais doce era a memória. Então apesar de me importar com a dor, eu vivo com ela."


Acho engraçado o modo como a minha dor incomoda os outros. Sou eu que tenho que viver com ela. Cumprimentá-la pela manhã. Alimentá-la três vezes por dia. Botá-la para dormir. Mas garanto que ela não me atrapalha em nada. Quase não pesa. Seria estranho dizer que às vezes a minha dor quase não dói? Que eu quase não a sinto mais? Não é ela que me impede de seguir em frente, sou eu. Não existe outro culpado.

Poderia tentar explicar que a minha tristeza é congênita e a minha insatisfação é crônica, mas que isso não desmerece nenhum dos dois sentimentos ou me impossibilita de ter momentos de alegria autêntica. O problema é que as pessoas crescem acreditando que o caminho certo é o da felicidade, da positividade e que tudo vai dar certo no final. Quem acredita em tudo isso, tem dificuldade em crer que algumas pessoas vivem de outra maneira, pois já se decepcionaram tantas vezes que esperam pelo pior e se "o pior" não acontecer, o que vier é lucro. É satisfação garantida ou seu dinheiro de volta!

O que eu sinto é o tipo de dor que o tempo não cura, só aumenta. É a ausência somada a ausência, multiplicada por cada aniversário de vida e morte e dificilmente dividida com alguém. É o tipo de coisa que não se pode sentir por osmose, você viveu ou não. Por essa e outras razões, é difícil ouvir conselhos de quem nunca sentiu na pele, de quem desconhece a profundidade desse tipo de dor. De quem não entende que a saudade e a ausência são duas coisas que andam juntas, que dão força uma para a outra e que faz parte da vida senti-las, ainda mais quando a morte entra na questão. 

Jingle Bells

Aos pouco os pensamentos constantes que tento ignorar se tornam inevitáveis. Eles surgem na minha mente pelos detalhes que todos olham, mas ninguém vê. São os panetones de fruta, os cavaletes vermelhos, o café que eu já sei que não será feito e várias outras coisas nossas coisas que fazem meus olhos arderem e meu corpo perder a força ao ponto de eu querer encostar em qualquer lugar para dormir e só acordar quando essa época de festas acabar. É tudo aquilo que me obriga a me esconder na ficção porque a realidade, nesses últimos dias, está insuportável. 

Resumindo, é a falta. Dele e dela. Da gente. De como tudo costumava ser e nunca mais será. De todo aquele amor.

Final de ano significa ficar de bobeira com a família, comendo o resto das ceias até não aguentar mais. Eu queria a minha família por perto. Queria a minha família completa. Nem que fosse só durante esse dias. Mesmo que fosse só para me dar a força necessária para aguentar "firme e forte que nem geléia" o ano que vem.

Oi. Meu nome é Grinch!

Solitária

Fugindo de quem me quer, para os braços de quem não me deseja.
Continuo escutando o silêncio repetir aquilo que já conheço de cor.

Não

"Let me tell you this: if you meet a loner, no matter what they tell you, it's not because they enjoy solitude. It's because they have tried to blend into the world before, and people continue to disappoint them." 

Do papel

Arrumar meu quarto dói tanto quanto esfregar sal na ferida. São vários papéis com pedaços de versões minhas que já não existe mais. São pedacinhos do passado suspensos no tempo que me lembram de quem eu fui. O que não é necessariamente bom ou ruim. Sou só eu. Só Arielle. 

São conversas sem sentido, letras de músicas misturadas, a caligrafia de pessoas que me fazem falta. Lembretes e lembranças. Coisas bobas. Coisa pouca que hoje mexe comigo ao ponto de me fazer querer chorar. 

Tudo que um dia significou algo e que não importa mais. A prova de que eu não sou boa em desapego, porque ainda que não queira algo, sou incapaz de abrir mão. 

A impressão é que de alguma forma esses papéis se transformaram em retrovisores. E como diria Anitelli, "Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas/ Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas/ Deixa explícito que se vou pra frente/ Coisas ficam para trás/ A gente só nunca sabe... que coisas são essas".

Sobre começos e fins

Hoje venho escrever por não conseguir sentir. Quem sabe transformando a ausência de sentimentos em palavras, eu consiga admitir que as escolhas dos outros mudam algo em mim?

São decisões bobinhas feitas na correria do dia a dia. Coisas tipo prometer que vai manter contato e sumir, para depois ressurgir das cinzas falando sobre saudade em código para não se prejudicar com alguém. We were fucking friends, dude! Não tem justificativa. Simplesmente não consigo acreditar em alguém que fica dizendo que sente a minha falta, mas NUNCA se dá ao trabalho de me procurar. E apesar desse "ódio" repentino, ao mesmo tempo, outra coisa que não consigo evitar é sentir essa falta absurda dos abraços em silêncio que tinham o poder de remendar. 

Por outro lado, uma unica palavra às vezes nos obriga a repensar um "relacionamento". Também era amizade, isso não é nenhum mistério, mas qualquer um poderia dizer que tinha algo mais ali. Algo que simplesmente não era dito. O problema foi acreditar que o tempo poderia trabalhar ao meu favor dessa vez. Duas semanas depois, ou melhor, depois de 14 dias de ausência físicas e mensagens rapidinhas, já não continuamos no mesmo lugar. Foi o "namorando" que mudou tudo. As nossas conversas continuam as mesmas, mas ambos sabemos que algo realmente mudou. E eu me recuso a cometer o mesmo erro duas vezes durante o mesmo ano. Não vou correr o risco de me apaixonar mais? quando o final eu já sei de cor.

Eu li que "nada real é perfeito. Enquanto alguma coisa nem começou, você nunca tem que se preocupar sobre o fim. Ela tem um potencial infinito". Pois é, acabei de descobri que mesmo coisas não começadas podem acabar.

Antes eu cantava "I can tell there's something goin' on/Hours seems to disappear/ Everyone is leaving I'm still with you". Agora isso não faz mais sentindo.

The truth about forever

Eu não sei em que acreditar. A maioria do tempo eu tento acreditar em uma força maior que sabe o que faz. Mas geralmente eu acabo perdendo essa batalha para o meu lado cético e faço piada da minha própria crença.

Por exemplo, quando eu ouço Zazulejo, da Teatro Mágico, e a mulher da introdução diz "Ah eu tenho fé em Deus... né? Tudo que eu peço ele me ouci... né?", eu sempre faço algum comentário do tipo, "é mãe, Dels me ouci também" e ela na maior inocência responde, "sério?". Só para me dar a brecha de dizer, "ouve sim, só para fazer o oposto". Sem brincadeira, ás vezes tenho essa impressão.

Mas isso parece um discurso de mal perdedor ou alguma coisa do gênero. Talvez seja magoa falando mais alto, não sei. E religião é algo que as pessoas têm dificuldade de aceitar opiniões diferentes. Por mim tanto faz. As pessoas escolhem acreditar naquilo que lhe dá mais segurança, algum sentido para essa vida às vezes tão sem sentido. Só sei que dá ultima vez que pedi alguma coisa, foi para o meu pai ficar bem e olha no que deu.

Eu gosto de elaborar teorias sobre o assunto, sempre mantendo uma distância segura para não me apegar. Creio que a de Supernatural faça algum sentindo. Deus está tirando férias em algum lugar paradisíaco, que ele mesmo criou, enquanto os seres humanos vagam sem rumo esperando por uma luz. Ele simplesmente não se importa mais. Outras vezes, eu imagino que a gente nasce, cresce e morre, para depois nascer, crescer e morrer e continua nesse ciclo até pagar todos os pecados. Para só então, evoluir e ir morar em algum outro planeta.

A minha última teoria é que resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais é 42 porque esse é o número de vezes que a gente vai passar por maus bocados aqui na Terra, para só então ser plenamente feliz.

Tudo isso porque as coisas acontecem de maneira engraçada. E coincidências podem sugerir algum significado maior e desconhecido. Eu andei obcecada por um livro aleatório que eu nem sabia sobre o que era. Li alguns trechos num site e decidi: eu tinha que possuir um exemplar de The truth about forever, da Sarah Dessen. Em nenhum momento me dei ao trabalho de pesquisar sobre o que era. Depois de ele ficar milagrosamente disponível numa loja online, comprei!

O livro chegou ontem. Imaginem a minha surpresa quando descobri que era sobre uma menina que perde o pai, quando do nada ele tem um enfarte.

Sei lá, talvez, e esse é um grande talvez, exista uma força maior mesmo. E eventualmente, quando esse ser não está ocupado demais, ele tenta ajudar algumas pessoas que estão realmente perdidas. Mesmo que seja por meio de um gesto simples, tipo um livro.

"This was right after everything happened, and I was in a silent phase. Words weren't coming to me well;in fact I had trouble even recognizing them sometimes, entire sentences seeming like they were another language, or backwards, as my eyes moved across them... When people first heard this, or saw me and remembered it, they always made that face. The one with the sad look, accompanied by the cock of the head to the side and the softening of the chin — oh my goodness, you poor thing. While it was usually well intentioned, to me it was just a reaction of muscles and tendons that meant nothing. Nothing at all. I hated that face. I saw it everywhere... So I narrowed my world, cutting out everyone who'd known me or who tried to befriend me. It was the only thing I knew to do."

