Tudo é fase. Tudo muda.

sábado, 29 de agosto de 2009 10:12 Postado por Arielle Gonzalez 0 comentários
Ainda que as pessoas tentem ignorar as mudanças, sutis ou enormes, elas acontecem o tempo todo. Somos influenciados pelas pessoas que nos rodeiam, o ambiente em que vivemos, situações inesperadas e expectativas alcançadas ou não. É lógico que nem sempre essas coisas mudam nossa forma de pensar, mas acredito que no mínimo nos fazem repensar sobre o que acreditamos.
Putz, não suporto expectativas. Toda aquela ansiedade acaba comigo. Quando essa sensação é sobre alguma pessoa é pior ainda, afinal, pessoas têm fases e elas mudam constantemente. Ninguém conhece outra pessoa tão bem quanto gostaria, simplesmente porque nem nos conhecemos tão bem.
“Os seres humanos me assombram”. Nunca sei o que esperar. A gente se supera na merda. Rimos dos nossos tombos. Procuramos ombros amigos para chorar. Alguém lá atrás disse que não sobreviríamos sozinhos e passamos isso para frente, como se fosse uma verdade incontestável. Gente precisa de gente. Será mesmo? Quem foi que disse que é preciso ter alguém ao nosso lado pra alcançar a tão almejada felicidade? O que é felicidade?
Uma questão de significado, eu suponho. Pra mim, felicidade é um pedaço de chocolate, uma música que mexa comigo, um bom livro, filmes, dormir sem ser interrompida, falar com minhas amigas sobre tudo ou nada em especial e a lista não para de crescer. A minha felicidade pode ser qualquer coisa que eu queira, sempre foi assim e se depender de mim sempre será.
A gente cresce acreditando que existe regra/receita certa pra conseguir realizar alguma coisa nessa vida. E essa alguma coisa é sempre algo grande, quase inalcançável. Baixei meu nível. Se não posso mudar o mundo, vou mudar uma coisa por vez. Começando com a minha família e amizades, vou ensinar e aprender com eles.
Vou falhar. Às vezes aceito isso, da mesma forma que me faço acreditar que é imprescindível. Às vezes tenho medo de vencer também. Medo de ficar perdida sem saber o que querer depois. Porque a gente tem sempre que querer alguma coisa? Antes eu chorava toda vez que alguma coisa muito grande pra mim tinha que mudar. Hoje aceito isso como uma benção. A oportunidade de viver cem vidas numa vida só, de ser quem eu quiser, ou de só ser. Tanto mais do mesmo enjoa. Gosto da possibilidade de recomeço sem ser necessário um fim.
Quando somos pequenos cada dia decidimos fazer uma coisa da nossa vida, gostamos mais de um brinquedo, de um parente, de uma comida. Com o tempo parece que a gente quer parar de mudar. Como se quando criança fosse conteúdo demais num espaço pequeno, então a gente cresce e de repente parece estar sobrando espaço, e a gente nunca sabe o que fazer com ele. Então crescemos escolhendo ídolos para preencher o vazio. Só que chega um dia que descobrimos que não precisamos de outra pessoa pra colocar ali.
Mudar não é falta de personalidade. É personalidade demais pra viver de uma vez só.

Good Deed Doer

Eu costumo andar de moto, faça chuva ou sol. Tenho um bloqueio terrível com dirigir carros, não sei por que, mas tenho medo, não sei do que. Durante muito tempo andei de ônibus, como a maioria das pessoas fazem. Aproveitava o tempo “livre” pra pensar, ouvir música e apreciar a paisagem.

Os motoristas de ônibus costumam ser bastante selvagens. Ignoram algumas pessoas no ponto, freiam bruscamente, fazem o veículo ficar tão cheio quanto uma latinha de sardinha. As pessoas que pegam ônibus também não costumam estar de bom humor, todo aquele contato/calor humano as vezes incomoda.

Quem anda de moto e divide faixas com esses monstruosos meios de locomoção desenvolve uma visão ainda mais assustada dos motoristas. Eles costumam passar nos sinais vermelhos, fechar os outros veículos, dar seta em cima da hora, andar como se fossem os donos da rua. Isso apavora qualquer pessoa que anda protegida apenas por um capacete.

