Deixa rolar

Às vezes as pessoas são confundidas com objetos. Coisas que existem em função de outras coisas, com o único objetivo de servir ao outro.


O motivo é simples, é muito mais fácil responsabilizar terceiros e se isentar da culpa. E o problema é que no fim do dia o culpado não faz a menor diferença, a vida continua sendo minha/sua/dele. Não importa quem tomou a decisão.


É por isso que eu me permito mudar de idéias, fazer as coisas no meu ritmo e escolher as minhas escolhas. Depois eu faço o que tiver que fazer e lido com o que tiver que lidar. Sem fazer enquete sobre a minha vida.

Do supertramp

"I read somewhere... how important it is in life not necessarily to be strong... but to feel strong."

será?

Do vento

Uma amiga muito querida me emprestou um livro muito bom, cheio de intrigas e mistério, chamado “A sombra do vento”. Cheio de frases de efeito que não são facilmente digeridas e obrigam o leitor a refletir. Assim como o personagem principal me perdi nas páginas dele, como se aquela fosse a minha história.
"Os livros são como espelhos: neles só se vê o que possuímos dentro", ou era algo assim. Estou começando a achar que isso se aplica a basicamente tudo. Funciona assim com o universo, o jeito que cada um enxerga. Pode parecer egocentrismo, mas começo a acreditar que vemos o mundo dessa maneira mesmo, como reflexo do nosso conteúdo, oposto e extensão.
Eu poderia mudar o nome do blog para “nostalgia” ou “morbidez”. Acabo sempre escrevendo sobre coisas que foram e não voltam mais. Assistindo os seriados de sempre começo a me perguntar se morte sempre foi um assunto tão popular e só eu não percebia. Desde quando é obrigatório citar os 5 estágios do luto?
Se eu fosse do tipo que acredita que o mundo gira em torno de mim, diria que é uma conspiração ou que tudo acontece comigo. Mas sei que a morte é coisa tão natural quanto a vida, assim como a dor.
E é por tudo isso que eu volto a pensar nela (ok, volto não é a palavra certa, já que voltar implica em ter parado de fazer algo em algum momento, e não é isso que está acontecendo). Se o mundo não gira em minha volta, às vezes o meu gira em torno da falta dela. Não é uma questão de negação, raiva, barganha, depressão ou aceitação, já transitei muito entre essas etapas, é essa confusão que é facilmente confundida com vazio que me mata.
E sabe o porquê de tudo isso? Porque as coisas deram errado. E depois de uma vida inteira correndo pra casa dela quando as coisas complicavam, perdi o rumo por não ter para onde ir. Senti falta de alguém que se importasse de verdade.

Cansei.

Rapidinha.

Eu voltei lá. Encontrei só ecos da tua ausência. Tudo mais cinza, sem graça e vazio.
"Não é o lugar. São as pessoas"

Do camelô.

Pode ser clichê, mas acredito que mesmo apesar de algumas pessoas terem aparências semelhantes cada conteúdo é único. Contudo, quando a fórmula funciona sempre aparece alguém que acredita que ser você é muito melhor que ser quem realmente é.
Com o tempo descobri que somos uma soma do que nos rodeia. Um pouquinho dos nossos pais, misturado com uma pitada dos nossos amigos, mais algumas colheradas de filmes, seriados, livros e músicas, tudo dissolvido naquilo que já nasce com a gente. Cada receita é única, por ter medidas e ingredientes variados.
E justamente quando você acerta a mão na massa aparece alguém que gosta tanto do resultado que acha uma boa idéia copiar a sua fórmula. O problema é que o segredo não está só nos ingredientes, e sim, no modo como a coisa é preparada. Tipo comida de vó, não importa o quanto a sua mãe se esforce para seguir as instruções a risca, nunca fica igual.
Mas isso não impede ninguém de tentar. Para quem têm medo de ser autentico e prefere ser apenas o reflexo de outra pessoa, eu digo: “cada um sabe a dor e alegria de ser o que é”. Ninguém vive num mundo cor de rosa onde os problemas se resolvem magicamente.
Pode ser que alguns levem a vida com mais humor, fazendo piada da própria desgraça, ou omitindo qualquer coisa errada atrás de um sorriso de plástico. Por isso, não se iluda. Ninguém gosta de imitações, “produtos” originais costumam fazer mais sucesso.
Evite atalhos. Construa sua essência, aquilo que te torna único. Não cobice o que não é seu por direito. Lute apenas por aquilo que fez por merecer. Trace sua jornada e crie seu próprio caminho.

do retrovisor

domingo, 4 de outubro de 2009 22:52 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários

Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas

O Teatro Mágico – Amem

Enquanto guiava minha moto pelas ruas da cidade de Santos, numa noite fria de outubro, percebi que sou incapaz de fazer qualquer coisa no transito sem consultar os retrovisores. E de repente, me passou pela cabeça que talvez isso seja o reflexo de um hábito que vem de muito antes da carteira de motorista.

Quando pequena tinha medo das incertezas do futuro, e chorava inconsolada até pegar no sono. Com o tempo inventei um mantra com a única função de ser repetido até que eu acreditasse: tudo vai passar.

Aceitava isso de cabeça baixa, uma aparência cansada, e a nostalgia estampada no peito. Há quem diga que não existe tempo melhor que o hoje, eu sempre achei o ontem muito mais tentador.

E desenvolvi uma teoria (Gosto de teorias. Elas me acalmam. Reconfortam. Funcionam como um abraço apertado depois de um grande tombo, não cura, mas faz a gente se sentir melhor), são as minhas escolhas que me fazem quem eu sou. E pra mim, ser é uma coisa muito importante. Não me contento em só existir. Logo, todas as decepções e frustrações foram tão importantes na construção do meu ser quanto às alegrias e vitórias. E ficar lamentando todos os “e se” não muda nada, então não vale a pena sofrer por algo que poderia ter sido, ou não.

É engraçado como ontem às vezes parece há um século, assim como o amanhã às vezes parece não chegar nunca. O tempo é uma coisa relativa. Só sei que gosto de olhar pra trás e assistir minha vida como se fosse um filme em preto em branco. Essa idéia de distancia, que ao mesmo tempo me assusta e fascina. Colecionar memórias. Contemplar o que passou e não volta mais. Perceber que algumas coisas aconteceram e nem percebi. E sentir orgulho de ter chegado até aqui.

Sobre o futuro prefiro nem pensar. Todas as expectativas de virar gente grande. Ter um salário, casa, carro e uma família pra cuidar. Talvez já tenha passado do ponto, esteja ficando para trás. Mas não me incomodo, tudo tem seu tempo. E o mais irônico é que é dele mesmo que tenho medo. Medo de não ter tempo suficiente, ou de ter demais e ser mal aproveitado. Mas isso já é assunto para outro dia.