I still hear you...

domingo, 5 de dezembro de 2010 23:17 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Demorou mas ela descobriu. De repente se tornou obvio o porque da sua ligação com a música. Ela é a garota inconstante que não aceita mudanças. Ela é feita de músicas, livros, esmaltes e fragmentos de outras pessoas. Não importa o quanto isso incomode os outros. É assim que ela é. Feita de memórias, desejos, medos, sonhos e dúvidas. Tudo junto e misturado. Mexido e exagerado. Essa menina tem o dom de mudar a proporção das coisas.

Sabe porque ela é tão ligada em músicas? Porque uma canção tem o poder de viajar no tempo e de levar de volta para um momento, uma pessoa, um lugar. Não importa quanto você ou mundo tenha mudado. Mesmo que você não se reconheça no espelho ou quem você goste não esteja mais por perto. A canção é sempre a mesma, assim como a lembrança.

Final de novembro e você ainda não sabia...

Quando a gente percebe que dias acabam, meses passam e pessoas vão embora, surge essa necessidade urgente de mudar. Chega de expectativas e planos. A vida passa rápido, do nada acaba, e sobra um monte de coisas começadas. Nada mais do que alguns caminhos traçados em um mapa qualquer que vai juntar pó.

Tudo muito poético e nada pratico. Existem coisas que são mais fortes do que a nossa percepção ou força de vontade. Não importa o quanto você se esforce ou pratique o autocontrole, suas intenções vão te trair. Quando a gente vê, os planos já foram feitos e as expectativas já apontam para o chão, o destino depois do tombo.

Eu perco o sono questionando o futuro e o passado. Tenho medo de ser um fracasso, de ficar sozinha, de ser infeliz. São as mesmas dúvidas de sempre me assombrando mais um pouco. Mas pior do que isso é quando imagino a minha vida de outra forma. Quem eu seria nesse exato momento se a minha história não tivesse tantas ausências e perdas?

Sabe aquele velho ditado que diz que quando Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela? Sempre achei que essa janela era para a gente se jogar. Quando tento reescrever a minha história acabo me perguntando se eu me aproximaria tanto de algumas pessoas se as coisas fossem diferentes. Tenho a impressão de que essas "algumas pessoas" foram capazes de me oferecer exatamente o que eu precisava e não necessariamente o que eu queria. Imagino que as coisas seriam diferentes se elas não tivessem esse propósito, será que seríamos tão próximos?

Wake up, it's no use pretending

"It took me a lifetime to realize things don't get lost if they don't have value - you don't miss what you don't care about." Será?

Eu não brinco quando o assunto é saudade. Apesar de ser aspirante a jornalista, nem sempre digo o que quero dizer ou me faço entender, mas sempre tento expressar o que penso. Quando, por algum milagre, consigo controlar o que falo, sempre fico com cara de culpada. Como alguém que está escondendo um segredo terrível.


Um antigo amigo meu ressurgiu das cinzas e não desiste de agir como se nada tivesse mudado. Como se a gente não tivesse mudado. É com vergonha que admito que não faz muito tempo (apesar de parecer outra vida) eu era encantada por atores, obcecada por bandas e apaixonada pelo tal amigo. Naquela época, eu passava bastante tempo jogando conversa fora pelo msn.

Então a minha vó morreu. Um pedacinho de mim foi com ela. Aquele restinho de infância. Eu me afastei de quase tudo e todos, feito um animal machucado, tentado não sentir dor. Foi nessa época que eu descobri o que era saudade de verdade.

Quase um ano depois, foi a vez do meu pai morrer. Com ele foi qualquer resquício da minha síndrome de Peter Pan. Dessa vez não sobrou mais nada. Só a saudade ficou mesmo. O engraçado é que se eu não soubesse o que aconteceu, eu poderia muito bem chegar da faculdade e acreditar que ele está entregando algum serviço. Quando eu estou de folga, eu quase ouço ele entrando em casa quando são 18 horas. Por incrível que pareça, as coisas dele continuam no mesmos lugares.

Anyway. Eu tenho uma política de não mentir sobre saudade. Porque eu posso gostar muito de uma pessoa e não sentir falta dela, ou achar que não gosto tanto assim mas sentir uma falta absurda. Se alguém, como o amigo Fenix, me sufoca com vários "saudades s2" e eu não me sinto da mesma forma, simplesmente mudo de assunto. Me recuso a mentir sobre isso. Quando eu sinto tanto de verdade.

Give me a break

Só porque você não pode ver, não significa que não está acontecendo. É assim com tudo nessa vida. A gente tem que ver para crer, e não o contrário. Talvez, se fosse ao contrário, as coisas fossem mais fáceis. Tudo dependeria da nossa fé.

Para variar estou perdendo a minha linha de raciocínio. Faz alguns dias que eu tenho tentado evitar tudo (quantos verbos numa frase só). Principalmente eu mesma. Ando meio insuportável. Tendo pensamentos mais insuportaveis ainda. Nesses dias eu me escondo muito. Vivo perdida entre vários livros. Buscando respostas que nem quero tanto assim. 

Apesar dos olhos secos, sinto uma terrível vontade de chorar. Sei lá porque, sei lá por quem. Talvez seja por mim. Apenas sinto essa tremenda vontade de encontrar um canto só meu, onde poderei achar um pouco de paz e deixar as lágrimas levarem embora toda essa angústia. É a contradição falando mais alto, enquanto eu quero ficar sozinha e não aguento mais essa solidão.

A impressão é de que não tenho um lugar ao qual eu pertenço. Estou sempre sobrando.

Quero férias de mim.

Not enough

O meu cérebro é capaz de trabalhar duas idéias absurdamente diferentes ao mesmo tempo. São os dois caminhos que eu posso seguir e que naturalmente se anulam. Se eu fosse do tipo que aceita as coisas facilmente, as nomearia como expectativa e realidade. O problema desses nomes é a verdade desnecessária que vem subentendida neles.

A expectativa costuma ser o extremo lado bom de algo (por mais negativa que uma pessoa seja, ainda existe uma parte dela que acredita na possibilidade de um "final feliz") e a realidade não poupa ninguém, ela nunca é tão boa quanto a gente imagina que poderia ser.

Uma amiga sempre diz, "você quer ter razão ou ser feliz?". Eu me pergunto quantas situações a gente tem que escolher entre duas coisas que precisamos, como se uma delas fosse mais importante que a outra. Porque as minhas prioridades mudam constantemente. Sei lá.

Eu preciso de tempo para digerir novos fatos. Para lidar com a realidade esperada e ainda assim surpreendente quando esfregada na minha cara. Por isso o silêncio. Só eu ouço o barulho das coisas se ajeitando aqui dentro. Eu preciso escolher o que é mais importante para mim, o que vale mais a pena, o que eu ainda consigo suportar. Eu quero ter ele ou bastar ter ele por perto? 

Dividirei aqui algo que aprendi com um dos meus livro favoritos. "Sabe o que é bom nos corações partidos? É que só podem se partir de verdade uma vez. O resto são apenas arranhões". No meu não sobrou um pedacinho intacto. Não que isso importe de verdade.

Só sei que por mais gentil que seja uma rejeição, ela continua sendo uma rejeição de qualquer jeito. Independente das palavras de consolo que vêm depois do 'thanks, but no, thanks'. Ainda que ele goste de você, porque no fim das contas, a unica coisa que você vai conseguir pensar é que mais uma vez isso não foi o suficiente.

Quem disse que ser uma pessoa substituta era fácil?

I don't do whys

domingo, 7 de novembro de 2010 00:08 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
"Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser, então."

Às vezes, isso é tudo que tenho a dizer.

Dá uma olhada

Olha aquela menina. Parada ali na porta, com um sorriso de orelha a orelha. Está esperando o convite para entrar. Ela não busca por palavras, como um vampiro que precisa ser convidado. Ela quer algo mais sutil e involuntário. Quem sabe um sorriso tão involuntário quanto dela ou então um daqueles meio tortos, charmosos e tímidos tão típicos dele? Ela espera. Fica parada procurando os sinais que ele se recusa a dar. Não quer promessas ou garantias de futuro. Tudo que ela quer é a possibilidade de um presente.

Olha aquela menina. Nunca aprendeu a escolher, não é agora que isso vai mudar. Metade dela está satisfeita com o jeito que os dois levam a vida, a outra parte quer mais. Quer mais é que ele queira ela. Que ele queira estar com ela. Tanto quanto ela gosta de ficar de bobeira com ele, jogando conversa fora, sem perceber a hora passar. 

Olha aquela menina. Da quase para ver os sentimentos nascendo feito planta. Era uma semente qualquer. Quem poderia adivinhar o que nasceria dali? Ou melhor, quem se importava se algo vingaria daquela coisa tão pequena? O terreno estava vazio mesmo. Tentando se recuperar da ultima colheita, que nem deu tão certo assim. Ela também tinha o tempo livre necessário para se dedicar ao cultivo daquela nova planta. O que ela não esperava é que as coisas fugissem do controle dela, e que crescessem em ritmo acelerado, ocupando cada vez mais espaço.