Contudo hoje um motorista me lembrou sobre os riscos de generalizar. Chovia muito e bateu uma baita preguiça de dirigir, meu pai quase não para no ponto, quando desci do carro percebi que era o meu ônibus que estava indo embora, sem mim. O motorista vendo a minha cara de OMFG perguntou com um simples aceno de cabeça se aquele era o ônibus que eu esperava, confirmei com outro aceno de cabeça e ele parou.

Ele parou fora de um ponto de ônibus!!! Isso é quase impossível de se conseguir. Acho que aquela foi a boa ação do dia dele. Quando era mais nova eu tinha mania de fazer as coisas e dizer: minha boa ação do dia. Não sei quando foi que perdi esse hábito. Mas tenho total intenção de voltar a tê-lo.
O plano é o seguinte fazer o máximo possível com pequenas atitudes. Fazer o que aquela frase batida/clichê diz: a minha parte. E quem sabe assim motivar as pessoas ao meu redor a agirem da mesma maneira. A segunda parte do plano é prestar atenção ao que me rodeia, passamos tantas vezes pelo mesmo lugar que às vezes paramos de enxergá-lo.

Quero voltar a ver tudo e todos. Enxergar todas as cores e nuances, sentir o vento no rosto e o cheiro de mar e me sentir mais responsável por fazer o bem.

carta para o além

Oie vó.
Hoje costumava ser seu dia, porem dessa vez não vejo motivo pra comemorar. Celebrar sua ausência não faria sentido. Dia 17 de agosto perdeu seu significado, passou a ser só mais um dia qualquer, sem importância, mais uma lembrança que você deixou.
Passaram-se seis longos meses desde quando você se foi e muitas coisas mudaram por aqui. Posso dizer sem medo que não existiu um dia que não senti sua falta, e que foram longas as noites que adormeci durante o choro. Cheguei a conclusão de que se nostalgia fosse algum liquido, há muito tempo teria me afogado.
Não sei como, mas você se dividiu pra ficar um pouquinho em cada coisa aqui. Tem você nos domingos, no abacate, nas roupas, nas musicas, na saudade, no sofá, nos lugares, na ausência, nas fotos, nos hábitos, nas sobremesas, nos almoços, nas pizzas no domingo de manhã, nos filmes repetidos, nos sonhos, nos olhos e, constantemente, nos pensamentos.
Ontem peguei um ônibus de noite, já era tarde e quase chorei. Fiquei mais de meia hora no ponto e sei que isso te deixaria preocupada. Passei pelo Ao Fiel e lembrei-me de como a gente passava sempre lá, e toda vez eu pedia alguma coisa. Não desci nas Pernambucanas, então não precisei andar sozinha até o seu apartamento. Vi o Colégio Itá e foi então que o coração apertou de vez ... Lembra de todas as festinhas? Todas as lembranças que eu fiz duas porque tinha duas mães? Todas as manhãs que a senhora foi me buscar? Como eu contava meus dramas como se fossem as piores coisas do mundo? De como eu chegava da escola com uma casquinha de sorvete na mão bem na hora do almoço? Lembra todas as tardes que você comprou bolos, doces, pães salgados e tudo de bom pros meus amigos comerem no lanche da tarde?
Às vezes acho que a senhora se esqueceu de quem era. Como se cada vez que seu coração fosse partido um pedacinho de você se perdesse. Aos poucos sumiu a vontade, a alegria e por fim a vida. Isso eu não entendo até hoje, lembro que tentei te fazer mudar de idéia, mas você cabeça-dura do jeito que era, nem me deu ouvidos. Talvez você soubesse mais e de tão cansada resolveu jogar a toalha.
Posso te contar um segredo? Você faz falta. Faz um buraco no meu peito, me faz chorar. E dessa vez quem ficou sem um pedacinho fui eu. E agora? O que a gente faz? Segue cada uma o seu caminho com a esperança de que um dia a gente possa se encontrar?
Sei lá, no meu futuro eu sempre vi você. Tava sempre lá. Sempre com a sua fé inabalável de que eu podia fazer tudo que quisesse. E agora? Quem vai acreditar assim em mim? Eu via você desesperada pela minha falta de namorado, depois criticando o cara que eu escolhi. Você chorando no meu casamento, pensando: meu tesouro cresceu e eu nem vi. E ae você estragava todos os meus filhos, deixando todos eles mimados iguais a mim. Sempre a vi orgulhosa do que eu me tornei, em todos os sentido, do jeito que a senhora sempre foi.
Enfim, minha vida inteira morei com você e essa é a minha vez de te dar abrigo, agora você mora em mim. Isso que importa.
Te amo, mais do que cabe em mim e às vezes mais do que posso suportar.

