Tudo de novo

Combinação férias e fim de ano sempre dá na mesma. Um balanço que resulta numa conta negativa, algumas noites sem dormir, dor de cabeça , enfim, frustração.

Acho que isso acontece por causa do tempo livre em excesso. Acabo colocando tudo na balança, medindo cada passo, cada escolha, cada tudo e consequentemente nada.

Toda essa angustia vem não sei da onde, não sei porque, só sei na verdade quando. Começa em novembro e vai embora com o passar do ano que chega.

Esse ano o natal ganhou um novo contexto. Virou sinonimo de falta. A ausencia daquela que aqui em casa nunca é nomeada mas sempre é extremamente sentida. Ela surge em tudo com uma força intensificada pele espirito natalino, renovada pelo ano que logo mais tá ae.

Ela está presente na arvore que foi decorada pela metade, nos presentes que não foram comprados, nos descaso com as festas, na ceia que vai ser sem graça, na falta de empolgação, no choro quase sempre contido, em todas as velhinhas que vejo pela rua, perdida nas lembraças desencavadas, na voz que aos poucos parece sumir.
Está em mim como uma ferida que não cicratiza. Aquele machucado que quando está criando casquinha a gente vai lá e arranca. Parece loucura e por isso fica mais dificil ainda explicar.

Só sei que essa costumava ser a época dela. Simplesmente porque ela sempre adorou dar presentes, na verdade nem era preciso uma data pra isso.

Por essas e outras acabo achando que estagnei. Meu luto virou zona de conforto. Sinto como se estivesse ficando para tras, e sem vontade nenhuma de me esforçar para seguir em frente.



Sei lá.