A moça

Existia uma parte dela que morava nas sombras. Vivendo uma censura auto-imposta. Era o silêncio. Um dos poucos segredos que ela conseguiu guardar. Na maioria das noites pegar no sono era tão fácil quanto respirar. Da mesma forma que levantar pela manhã era difícil, tão complicado quanto usar aquele sorriso que não era dela. Às vezes o dia passava como um filme. Ela fazia parte do público e por isso não tinha direito de alterar a história. Ela simplesmente não tinha força para tal coisa. Como uma boa telespectadora, a moça ria de todas as piadas, sempre na hora certa. Fazia os comentários ácidos característicos e esperados dela. Se encantava pelo cara mais previsível, mesmo sabendo que não ia dar em nada. E em algum momento desse dia interminável, ela percebia que em algum momento lá atrás ela se esqueceu do que era sentir de verdade, viver de verdade. Mas ela acabava desistindo de lembrar, porque acabava recordando que lembrar inevitavelmente causava mais dor.


Então ela fechou os olhos e chegou a conclusão que se não os abrisse nunca mais, não estaria perdendo muita coisa.

Deixa que o tempo vai gravar a sua voz em mim

sábado, 30 de outubro de 2010 01:01 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Eu sou uma pessoa musical.

O que isso significa? Que eu não estou habituada com o silêncio e que já estou acostumada a ouvir minha vida cantada. Tenho sempre uma voz conhecida por perto. Marcada em mim.

O meu pai era uma pessoa musical. Ele vivia cantando. O que não era necessariamente  bom. Nem sempre ele acertava o ritmo, a letra, o tom. Era fácil saber quando ele chegava em casa, porque a voz dele sempre chegava primeiro, cantando as mais tocadas de uma rádio qualquer.

Ele tinha gosto musical variado. Sempre moderninho, ia do samba ao rock, do forró ao rap. Tudo junto e misturado. Só existiam duas regras no controle de qualidade dele. Tinha que ser em português. E não poderia ser a minha banda favorita, porque isso o obrigava a ser do contra e não gostar. Vai entender. Coisa de pai até disso eu sinto falta.

Quando eu era pequena, nós ficavámos deitados na sala, ouvindo Legião Urbana. Lembro de alguns filmes, todo mundo no mesmo colchão, dividindo o cobertor e o pote de pipoca. Mas as noites ouvindo música me marcaram mais.

Nunca contei isso para ninguém, mas quando era novinha eu achava que meu pai podia ficar no lugar do Renato Russo. A matemática era simples, o nome dele também era Renato e ele era espanhol! E na minha inocência, eu achava que ele cantava super bem.

Eu me lembro de uma viagem que começou no meu anirversário e terminou no do meu irmão. Da madrugada gelada, os sanduiches de presunto e queijo, as garrafas de coca-cola, a conversa fiada e a música. O melhor aniversário ever. Só não digo que tinha tudo que precisava ali porque faltava a minha avó.

Com 15 anos eu usei muito a camisa dele da Legião Urbana combinada com uma saia jeans e meu allstar cano-alto preto. Achava aquilo lindo. A camisa parecia um vestido em mim. Em algum momento ela deixou de ser preta e virou cinza.

Então vieram os shows. No começo ele ia junto, ficava na galera, voltava a ser adolescente. Depois virou o eterno motorista particular. Foi tão longe por mim. Fez parte da realização desses meus pequenos sonhos.

Eu ainda me lembro de muito mais. E às vezes tenho a impressão de que poderia ficar horas escrevendo/falando sobre o passado. Vivendo de passado... Ao mesmo tempo nada disso parece suficiente.

Meu pai não era perfeito. Ficava insuportável quando estava sem grana ou com muita fome. Não admitia que estava errado quando isso acontecia. Vivia atrasado. Me esqueceu várias vezes na escola. Mas ele era lindo, tinha uma risada contagiante e um coração maior do que o mundo. Ele ficava bobo quando estava orgulhoso. Mal se controlava de alegria quando meu irmãozinho nasceu.Era impossível não gostar dele.

Quando eu comecei a usar salto, desenvolvi o hábito de parar ao lado do meu pai e ficar comparando as nossas alturas. Tentando alcançá-lo. Ele falava que o dia que eu conseguisse ficar mais alta do que ele seria o dia que eu teria que sustentá-lo. Eu não sei o que eu gostaria mais, a oportunidade de parecer pequena perto dele ou de ter um futuro ao seu lado.

O Renato Russo cantava:
"Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz"


A parte em negrito eu carrego no meu corpo. Como um lembrete. Algo que fiz para ele e por mim. Para não esquecer que a ausência dele não é apenas o que me traz constante dor e que essa dor é novidade. Mas algo constante na existência dele, que sempre levarei comigo, é esse sentimento de fortaleza.

Por mais clichê que seja, muito pessoas consideram seus pais os seus heróis até uma fase da vida e um dias descobrem que eles não passam de seres humanos. Eu sempre disse que meu pai era fucking awesome para quem quisesse ouvi. Porque eu vi ele levando várias rasteiras. E eu vi ele se levantar todas às vezes. Sem perder a força, a fé e o sorriso. Porque ele era esse tipo de pessoa.


Foi esse o cara que me buscou durante um ano e meio lá na Ponta da Praia e mudou o caminho na volta, só para me mostrar um New Beatle amarelo numa loja. Era ele que me acordava nas viagens para o sítio só para eu ver o Impala 67 na loja de carros antigos e sempre dizia que só não me dava um daquele porque não viria com o motorista caçador de demônios que eu tanto queria. Foi ele que ficou uma tarde inteira na fila esperando pelos ingressos do Rockgol. Que virou a noite comigo num show do Charlie Brown Jr, mesmo sabendo que eu só estava ali pela Forfun. E da mesma forma que ele comprou a castanha de caju para mim e comeu tudo no caminho para casa, foi ele que comprou o fone de ouvido só porque tinha strass e ele achou que eu ia gostar.

É ele que faz uma falta absurda.


Feliz aniversário, pai.

Whatever makes you happy

domingo, 24 de outubro de 2010 20:46 Postado por Arielle Gonzalez 1 comentários
Continuo procurando o significado das coisas. Como se fosse simples assim. No fim das contas, se eu não acho, invento.

Continuo tentando manter a minha sanidade. Para isso me escondo em livros, músicas e vidrinhos de esmalte. Em tudo que ainda posso controlar.

Continuo fingindo que não me importo. Que as palavras não machucam. Que as indiretas não magoam. Dessa forma, anulo o meu direito de sentir dor.

Continuo buscando apoio em quem nem suspeita da dimensão dos meus problemas. Pessoas que aos poucos conquistam o seu espaço, nos pequenos gestos de interesse. "Não ir embora: Ato de amor e confiança"

Das conversas que sou deixada de fora

"Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim"


Eu tento achar graça do modo como as coisas acontecem. São conversas que tento não levar a sério. Funcionam como uma bola de neve. No começo, não passam de pequenas indiretas, sutilezas de duplo sentindo, até que atingem um tamanho absurdo para continuar sendo ignorada. Quando de fato acontece, a pergunta é jogada na cara. Sem dó nem piedade. Vai direto ao ponto. 

Nem sempre é bem executada. De tanto enrolarem, acabam fazendo um misto de questão com afirmação. Uma vez que a ideia é criada, é impossível voltar atrás. Logo, nada que eu possa dizer vai satisfazer como resposta. Já haviam decidido que existia apenas uma réplica correta. Sem chance de argumentação. 


Isso ainda me surpreende. Porque eu nunca tenho certeza das coisas. Por coisas, quero dizer aquilo que diz respeito apenas a mim. Sou uma contradição, não nego. Mas sempre tenho certeza do que eu gosto ou não gosto. Não que isso não possa mudar, aumentar, acabar.

Tenho dificuldade em dar nome as coisas. Porque, nesse caso, eles são tão desnecessários. Eu não me preocupo, pois sei a intensidade que sinto tudo. Eu me conheço. E sei também que às vezes é impossível traduzir isso em palavras. Ou seja, a unica coisa que tenho a oferecer é o que eu digo. É a minha palavra que é dessa forma que me sinto. Sem provas de que seja verdade.

O que me deixa chateada é quando alguém tenta me provar que só isso não é suficiente. Como se eles fossem capazes de fazer o que não posso. Não tento. Não quero. Classificar os sentimentos que eu não tenho ideia do que se tratam. Os mesmo sentimentos que eu nunca rotulei por eles mudarem tanto. 

Por isso, eu odeio saber que falam de mim pelas costas. Falam sobre certezas que eu não tenho, como se fossem verdades absolutas. Sem saber nem metade do que aconteceu.

Boy I hear you

Sempre fui adepta do "recordar é viver". Desde sempre essa expressão faz parte do meu vocabulário. Porque eu sempre tenho esses momentos. Eu insisto nos mesmos erros, evito os mesmo acertos, lamento as mesmas bostas coisas. É uma simples questão de honra. A girl's gotta do what a girl's gotta do ... ou the heart wants what the heart wants... whatever!

Só que hoje percebi que se minhas memórias fossem discos, eles estariam terrivelmente danificados, arranhados, destruídos. De tanto ouvir a mesma música, repetir os mesmo refrões, reproduzir o mesmo ritmo. Deveria existir um limite de vezes para apertar o botão repeat.


"Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: Eu sobrevivi."

Momentos roubados

domingo, 10 de outubro de 2010 21:32 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Eu queria ter mais fotografias. Esses pedaços de papel que congelam o tempo. Que têm o poder de eternizar o passado. O mais triste é que sentir falta já faz parte de mim e por isso nem estranho quando o objeto ausente é algo que nunca existiu. Sinto falta das fotos que nunca foram tiradas.