Com todo amor que houver nessa vida,
Arielle

Cada um no seu quadrado.

Nas escolas ensinam coisas que poucos usam ou se lembram depois que ela acaba, tipo química, física e geografia. Fora do currículo escolar estão as matérias que importam de verdade, mas que só são colocadas em pratica ou provadas no dia-a-dia, como respeito, compaixão, cooperação e amizade.
Já no pré a gente descobre que as pessoas tratam outras pessoas de maneiras diferentes pelos mais variados motivos. Meninos vestem roupas azul e meninas roupas rosa, meninos jogam bola e meninas brincam de boneca. Com o tempo descobrimos que etnia, credo e classe social também interferem no modo como as pessoas nos enxergam.
Na faculdade lidamos com as mais diversas formas de pensamento, cada um com o seu modo de ver o mundo de acordo com sua vivencia. E nesse caso tudo é valido. Porem, alguns seres esquecem que as diferenças são o tempero do mundo, o que torna cada um único. Não adianta gritar pra se fazer ouvir quando se é incapaz de fazer silencio para ouvir os outros. Pra mim esse tipo de ignorância é o que acaba com qualquer argumento.
Para uma convivência no mínimo agradável é necessário o mínimo de educação, coisa fácil de esquecer. Por isso virei adepta do pensamento de uma amiga minha: o amor constrange. Sendo assim toda vez que alguém se achar superior e fazer isso me tratando de maneira desagradável serei o mais educada possível, mostrando que me tratar como invisível (pelo simples fato de eu discordar e ter opinião própria) não torna ninguém mais notável.
Simples assim. Viva a liberdade de expressão que tem como base o respeito a toda forma de pensamento!





Modos de lidar com a situação: assumir uma atitude Bob Dylan “não critique o que você não consegue entender” ou aceitar que o que os outros pensam não tem o poder de mudar a essência ninguém.

Do que sobrou.

Do ano passado não sobrou muita coisa. Só as paixões e sonhos mais teimosos resistiram. Restou um coração vazio e pesado, acompanhado de um par de olhos secos. As músicas também ficaram e resolveram se multiplicar, assim como os livros. Juntos criaram um campo de força/abrigo/lenço para os momentos mais necessitados.
Quem ficou não continuou igual. Talvez os rostos ainda fossem os mesmos, porém os conteúdos não. Aconteceram aproximações e afastamentos, processos naturais nos relacionamentos humanos.
Cada um seguiu o caminho que lhe pareceu mais agradável o que não quer dizer que era o mais fácil, mas só mais um dos muitos trajetos que a gente escolhe sem saber onde vai dar.
Ficaram duvidas sobre o futuro, as lembranças do passado e o descaso com o presente. Como se qualquer momento fosse melhor que o agora.
Mais do que qualquer ingrediente dessa salada emocional, o que aumentou foi a saudade no seu estado bruto, de um jeito que incomoda tanto que a gente para de respirar e perde a consciência por algum tempo.
O mundo ficou em câmera lenta e sem cor, como se tudo isso fosse doloroso demais pra viver em tempo real. Era necessária uma força do tipo Kryptoniana para suportar isso sem vontade de ceder, sem parar de viver aos poucos.
E de repente um sopro de vida, que trouxe com ele a alegria que só uma nova vida é capaz de oferecer. Talvez essa seja a forma que o universo encontrou de fazer seu balanço e de mostrar que nada é eterno, nem mesmo a dor.
Apesar do coração vazado, os pulmões voltaram a funcionar assim como os olhos ganharam mais brilho. Aos poucos as cores ficam mais intensas.
Sobram apenas cicatrizes, daquelas que a gente olha e logo sabe que ali tem história. Do tipo que dá orgulho de carregar, porque só um grande amor é capaz de marcar assim.