Eu queria mais recordações do cotidiano. Stolen moments. As coisas mais banais, quase insignificantes, gravadas ao meu alcance. Tudo aquilo que ganha novas proporções quando acaba. Não precisava ser bonita, o que importa é o registro. A garantia de que algumas memórias são verdadeiras, ainda que pareçam um sonho. Um porto seguro para matar a saudade.

Porque minha memória é falha e tenho medo de esquecer alguns rostos. E eu me conheço bem o suficiente para afirmar que se isso acontecesse, seria como perder mais uma vez uma parte de mim.

"I suddenly remember being very little and being embraced by my father. I would try to put my arms around my father's waist, hug him back. I could never reach the whole way around the equator of his body; he was that much larger than life. Then one day, I could do it. I held him, instead of him holding me, and all I wanted at that moment was to have it back the other way."

well, you landed on my mind

Os meus pensamentos agora gritam outro nome. E cada vez menos se enganam, quase não chamam o dele.
Eu ainda o procuro, ensaio conversas e penso em ligar. A diferença é que agora a frequencia é menor.
Aos poucos meus sentimentos mudam. Consigo fazer o que outrora acreditava ser impossível, a proeza de enterrar um pouquinho aquilo que sinto mas não tem nome. E que justamente por não ter nome, adotou o dele.
O nome ainda não mudou de vez, mas já ganha nova forma e bate em ritmo de novas canções.
Eu ainda tento desacelerar o processo. Conforme aprendi com o meu histórico, quanto mais rápido eu corro, mais rápido eu encontro o chão na hora do tombo.
Eu ainda sinto a falta dele.
Eu ainda finjo não me importar.

A missão

O telefone chamou tantou que por um momento eu achei que ele não atenderia. Isso me causou um misto de decepção e contentamento. Dessa forma ele não alteraria, ainda mais, a forma como eu me lembrava dele. (Ah, eu me lembro dele mais do que eu gosto de admitir.)

Finalmente, o tão esperado Alô. Sério que a voz dele sempre foi assim? Depois de tanto tempo esperando uma maldita ligação, tive tantas conversas mentais com ele que aquela voz uma vez considerada tão conhecida, acabou perdendo a forma. Parecia um estranho do outro lado da linha. (Será que eu não te conheço mais?)

Meu coração bateu mais rápido. Eu achei uma puta falta de sacanagem ele me trair assim, com o cara tão longe e indiferente. "Está tudo bem, foi tudo tranquilo, comprei um GPS. Sumi porque telefone é caro. Vou mudar meu número, te ligo assim que tiver o novo. Quando tiver internet a gente volta a se falar, sempre". (Não te explicaram que despedida a gente faz quando os dois ainda estão no mesmo território? Achei que isso fosse bem óbvio, mas talvez seja tão claro para mim porque já passei muito por isso.)

Eu enchi ele de perguntas, coisa que normalmente faço, só que dessa vez até eu conseguia ouvir o desespero na minha voz. O tempo todo a voz da carência que vive dentro de mim gritava numa frequencia que só eu podia ouvir: você sente a minha a falta? (Se ele sentia não falou nada.)



Quando desliguei o telefone, era a minha vez de não sentir nada. Esse telefonema era o que faltava para me fazer entender que ... já era. Faço parte da vida que ele deixou para trás. E eu não sou boa em ficar correndo atrás de ninguem (apesar de sempre fazer isso). Me canso fácil. E adivinha? Eu cansei! E falar isso, de maneira tão direta e sem rodeios, é uma vitória. Eu,  geralmente, demoro muito para dar o braço a torcer. Porque desistir é um hábito difícil de abandonar e blá.


Talvez eu esteja assim porque eu tenho outro cara.
Ou não, mas nem importa, vai fica tudo bem.
Eu sei disso agora.

Eu prefiro ser essa nostalgia ambulante

Sempre penso em apagar isso aqui como se fazendo isso todas as minhas dúvidas/dores/e assim por diante fossem embora no momento que eu deletasse o blog. Mas nem eu sou tão boba assim.

Me perguntaram se atualizar menos isso aqui é bom, como se não dividir meus sentimentos (?) e/ou pensamentos (?), fosse um sinal de que as coisas andam super bem aqui dentro. Mas as coisas não são simples assim.

Não 'abandonei' isso aqui porque estou vivendo mais e ser feliz consome meu tempo. É mais por uma medida desesperada de continuar nessa acolhedora negação que não escrevo aquilo que me atormenta, numa tentativa frustrada de tornar essas coisas menos reais. Ok, talvez eu seja tão boba assim.

Eu tenho o hábito de tentar explicar algumas coisas aqui que simplesmente são melhores quando deixadas de lado. Ou como diria o autor do livro Desventuras em Série, 'é inútil para mim descrever o quão terrível eles se sentiam naquele momento. Se você perdeu alguém importante para você, então você já sabe qual é o sentimento. E se você não perdeu, é impossível que você imagine isso'.

Ou talvez seja aquela velha história de a gente achar que a nossa dor sempre dói mais. Não sei, e realmente não me importo. E isso é algo novo para mim,  tentar não me importar. Porque eu sempre mexo e remexo nas coisas, analiso cada detalhe, exploro cada possibilidade, invento mil motivos/razões/hipoteses, escolho sempre a pior perspectiva e me importo com ela. Para quem não sabe, se importar é uma das coisas que mais consome energia no universo. Eu vivo exausta. E sabe o que é engraçado? Ninguém se importa com isso.

Tem outra coisa que me incomoda. Carrego muitas pessoas comigo. Por todos os lugares. O tempo todo. Tal coisa me lembra não sei quem e não sei o que me lembra fulano de tal. Essa é uma lista que não tem fim. Os gestos, gostos, histórias, músicas, filmes que possuem um significado só meu. Meu e não obrigatóriamente da outra pessoa na equação. E às vezes eu queria não lembrar, porque às vezes lembrar dói.

São histórias que eu sempre conto rindo. Mas como o Frejah canta, 'que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero'.

Eu nem te conheço mais

Por mais que a gente queira acreditar em palavras, são os atos que realmente importam na hora de formar opinião sobre os outros. Você pode dizer mil vezes que gosta de uma pessoa, mas quebrar uma promessa simples, como não ligar, é que vai fazer a diferença no final das contas. É o que vai manchar várias memórias e transformar em verdade uma teoria maldosa criada por um cretino mal amado.

Esse tipo de coisa, que é facilmente resolvida, é o que geralmente coloca caraminholas na cabeça da gente e faz com que o último pensamento antes de dormir seja, "pois é, eu realmente não importo. Muito obrigada por me mostrar isso agora." Pode me chamar de trouxa, provavelmente tem gente que faz coisa pior, mas essas pequenas coisas também fazem doer.

"When you love someone more than he loves you, you'll do anything to switch the scales. You dress the way you think he'd like you to dress. You pick up his favorite figures of expression. You tell yourself that if you re-create yourself in his image, then he'll crave you in the same way you crave him. Besides the obvious difference, there was not much distinction between losing a best friend and losing a lover: it was all about intimacy. One moment, you had someone to share your biggest triumphs and fatal flaws with; the next minute, you had to keep them bottled inside. One moment, you'd start to call him to tell him a snippet of news or to vent about your awful day before realizing you did not have that right anymore; the next, you could not remember the digits of his phone number."  

Foi só um sonho

Sempre tento evitar posts sobre saudade. Acho que todos ficam muito iguais. São sempre as mesmas pessoas. Mas como diria o grande Anitelli, 'lamentavelmente eu sou assim'. Nostalgia pura!

Eu tive um sonho. Estava andando de moto quando uma STX amarela passou por mim e buzinou. Ele parou um pouquinho mais pra frente. Eu conhecia aquele cara. Meu coração bateu mais forte enquanto ele tirava o capacete. Faz oito meses que eu não vejo aquele sorriso, aquela risada. Ver ele ali, parado, me esperando, fez com que as palavras fugissem, encarregando as lágrimas da explicação. Eu chorei.

Não sei como, mas quando percebi já estava nos braços dele. Sentindo aquele cheiro de 'lar doce lar'. E eu fiquei ali, chorando com um sorriso de orelha a orelha, esperando o despertador tocar. E levar meu pai embora mais uma vez.

Carta Teórica

Hey ...
Ainda lembra de mim?
Tô escrevendo essa carta de mentira pra te contar as coisas que eu queria te contar de verdade.

Outro dia eu estava passeando e um cara extremamente perfumado passou por mim. Ele usava o seu perfume. Aquele perfume que sempre ficava em mim no final do dia. Isso me deu saudade. Quero dizer, me lembrou que eu continuo tentando esquecer que sinto a sua falta. E antes de conseguir impedir esse tipo de pensamento, me peguei imaginando se alguma coisa fazia você se lembrar de mim dessa forma.

Automaticamente, me lembrei de muitos abraços, beijos, apertos, mordidas e provocações. Da gente e daquilo que nunca aconteceu. Fiquei pensando nisso. Nesse tudo que as pessoas não param de tentar transformar em nada. Nas minhas tentativas frustradas de te mostra que tava tudo bem, não era nada especial. A minha escolha de não demonstrar o que eu estava sentindo.

Lembro de você me perguntando como eu podia confiar em você. Meo, como eu poderia não confiar num cara que tinha vontade de espremer as minhas espinhas? Que esfregava a barba no meu pescoço, arrumava a minha roupa compulsivamente para não mostrar muita pele, fazia carinho na minha nuca e nas minhas costas em público. Me deixava sem graça.

Eu sempre lembro dessas coisas quando penso em você, fico pensando em todas as brincadeiras. Você gritando o meu nome, ligando quando não era necessário, das indiretas. A sem gracisse se metendo entre nós enquanto você imaginava coisas impróprias. Isso me lembra aquela vez que eu resolvi dizer sim, só para ouvir em claro e bom som aquilo que eu supunha que você sentia. Foi uma rejeição delicada, "eu quero muito, mas não posso". Eu já sabia. Ainda assim doeu.

Foram tantas batalhas que eu perdi para mim nas primeiras semanas sem você. Ficava sempre calculando o quanto o ato de ligar aumentaria o seu ego, e você sabe que eu odeio esse tipo de coisa. Acabava ligando depois de uns dois dias sendo torturada pela ideia. Quando você atendia, eu conseguia ouvir sorriso na sua voz (ou não, talvez isso seja coisa da minha cabeça). Só sei que ficava aliviada, quase feliz. E percebia o quanto você fez a diferença.

Não sei se eu te agradeci alguma vez. Às vezes, eu achava que a amizade era unilateral. Vinha só do meu lado. Continuei pensando assim mesmo depois de você me ver igual ao Coringa. Sei lá. Só sei que você ajudou. Durante esse tempo você foi voluntario nesse projeto que é me fazer voltar aos trilhos. Cara, acho que você foi um dos pouco que viu o quanto eu tô quebrada. Eu também vi uma parte de você que dificilmente fica exposta. Durava apenas alguns segundos, antes de você por a máscara de volta. Mas tava lá.

Eu queria te dizer que está tudo bem. Que sei lá, eu mudei, coisa e tal. Que esse tempo me tornou mais maleável e durona, quase ninja. Eu, finalmente, aprendi a seguir em frente. Mas esse tempo todo a gente foi sincero um com o outro, dizendo até as coisas que não deveriam ser ditas. Então, não posso começar a mentir pra você agora. E a verdade é que a vida ficou mais bostona ainda sem você, e eu, inocentemente, acreditava que isso não era possível.

Sinto sua falta.
Batizei um esmalte com o teu nome.
Espero que você esteja bem.

Beijos
Arielle

Justificativa fraca

'Eu não tenho nada a perder', talvez esse seja meu único argumento para tudo que faço nessa vida, idiotice ou não. É por não ter nada a perder que eu faço tudo que faço, mesmo sabendo que é uma justificativa fraca e não verdadeira. Eu sempre tenho algo a perder e perco. Não é aquela coisa do tipo 'perdi um pedaço do meu coração', do jeito que eu enxergo as coisas, perco sempre coisas mais sérias, importantes e dificeis de recuperar.

Tem coisas que se foram há tanto tempo que nem lembro mais porque, ou por quem. Porque tem sempre alguém envolvido nesses acontecimentos. Ao mesmo tempo, considero que nada se vai de vez de primeira. Existe sempre um momento que é a gota d'água. O basta inevevitável que a gente sempre lamenta a chegada.

São atos involuntários dos outros que involutariamente me mudam, sem perceber. São atitudes que já me custaram a auto-estima, segurança, fé, amor e até respeito. Conheço pessoas que têm o hábito de tentar analisar e diminuir os meus sentimentos, pelo simples prazer de machucar, isso sempre acaba com o restinho de respeito que eu bravamente tento cultivar por elas.

Também existem situações que a gente conhece o final de cor mas espera, inutilmente, que dessa vez seja diferente, só para variar. É quando queremos estar errados porque isso significa que as coisas vão dar certo. E é por isso que eu continuo esperando o telefone tocar, para me provar que eu estava errada, que aquele idiota estava errado ao nos julgar e que, pelo menos dessa vez, ele não vai ter medo de fazer a coisa certa. Ele tem até amanhã.

Será que eu sou uma Drama Queen?

Eu descobri que o tempo passa mais rápido quando a gente tá de bobeira em casa do que quando a gente tá de bobeira em qualquer outro lugar. Essa deve ser mais uma das ironias da vida, do tempo.

Passa rápido quando a gente quer que dure e se arrasta quando a gente quer que algo acabe logo. Só porque eu estou de férias, as horas passam mais rápido da mesma maneira que eu faço menos coisas. Vai entender ...

Se tem uma coisa na qual eu sou boa é criar teses/teorias. E todo esse tempo livre só confirmou aquilo que eu sempre defendi. Ficar sem nada para fazer inevitávelmente resulta em pensamentos que deveriam ser evitados.

Quando estamos ocupados colocamos mil e uma coisas em cima daquilo que nos incomoda. Quando ficamos sozinhos e desocupados todos os empecilhos desaparecem. Tudo que sufocamos ganha vida, força, voz. Às vezes o silencio ao meu redor causa uma gritaria tão grande na minha cabeça que eu tenho vontade de sumir. Às vezes eu me pergunto se isso já não aconteceu.

Tudo isso porque os bons e velhos pensamentos recorrentes e deprimentes voltaram. O que me dá vontade de cortar o cabelo, só para mostrar que ainda tenho controle sobre a minha vida. Sério, como eu cheguei aqui?

Também deu vontade de deletar o blog, acabar com essa festa. Com esse muro das lamentações digital. Mas não consegui. Quando tudo mais falha são as minhas antigas palavras que me lembram quem eu sou.

Sei lá, ainda bem que vontade dá e passa.

O que aconteceu? A vida aconteceu ...

domingo, 5 de setembro de 2010 12:09 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Existem coisas que só de pensar já fazem aquela velha dor ressurgir mais forte do que nunca. São lembranças que não reconhecem seu lugar no passado e insitem em permanecer no presente. São coisas bobas, coisas minhas, coisas que mudaram.

Acredito que cada fase da minha vida teve uma trilha sonora. Algumas bandas tiveram destaque assim como algumas músicas ganharam novos significados. Eu tenho uma vida cantada.

Ouvir CPM22 me lembra daquele primeiro show, que eu fui depois de passar um dia inteiro no Playcenter. De ficar pendurada no ombro meu pai enquanto me emocionava com todas aquelas vozes fazendo coro. Aquilo me emocionou como se eu fosse parte da banda. Isso também me lembra aquele cara mais velho que eu era super-hiper-mega- a fim na época. Todas as tardes que fiz a minha vó sair comigo, só pra passar no serviço dele.

Foram tantos shows. Eu sempre me preparava ouvindo o cd sem parar só pra fazer bonito e cantar junto. Sempre chegava uma hora que todo mundo aqui em casa sabia as letras de cor. Foram tantas fases, que eu tive durante um tempo e depois passaram. Mas sem duvida me marcaram.

Eu sinto falta dessa empolgação. Dessas pequenas coisas. Não sei se era só a inocencia falando mais alto, mas a vida parecia mais fácil. Menos solitária.

Sei lá, podia ser pior. Pelo menos, eu ainda tenho a música.

Parece que o tempo atrai a verdade ...

domingo, 29 de agosto de 2010 12:01 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Quando eu tinha uns 15 anos, planejava mil e uma tatuagens. Imaginava que meu corpo era um livro de colorir, só faltava começar a adicionar tinta. Legalmente falando, só é permitido fazer uma tattoo quando a criatura em questão completa 18 aninhos de existência. Acho que isso supõe que com essa idade a pessoa não vai marcar 'para sempre' a pele com algo que pode se arrepender no futuro.

Dos desenhos que sonhei no meu corpo, muitos eu deixei para trás. A clave de sol nasceu nas minhas costas assim que tive idade suficiente. A estrela alada foi parar na minha costela quando a saudade da minha vó se tornou tão insuportável que eu precisava de uma prova física de que ela nunca me abandonaria (sem sentido? pois é, essa sou eu). E ainda existem algumas ilustrações que eu quero colorir na minha pele.

Em uma conversa rápida com um amigo ele disse, 'isso vai passar'. Não sei se era sobre a gripe incurável ou a falta que ele faz. Na hora não percebi o duplo sentido da frase, mas depois fiquei curiosa, pensando nisso. E me lembrei que quando era mais nova queria tatuar na pé 'tudo vai passar', para me manter com os pés no chão.

Diz a lenda que um rei pediu que os sábios do reino elaborassem uma frase que o troxesse consolo nos momentos de desespero e humildade nas vitórias. Quando os sábios mostraram a mensagem 'tudo vai passar', ele mandou gravar em um anel que ficava com ele dia e noite, para lembra-lo de que 'não há mal que sempre dure, nem bem que nunca termine'.

E assim como a minha necessidade de ser lembrada que nem tudo na vida requer o meu costumeiro exageiro, algumas pessoas me lembram que pensamentos maldosos mesquinhos existem em todos seres humanos, ainda que disfarçados de brincadeiras 'inofensivas'. O que me assombra são as pessoas que demonstram esse tipo de maldade, ela surge pelos motivos mais idiotas. Mesmo que os sentimentos dos outros me incomodem, por baterem de frente com os meus, eu tento não ligar. Ninguém controla aquilo que sente, mas as pessoas controlam aquilo que fazem.

Só sei que no fim do dia, eu percebo que às vezes me anulo para não cair na tentação de me tornar uma dessas pessoas do planeta 'olha eu aqui'. Acabo deixando subentendido as coisas que deveriam ser ditas e corro o risco de não ser clara o suficiente, por não ser boa com meias palavras.

O que me consola é o fato de algumas amizades desenvolverem o tipo de cumplicidade que permite que a fala não seja obrigatória. A gente desenvolve uma comunicação por meio de olhares, sorrisos ... do toque. E eu sei que as minhas frustações eram recíprocas, assim como a vontade de adiar o invetável bye bye.

that's why I've been missing you lately

domingo, 22 de agosto de 2010 23:06 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Dizem que a vida imita a arte, se isso é verdade eu não sei, mas acredito que qualquer tipo de arte seja um ótimo esconderijo. Nesses dias de ansiedade extrema, marasmo intenso e gripe absoluta, o que não faltou foi tempo para assistir seriados. Ok, esse tempo livre não existia de fato, mas como de costume, eu inventei ele.

Sabe quando uma situação/objeto/aroma/qualquer coisa disperta em um personagem fictício um flashback tão real que parece um filme? Geralmente a pessoa em questão fica com o olhar vago, preso num passado distante ou não. No meu caso esse olhar é úmido, algumas memórias simplesmente trazem a tona as lágrimas que já cansei de chorar.

Foi andando pelas ruas de São Paulo que me lembrei de um domingo bastante parecido com aquele. A música que tocava no rádio era a mesma. A voz rouca do James Morrison gerava discuções sobre o motivo que a deixou daquele jeito. E a empolgação que sentia no ano passado era proporcional a tristeza que pensar naquilo me causava.

Eu me lembrei de um mapa, algumas mochilas lotadas e a alegria estampada nos rostos. Lembrar dessas coisas só me lembrou das coisas que eu finjo esquecer. Os sentimentos que eu disfarço em conversas sobre o delicioso hábito de comer bolacha maisena com leite gelado. A saudade que me confunde ao ponto daquele dia parecer um sonho e a realidade um pesadelo do qual não consigo acordar.

São coisas que só eu conseguia enxergar. Lembranças só minhas. Lágrimas que ninguem viu.

Hey God, it's me, Arielle. Whatup?

Eu vejo a data da ultima atualização disso aqui e me pergunto se minha inspiração também resolveu fazer as malas e seguir viagem. Muitos texto foram começados e ficaram pela metade, pois de alguma forma o mesmo assunto sempre se infiltrava, se misturava e estragava tudo, já que eu não quero 'falar' mais sobre isso.

Foram tantas conversas ensaiadas, tantos momentos imaginados. Coisas que nunca passarão disso, são/eram hipoteses. Por mais que eu tente esconder um pouco dele nos meus textos, sempre soube que isso não seria suficiente. Essas doses homeopáticas não me satisfazem.

Acreditei, inocentemente, que fosse necessário estarmos no mesmo comodo para sentir o poder de atração absurdo que ele exerce sobre mim. Poder esse, que é tão inxeplicavel quanto o fato de eu sentir saber quando a gente vai se encontrar, quando ele está por perto, o quanto é idiota ficar assim (devolve meu controle remoto de humor? Nem eu aguento mais esse mau humor constante).

É essa maldita saudade que conseguiu se multiplicar de tal forma que deixou de ser circunstancial. Virou uma massa uniforme que agora leva esse nome. É algo que sinto sei lá por quem e sei lá por que, o tempo todo. Nem sei mais se é algo que sinto pelos outros ou daquilo que eles levaram de mim.

São tantas datas que se misturam na minha cabeça, me confundem. E sempre que falo sobre isso, acho que por trás do sorriso compreensivo toca, 'ninguém vai aguentar ouvir de novo ela chorar".

E eu não consigo parar de imaginar que talvez, se a gente se encontrasse de novo, poderiamos conversar por alguns minutos e o meu cérebro de ameba poderia, finalmente, se dar por satisfeito e parar de conversar com a versão imaginária.

Em quem a gente vai pensar...

... quando a luz se apagar?

Existem filmes que não importa quantas vezes eu tenha assistido, se estiver passando na tv me sinto na obrigação de ver mais uma vez. Não importa se eu já sei as falas de cor ou se ninguém aqui em casa aguenta mais. Um desses filmes que eu tanto gosto é O Casamento do Meu Melhor Amigo.

Michael (Dermot Mulroney) sempre foi apaixonado por Jules (Julia Roberts). Jules nunca quis nada com ele. Por nove anos eles foram melhores amigos. Quando Michael convida Jules para ser madrinha do casamento dele, ela percebe o quanto o ama e resolve acabar com a festa. Para isso ela conta com a ajuda de George (Rupert Everett), o amigo gay que não concorda com nada disso e, aparentemente, é o único que sabe onde isso tudo vai acabar. 

Tem os motivos óbvios para gostar da história, como a cena em que todos cantam I Say a Little Pray for You e o final.  Entendam, as duas cenas são muito boas e têm em comum o melhor amigo gay da Jules que, honestamente, é o melhor personagem do filme. O George é sem dúvida o mais engraçado e sábio (?). Mas esses não são os meus trehos preferidos.

Eu sempre tive um master tombo pelo Dermot Mulroney e quando ele canta The Way You Look Tonight, me arrepio toda! A voz dele é rouca e sexy! Ele faz aquele discurso bonitinho e meloso. Só esse trecho já é razão mais do que suficiente pra assistir o filme.

Mas esse post (toda essa enrolação) é por causa do seguinte diálogo:
George: Michael está correndo atrás da Kimmy?
Julianne: Sim!
George: Você está correndo atrás do Michael?
Julianne: SIM!
George: E quem está correndo atrás de você? Ninguém! Essa é a sua resposta.


Hoje eu acordei meio assim. Não, não quero destruir o casamento do meu melhor amigo (até que não é uma idéia tão ruim). Simplesmente entendi que costumo correr atrás de pessoas que estão correndo atrás de outras pessoas e ninguem corre atrás de mim.

Parece que corri uma maratona, não cheguei nem em 2º lugar e não tem ninguém na linha de chegada esperando por mim. Gostaria de dizer que o cansaço me impede de sentir a frustração, mas eu sinto os dois. E dá vontade de esperar sentada, por alguém disposto a me carregar no colo, porque tenho a impressão de que as minhas pernas não aguentam mais. 

Somos beijos de partida ...

... e abraço de quem chegou.

Existem palavras que se recusam a sair. O motivo é simples, eu odeio ter que dizer isso. Era de se esperar que depois de viver tantas vezes o mesmo tipo de situação, o processo ficasse mais fácil. Mas acontece que mesmo quando as circunstancias são parecidas, as pessoas envolvidas são diferentes. Sei lá, é uma bostona ruim de qualquer jeito.

A gente sempre teve prazo de validade. É verdade que ele foi estendido, mas ainda assim insuficiente. Eu sei que falar de sentimento assusta (no chick flick moments, certo?), mas não falar dá câncer (?) e eu prefiro correr o primeiro risco. Dizem por ae que precisamos passar por coisas ruins para identificar as coisas boas. Depois de todas as merdas que me aconteceram esse ano, ele apareceu com uma aura dourada e tocava aquela musica de ‘ooooooooh’(em filmes americanos toca quando a mocinha acha o que estava procurando, parecem vários sininhos, sabe?). Só faltaram as placas de neon dizendo ‘olha coisa boa aqui’. Foi fácil perceber isso. De repente eu tinha um amigo/guia espiritual/consolo/instrutor/teaser son of a bitch, tudo num pacote só.

Como diria o ‘Ted do Futuro’ do seriado How I Met Your Mother, ‘amizade é um reflexo involuntário. Simplesmente acontece, você não pode evitar‘. Aparentemente outra coisa que não posso evitar é dizer tchau tchau.


 
*Saudade da Carol, do Felipinho, da Marília, da Thais, do Felipe, da Taiis, do Filipe, da Leticia, do Guto, do Denis e de todos os amigos que moram longe!

Parece que foi ontem que eu vi você passando...

... com seu jeito esnobado de me olhar

A Fresno lançou no dia do rock o albúm Revanche. Sim, eu gosto de Fresno. E não, não sou emo. Simplesmente aprecio as letras melosas que falam de amor e ignoro o físico, cabelo e/ou roupas dos integrantes da banda (apesar de achar que eles são simpáticos). Não sou nenhuma expert em música, só sei dizer o que gosto e não gosto.

Logo de cara a faixa que leva o nome do disco choca um pouco, tem um pegada mais pesada ao mesmo tempo que o teclado lembra Muse. Sei lá. Algumas faixas são mais suaves. Do Redenção sobrou a levada eletronica, só isso. O novo álbum lembra muito o Ciano, segue a mesma linha. Enfim, eu amei!

Resolvi escrever sobre isso porque comecei a escutar Fresno por causa da gravação do MTV Ao Vivo 5 Bandas de Rock (FORFUN, FRESNO, Hateen, Moptop e Nxzero). Queria muito ter ido mas descobri que seriam quatro músicas de cada banda, e perdi a vontade. No dia do show fui viajar e enquanto descobria a Fresno no retiro espiritual do meu pai, também conhecido como sítio, comecei a lamentar a minha decisão.

No meu aniversário daquele ano (2007) ganhei o DVD. O resultado foram vários domingos com o volume da tv no talo, enquanto eu quicava de alegria pela casa. Bateu uma saudade imensa da minha vó e daqueles domingos. Pensar nisso me trouxe memórias do que parece uma outra vida.



Falando em Fresno, o Lucas postou, mais uma vez, os meus sentimentos no blog dele.


"
Quando lutamos contra nós mesmos, somos os únicos a colecionar feridas. Até que ponto vale a pena ater-se ao caminho da menor dor, do baixo risco e do conforto calculado? Você grita para si mesmo com tanta força essa mentira, que acaba por não ouvir o peito clamando por um segundo de atenção. Mas eu consigo ouví-lo, quando ele encosta no meu, e sigo aguardando o dia em que a tua garganta, de tão rouca, deixe chegar aos teus ouvidos o que para mim fica claro toda vez que teus olhos fecham antes dos meus: é recíproco.
Eu poderia dizer que fui acometido por uma abstinência de sensações às quais já estava acostumado. É o que você sempre diz, mas eu ainda não me acostumei a você. Por isso que eu sempre volto, mesmo quando a minha autoestima implora para que eu espere por um sinal teu. Teus sinais foram dados; nós é que falamos línguas diferentes, quando o assunto é sentir e expressar.
Eu poderia dizer o que já repeti em refrões antigos: que sou “alguém pra ocupar o lugar / de quem não vai voltar”. São palavras que me saltam da língua e páram nos dentes, sempre que sinto medo de que você confirme a minha hipótese. Então eu sigo o teu conselho de me ater apenas às tuas ações. E assim eu sigo, tirando da tua boca frases impensáveis, do teu peito, o calor que eu preciso e, da tua vida, tudo que vai de encontro aos teus planos de não me deixar entrar. Aluguei um espaço no teu pensamento e me sinto confortável aqui, embora nada me garanta que eu não possa ser despejado. Se for pra ser, que assim seja: o frio da rua é mais confortável do que um lar onde já não se quer mais morar. E faz tempo que eu me mudei, jogando fora as chaves da antiga morada.
A vida ensina, a gente aprende. No entanto, isso não quer dizer que não devamos, às vezes, desobedecer as leis que nós mesmos criamos. Cansei de lutar contra mim mesmo, pois já me cobrem o corpo feridas em diferentes fases de cicatrização. Aqui estou, pronto para me aplicar com mais algumas doses cavalares de você, se assim me permitir. E eu já não mais vivo sem essa morfina que eu batizei com o teu nome, há alguns meses atrás."



E eu sei que pra ele isso são apenas palavras.

Yeah Rock! Yeah me!

Eu não gosto de aniversários. A minha teoria é que cada ano que passa é um ano mais próximo do fim. Mórbido? Talvez. Só sei que para mim, uma pessoa dark and twisted, isso faz sentido. Faz exatos 20 anos que habito esse veículo e nem por isso me acostumei a estar nessa pele. Eu me estranho diariamente. Desconheço o rosto, o cabelo, o corpo e os pensamentos, principalmente os pensamentos.

Eu me divido, eu gosto e não gosto de tanta atenção. Acho engraçado como o lembrete do orkut faz as pessoas se sentirem na obrigação de dizer algo (as mesmas frases de sempre). O povo ressurge das cinzas. Sentem necessidade de dizer que sentem saudade, como se fosse desculpa pelo sumiço e ao mesmo tempo puxão de orelha pela minha parcela de culpa. But I know better, não importa o quanto gostamos dos outros, a vida toma caminhos diferentes, que com tempo se cruzam menos. As horas livrem diminuem e as responsabilidades se multiplicam. Como os americanos dizem life happened. Simples assim. Não é culpa de ninguem.


No meio de tantos parabéns, felicidades e sucesso, se destacam os recados que têm um toque pessoal, que gritam ‘eu pensei em você enquanto escrevia isso’. Uma amiga escreveu que estava com saudade de conversar comigo, de sonhar a vida. Palavras dela que traduziram aquilo que eu fiz durante toda a minha existência.

Dizem que o tempo parece passar mais rápido conforme envelhecemos pela combinação de percepção, observação e rotina. Quando somos mais novos, tudo é novidade, tudo é aprendizado. Quando vivemos uma nova experiência ela acontece mais lentamente, parece mais demorada. Nosso cérebro precisa apreender as novas informações. Conforme a mesma situação se repete, as reações também são na base do repetéco e as experiências duplicadas apagadas. Acho que crescer é colocar a vida no piloto automático. Esquecer que existem mil e uma formas de fazer a mesma coisa.

Eu continuo aprendendo. Entendi que não responder é um tipo de resposta. Descobri que meu life style também é conhecido como ‘sonhar a vida’. E me mostraram que não importa o quanto eu me esconda, algumas pessoas se dão ao trabalho de descobrir quem eu sou. Percebi isso por causa de um depoimento que dizia o seguinte:

“Menina-mulher, complemento, excentricidade, coração. Treze de julho é mais do que o dia mundial do rock. Pode ser especial para o mundo, mas a partir de hoje, é duplamente especial para mim. Treze de julho é dia da menina-do-rock, do sorriso atraente, da indecisão capilar e do abraço apertado. É dia de carinho no gesto, de irônia no ar, de risadas incomparáveis e de sentimento escondido. A menina que se esconde entre palavras, blogs e livros. A garota que se questiona diariamente os motivos pelos quais a vida lhe ensina. A mulher que encanta a quem ousa esbarrar em seu caminho. A criança que brinca de ser feliz; e que nos faz feliz. Dia treze de julho passa a ser então o dia do abraço, do carinho, do sentimento em demasia. É dia dos vinte, posteriormente dos vinte e um, dois, três. Vinte em idade, duzentos em coração. É, dia treze é especial. É dia de coração com uma pitada de sarcamo, de sorriso com uma dose de impatia, de abraço sincero com provocação. Dia treze, agora é mais que especial. É dia de Arielle.” *

Pois é, atualmente, essa sou eu.



*Valeu Ivan!

Hush Hush

sábado, 10 de julho de 2010 13:56 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários

Eu estou apaixonada. Ele é moreno, usa roupas pretas e anda de moto. Às vezes ele se comporta como um idiota, pelo simples fato de saber o efeito que tem nas pessoas. Por pessoas, eu quero dizer meninas, talvez em alguns meninos também. Deve ser a combinação de marra, arrogância e atitude. Todo esse jeito misterioso que invoca na gente um vontade de descobrir mais sobre ele, ao mesmo tempo que tudo nele grita 'perigo'. Ah, um pequeno detalhe, o Patch ( palavra que significa remendo em inglês), é um personagem do livro Sussurro (título original Hush Hush) da autora Becca Fitzpatrick.
E não, ele não é um vampiro. E se fosse estaria mais para Damon de The Vampire Diaries do que pra Edward brilha muito no corinthians da saga Crepúsculo. E sim, ele é uma criatura sobrenatural, um anjo caído. Do tipo que chega na vida da mocinha do livro causando em todos os sentidos possíveis. Do tipo que as menininhas adoram.
Falando nisso, porque essas personagens principais tão sempre na escola? Graças a dels eu já deixei para trás esse triste período da minha vida (mentira, aqueles foram bons tempos), mas essas autoras parecem que fazem de propósito para esfregar na cara das garotas que de fato estão na escola que sujeitos bons demais para serem verdade, não são de verdade. Então, pode tirar o cavalinho da chuva. Nada de vampiro, lobisomem ou anjo caído para você (ou para mim).
O livro conta a história de Nora Grey, uma menina meio sem sal e sem açúcar mas ainda assim com mais personalidade do que a Bella Swan (ok, isso foi maldade. A Nora é meio nerd e ela cativou um lugarzinho no meu coração), que perdeu o pai recentemente e passa a maioria do tempo sozinha, já que a mãe está sempre viajando a trabalho. Em um belo dia durante a aula de biologia (Crepúsculo feelings) ela se vê obrigada ser parceira de Patch, um cara extremamente atraente e ao mesmo tempo assustador. Varias coisas bizarras começam a acontecer com ela. Coisas que envolvem becos escuros, tiros, pessoas espiando pela janela de noite, perseguições, agressões físicas e por ae vai. E a unica coisa em comum entre todos os acontecimentos é Patch.
São 264 páginas que passam bem rapidinho (eu li em um dia). Os diálogos entre a Nora e o Patch são os melhores. Porque ele é sempre sedutor e debochado. Um irmão perdido de Patrick Verona do seriado 10 Things I Hate About You. É quase como se ele tivesse inventado o Ego (mas tenho certeza que não foi, porque quem fez isso foi um amigo meu. há!). Ele fica provocando ela de tudo que é jeito, são as perguntas, as insinuações, a aproximação do corpo. Chega uma hora que dá vontade de gritar para o livro (sério!): ou você agarra logo ele ou eu farei isso (como eu não sei)!
Apesar de ser um ótimo livro, os personagens não são aprofundados. A melhor amiga, Vee Sky, parece uma daquelas meninas gostosonas que só pensam em se divertir com garotos. A mãe quase não aparece e quando aparece não faz muito pela história. O assassinato do pai é citado as vezes, ela fala que ficou com medo de lugares escuros e fechados por causa disso, mas fica só nisso mesmo.
Mesmo assim, a frase que eu mais gostei foi de uma dessas poucas aparições da mãe dela. Elas dizem que sentem falta dele, e a Nora completa falando, "Tenho medo de me esquecer como ele se parecia. Não nas fotos, mas andando por aí nos sábados pela manhã fazendo ovos mexidos.” I know the feeling.

*nossa, como esse texto tá cheio de parênteses!

Happiness can be found even in the darkest of times. Sério?

"Sabe, às vezes, penso mesmo que dizer "deixa pra lá" cansa menos, e você?"
Os Funerais do Coelho Branco - Dance of Days

Eu assisti o trailer Harry Potter e as Relíquias da Morte. Esse garoto mexe comigo. Deve ser porque crescemos juntos. Sempre tivemos essa ligação. Temos uma história. Eu, ele, a Mione e o Rony ... e claro, todo as outras pessoas do planeta que conhecem aquele universo melhor do que qualquer outro lugar no mundo. Quem dividiu aventuras com ele, durante uma vida que se divide em sete fantásticos livros, e alguns filmes não tão fantásticos assim. 
Conheci o Harry quando tinha 10 anos. Esperei ansiosamente a carta de Hogwarts quando completei 11, e lamentavelmente, ela nunca chegou. Fiz amizades incriveis com pessoas mais incriveis ainda por causa dele. Tudo aconteceu como se fosse mágica. Fiquei noites sem dormir devorando cada um dos livros. Chorei com a morte dos meus personagens preferidos. Passei raiva com algumas revelações. Quando tudo acabou, foi muito estranho. O HP não tinha mais o que crescer e eu uma vida inteira pela frente. Nunca imaginei que ficaria sem notícias dele.
Quase 10 anos depois eu recomecei a jornada, redescobri aquele universo. Achei varias dicas perdidas lá no inicio da história. Poucas pessoas sabem mas foram as aventuras dele com a Ordem da Fenix que me ajuradaram a tirar da cabeça a morte do meu pai. Naquele dia, toda vez que eu fechava os olhos, eu via o exato momento que a vida abandou o corpo dele. E por mais que eu soubesse que aquilo era verdade, parecia mais um pesadelo enquanto estava acordada. Precisava me distrair porque não aguentava mais ver aquilo. Foi o Harry que me fez compainha naquela noite. 
Da mesma forma que o Dumbledore me disse, "Você acha que os mortos que amamos realmente nos deixam? Você acha que não nos lembramos deles ainda mais claramente em momentos de grandes dificuldades? O seu pai vive em você, Harry, e se revela mais claramente quando você precisa dele... Sabe, Harry, de certa forma você realmente viu seu pai ontem a noite... Você o encontrou dentro de si mesmo". Tá, ele disse isso pro HP, mas a moral da história também servia pra mim. Ele também me ajudou.
Pra completar foi inaugurado no mês passado o parque temático do Harry. Eu venderia meu rim no mercado negro para passar uns dias lá. Na verdade, antes da vida me passar mais uma rasteira, o Wizarding World of Harry Potter era uma possibilidade. Um plano para um futuro não tão distante assim. Agora é só mais um item na lista de 'coisas para fazer antes de morrer'.
Toda essa enrolação para dizer que o trailer me deixou arrepiada. Ainda mais quando "Aquele que Não Deve Ser Nomeado", (quer saber, já bem disse Hermione, "o medo de um nome aumenta o medo da coisa em si"), então, quase tive um treco quando Voldermort pergunta para o Harry: Why do you live? e o bruxinho (não mais tão inho assim) responde: Because I have something worth living for! 
Tão lindo. Fiquei tão ansiosa. E já comecei a sofrer porque como diz o primeiro poster do filme, "Tudo termina aqui". E termina de vez!

Os dias e as festas que eu vou lembrar

"A gente sai de cena com as roupas rasgadas, bolsos vazios e a mente confusa, sem saber como fomos parar ali. Mas e se pudéssemos jogar todos os livros fora e carregar conosco apenas a página do agora? É tão comum a gente se apegar ao passado e viver numa réplica dele, na ilusão de que estamos andando pra frente… no entanto, se tivéssemos realmente sido felizes no processo, jamais teríamos mudado. Então a gente muda. Mas o problema é que a gente muda sentindo medo demais. A gente navega perto da costa, esquecendo-se de que poderia ser bom perder o horizonte, seguir a vontade da corrente e atracar na próxima ilha. Por mais que ela demore a surgir no infinito, ela é nova, e a gente chegou lá sem bússola." trecho retirado do Blog do Lucas


Pode parecer irracional mas eu sempre tive medo da palavra mudar. Entendam, não é exatamente da palavra. É de tudo que vem agregado a ela. Toda essa necessidade de deixar de ser o que se é para passar a ser o que se deve ser. Confuso, não? Talvez fosse receio de deixar uma parte de mim para trás e depois perceber que era exatamente aquilo que eu precisava.
Esse meu lado Peter Pan sempre foi muito forte para deixar passar qualquer coisa. Sempre quis ser tudo ao mesmo tempo. Mas o engraçado é que por mais que a gente sofra com as mudanças previsíveis são as que chegam de repente que costumam causa mais estragos. Elas nos colocam em situações onde só existe um caminho a seguir, e ele é para frente. Sem tempo para fazer as malas. Como se a sua casa pegasse fogo e você só tivesse 15 segundos para decidir o que salvar.

Todo esse papo sobre mudanças é resultado de varias coisas que acontecem nesse momento. Algumas são quase bestas quando comparadas as outras. Mas ainda assim me assustam. São pessoas que se foram, pessoas que sempre vêm mas nunca ficam e pessoas que vão embora. São etapas que acabam em breve. É o meu aniversário que chegou rápido demais.
Às vezes eu odeio essas máquinas do tempo de carne e osso que cruzam meu caminho quando tudo que eu quero é voltar atrás. O ideal seria voltar alguns anos, mas se me oferecessem alguns dias, eu ficaria satisfeita. Reviveria alguns sorrisos, alguns abraços, por mais que fossem rápidos e não tivessem para os dois lados a mesma importancia. Por mais que para mim eles sejam um capitulo da minha história e na deles eu seja apenas mais um entre tantos outros trechos. Quase não reconheci o sentimento de felicidade autentica, que há tempos não me visitava.
Enquanto as pessoas batiam cabeça, eu olhei para trás e consegui ver uma Arielle bem mais nova, cantando aquela mesma música, naquele mesmo lugar, em 2006. Ela só pensava numa "girafa maldita do infernos" que deu bolo nela. Admirava aqueles braços fortes que tocavam baixo. Nenhum daqueles meninos tinha nome para ela, mas isso não impediu que eles conversassem depois do show. Foi assim que tudo começou e sinceramente eu já não lembro mais como é não gostar deles.

Eu invejo aquela garota...

Poderia até pensar que foi um sonho ...

Depois de um tempo a gente se acostuma. A gente aprende que saudade só quer dizer uma coisa: descobrir que as pessoas que amamos se espalham por todos os lugares. Não tem jeito. Elas se escondem até nos mais improváveis.
Em algum momento a gente entende que o esforço para se apegar a essas coisas só nos distancia da aceitação. Nada disso tem o poder de trazer ninguém de volta.
O cérebro acaba se perdendo em tantas viagens ao passado e suposições sobre um futuro impossível. Então nos perdemos no tempo. E tudo aquilo que é importante parece que não passa de um sonho ou lembranças de tempos remotos, acontecimentos muitos distantes do presente.
E eu já não sei o que pensar ou sentir. Porque durante um tempo eu tive certeza que tinha aceitado as coisas como são. Eu me acostumei com a dor. Ela não me deixava esquecer como cheguei aqui. Então, se ela não vai embora, o melhor é deixar ficar. Compreender que essa é uma companheira pra vida toda. O problema é que ela voltou a incomodar.
Mais uma vez eu peguei no sono depois de chorar, enquanto eu via um dos meus videos do Jason Mraz. Logo o cara que sempre me fez rir. Aos poucos me lembrei da jornada que me levou até ele. Do dvd de natal (episodio também conhecido como o ataque ao carteiro), todas as vezes que gritei "eu vou no show dele" (e ninguém se importou), a gente perdido em São Paulo, o shopping errado ... é preciso muito amor pra aguentar a minha chatisse. E eu me pergunto se vou encontrar alguém disposto a fazer tanto por mim (egocentrismo mode on).
Talvez seja verdade o que é dito em Greys Anatomy sobre luto: The best we can do is try to let ourselves feel it when it comes. And let it go when we can. The very worst part is that the minute you think you're past it, it starts all over again. And always, every time, it takes your breath away. There are five stages of grief. They look different on all of us, but there are always five. Denial. Anger. Bargaining. Depression. Acceptance.
Dessa vez não foi um quarteto carioca ou a malemolencia de um americano que me ajudou a lidar com essa merda toda. Não foi tão previsível e a verdade é que eu nunca imaginei que fosse encontrar alguém disposto a lutar contra os meus demonios comigo. Com jaqueta de couro ou não. Mesmo que por um breve período. Dessa vez eu tive alguém de verdade ao meu lado para me estender a mão.

Sometimes I ache, baby.